Dois meses depois, Citybus 2.0 segue desconhecido entre goianienses

Poucos bairros disponíveis e escassa divulgação estão entre os fatores destacados por quem desconhecia a existência do serviço

Foto: divulgação

O City Bus 2.0 completou nesta semana dois meses de atuação em Goiânia. Em período de teste, o transporte coletivo da HP transportes, oferecido por aplicativo, ainda é desconhecido por grande parte da população.

Desde que se iniciou o período de teste, que irão durar seis meses, as vans da HP Transportes atendem apenas o chamado “centro estendido”, que abrangem os setores setores Sul, Oeste, Marista, Bueno, Bela Vista, Serrinha, Nova Suíça, Jardim Goiás, Universitário e Aeroporto. Em novo teste realizado pelo Jornal Opção, o serviço funciona de forma regular, apesar de não ter adesão expressiva.

Entre 15 pessoas à espera de um ônibus coletivo no Setor Universitário, apenas Paula Matos, uma estudante de 20 anos, foi quem reconheceu o nome “Citybus 2.0”. Entretanto nem mesmo ela sabia explicar exatamente do que se tratava o serviço. Questionada pela reportagem, disse que já tinha escutado falar, mas por não abranger o Bairro Eldorado, onde mora, não chegou a cogitar o uso de uma das vans.

“Ele só abrange os setores mais centrais. Eu sei também que ele não é viável quanto a valor, mesmo se ele chegasse ao meu bairro a viagem ficaria muito cara”, disse a estudante.

Valor ainda é alto

A questão de valores colocada por Paula ganha relevância quando comparamos a viagem pelo mesmo percurso e distância entre os bairros Marista e Universitário, feitas pelo Citybus 2.0 e por aplicativos de transporte. A diferença foi de apenas R$ 3,05. O segundo serviço, entretanto, é de uso coletivo, e pode gerar rotas de vários passageiros ao mesmo tempo.

Também à espera de um ônibus coletivo, dessa vez no Centro de Goiânia, os estudantes Raiane Cardoso e Thiago Vieira se somam ao grupo que nunca ouviu falar sobre o aplicativo da HP. Para os estudantes que desconhecem, faltou divulgação da empresa.

Um motorista do serviço que não quis ser identificado confirma que a adesão está baixa, ele disse que em horários de pico o aplicativo chega a receber um número razoável de solicitações, mas fora desses horários roda com van vazia.

Os poucos a utilizarem

Após três viagens solitárias realizadas pela reportagem, enfim um percurso recebeu mais dois passageiros. Matheus Lopes, estudante de Educação Física, estava em sua primeira corrida pelo aplicativo. Entre os pontos que o fizeram optar pelo Citybus 2.0, Matheus destaca que no momento da solicitação não havia preço dinâmico, como nos demais aplicativos de carona.

Entretanto Matheus adiantou que o uso não deve se tornar rotineiro, já que, assim como Paula Matos, mora em um bairro que está fora do “centro estendido”. “Essa viagem que eu estou fazendo, inclusive, eu ainda vou ter que andar mais um pouco, porque não era autorizado no ponto exato que eu precisava ir. Se abrangesse mais bairros eu usaria mais”, afirmou.

Mas nem só de críticas vive o aplicativo. Edu Carlos, que dividia a van com Matheus e com a reportagem, usa o serviço regularmente. Edu  relata que o serviço se mostra cômodo para ele, que reside muito próximo ao seu trabalho. Ele também destaca valor baixo e conforto entre pontos positivos.

O que diz a HP transportes

Em entrevista ao Jornal Opção, a diretora executiva da HP transportes, Indiara Ferreira, buscou defender a importância do Citybus 2.0. Para Indiara, os pontos positivos que devem sustentar a continuidade do serviço se concentram em conceitos de sustentabilidade. Entretanto a empresa não respondeu de forma precisa a outros questionamentos levantados durante a reportagem.

Sobre a abrangência do Citybus 2.0, que atualmente cobre apenas o chamado “centro estendido”, Indiara reforçou o que a empresa já vem divulgando há dois meses. O projeto da HP pretende expandir gradativamente para outros bairros, mas não diz quais serão. Segundo a diretora, o único critério é ir cobrindo do centro para os bairros periféricos. Também se há por parte da empresa um cronograma exato de expansão.

No balanço dos primeiros 30 dias de atuação, a HP considerou que havia uma “adesão significativa” da população. Entretanto o resultado apresentado contrasta com experiências e relatos apontados na reportagem, que indicam vans com poucos passageiros. Sobre isso, Indiara diz reconhecer que a adesão ainda não é massiva, mas considera os resultados “dentro do esperado”.

Segundo a diretora executiva, a HP começa neste mês uma nova fase de promoção do serviço. “A ideia agora é partir para uma divulgação mais boca a boca, iremos fazer campanhas na porta de comércios, condomínios e lugares de grande circulação”, afirmou Indiara.

Tarifa x sustentabilidade

Outro ponto levantado durante a reportagem foram os valores das corridas, que não contrastam de maneira significativa aos preços dos aplicativos tradicionais. Ainda assim, segundo diretora executiva da HP não se há previsão em reduzir os valores. Para ela, os preços praticados atualmente se justificam pelos custos que o transporte gera.

“Nossa ideia não é concorrer com o transporte individual, o transporte coletivo por aplicativo é uma opção para a cidade que as pessoas querem no futuro”, afirma Indiara. “É muito simples você ter um individual, não ter custos com carros, atuar no mundo inteiro. O nosso proposito é não pensar em competição e sim prezar pela sustentabilidade”, defende.

Como ponto central, Indiara afirma que a questão é o modelo de mobilidade que a população quer e precisa para o futuro. “Precisa ser o transporte público coletivo sob pena de funcionamento da sociedade”, finaliza.

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