Dois advogados são denunciados como mandantes do assassinato de colega em Aruanã

Adelúcio Lima Melo e Wuandemberg Alvares Farias Silva arquitetaram o plano em razão de rivalidade profissional

Advogado Hans Brasiel da Silva Chaves foi morto no dia 6 de fevereiro. Foto: Reprodução.

O Ministério Público de Goiás apresentou uma denúncia contra os envolvidos na morte do advogado Hans Brasiel da Silva Chaves, nesta quinta-feira, 12. O assassinato aconteceu ocorreu no último dia 6 de fevereiro. Os advogados Adelúcio Lima Melo e Wuandemberg Alvares Farias Silva, conhecido Vandim, foram apontados como mandantes do crime, e Rafael Alves da Silva, como executor.

De acordo com o promotor de Justiça Augusto Moreno Alves, Adelúcio atuava na região de Aruanã, principalmente na área criminal, e ficou incomodado com a chegada de Hans na cidade, pois ele atuava na mesma área. Em agosto de 2018, Hans firmou contrato com um ex-cliente de Adelúcio e ganhou a causa, o que gerou uma discussão entre ambos e uma ameaça de morte feita pelo denunciado.

A denúncia afirmou que Adelúcio agenciou pessoas para matar Hans, mas não obteve êxito na primeira tentativa. Depois disso, passou a  arquitetar um novo plano, com o auxílio de seu amigo Wuandemberg Silva.

Modo de operação

Segundo o MP, Wuandemberg Silva entrou em contato com Rafael e ofereceu-lhe R$ 7 mil para matar a vítima. Depois, os dois advogados obtiveram uma motocicleta e uma arma, que seriam utilizadas no crime.

Os mandantes detalharam como o executor deveria agir, inclusive a rota de fuga e procedimento caso fosse preso — deveria alegar que o crime foi ordenado por uma facção criminosa, pois a vítima não cumpria com seus contratos. Para fortalecer a falsa acusação, Adelúcio protocolou perante a Promotoria de Justiça de Aruanã diversas representações desta natureza contra Hans.

Rafael foi levado até a panificadora onde Hans costumava tomar café da manhã para que visse pessoalmente seu alvo e, por R$ 500,00, contratou o adolescente que auxiliou na fuga. No dia do crime, Adelúcio ligou para o executor e confirmou que a vítima estava em seu escritório e o crime deveria ser efetivado naquele momento.

Rafael entrou na sala do advogado Hans e efetuou diversos disparos, sendo que um dos deles atingiu uma cliente da vítima na perna. Em seguida, ele fugiu do local, mas foi preso em flagrante no dia seguinte.

Manipulação de provas

Com a prisão do executor, Adelúcio Lima Melo e Wuandemberg Alvares Farias Silva começaram a agir para ocultar provas. Adelúcio usou os conhecimentos jurídicos para obter acesso a elementos da investigação e chegou, inclusive, a ameaçar uma testemunha. Além disso, produziu documento ideologicamente falso sobre a venda da motocicleta, para ocultar sua relação com o veículo.

Após a prisão de Adelúcio, ele e o parceiro advogado, enviaram ameaças para Rafael, insinuando que sua família sofreria consequências caso colaborasse com as investigações.

Adelúcio, Wuandemberg e Rafael foram denunciados por homicídio triplamente qualificado e corrupção de menor de idade. Os dois advogados também responderão pelo crime de coação e Adelúcio responderá ainda por falsidade ideológica. Wuandemberg encontra-se foragido com mandado de prisão preventiva em aberto.

 

 

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