Droga sintética ‘G’ se espalha na Zona Sul do Rio de Janeiro

Entre as drogas apreendidas em apartamento da Zona Sul do Rio de Janeiro, estão dois litros de ácido gama-hidroxibutirato, conhecido como  “G”, “Di” ou “GHB”

Dois litros de ácido gama-hidroxibutirato foram apreendidos em um apartamento na Zona Sul do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira, dia 4. A substância é utilizada como droga de abuso desde a década de 90, mas tem se tornado mais popular nos últimos anos. Conhecida popularmente como “G”, “Di” (em referência à pronúncia em letra em inglês), “GHB” e outros, a droga é tomada por via oral, geralmente na forma líquida, e causa sensações de relaxamento e de tranquilidade. Pode provocar também fadiga e sensação de falta de inibição.

O ácido gama-hidroxibutirato foi sintetizado pela primeira vez ainda no século XIX, pelo químico russo Alexander Zaytsev. De funcionamento análogo ao do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA), o composto passou a ser investigado como anestésico nos anos 1960. Porém, devido aos seus efeitos colaterais (contrações musculares involuntárias, delírio, tontura, perda da coordenação, náusea, vômitos e até morte), foi abandonado como anestésico. 

Por causar diminuição do nível de consciência, depressão respiratória e convulsões, o ácido gama-hidroxibutirato foi utilizado, no início dos anos 90, nos golpes de “Boa noite, Cinderela”. O GHB é uma substância banida pelo FDA (United States Food and Drug Administration, espécie de Anvisa americana), mas continua sendo utilizada para tratamento de distúrbio do sono e epilepsia.

De acordo com a investigação da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), cada dose de 5ml da droga chega a ser vendida por R$ 50. No caso dessa quadrilha, o entorpecente era negociado por meio de aplicativos de mensagens no celular e entregue na casa dos clientes, em bairros como Copacabana, Ipanema e Leblon, de carro. “Os criminosos misturam a substância com etanol e a vendem já preparada para uso. Com conta-gotas, as pessoas misturam em bebidas em uma garrafa plástica e inalam discretamente, sem ninguém imaginar o que tem ali”, explica o delegado Gustavo Castro, titular da DCOD e responsável pelo inquérito.

Na operação dsta quinta-feira, foram apreendidos ainda 375 comprimidos de ecastasy, 250g de cocaína pura, 31 papelotes da droga, 16 caixas de cetamina, embalagens para a venda das drogas e máquinas de cartão. Três homens foram presos: Brito Montano, que cedia o imóvel para armazenagem do material; José Vandi, taxista; e Francisco Rodrigo Gomes Lira, que entregava as encomendas aos usuários. Eles foram autuados por tráfico e associação para o tráfico de drogas. A polícia estima que os suspeitos lucravam R$ 200 mil com o esquema criminoso.

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