Doença de Marisa Letícia é silenciosa, mata ou deixa sequelas na maioria dos casos

Ex-primeira-dama teve morte cerebral confirmada nesta quinta-feira por conta de complicações de um AVC hemorrágico sofrido após rompimento de aneurisma

Ex-primeira-dama Marisa Letícia teve morte cerebral confirmada nesta quinta | Foto: Ricardo Stuckert

A ex-primeira-dama Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, faleceu nesta semana por conta de complicações de um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico sofrido no início da semana após rompimento de um aneurisma cerebral, uma doença silenciosa que chega a matar quase 40% dos pacientes e deixa apenas 30% sem nenhuma sequela.

O aneurisma é a dilatação anormal de uma parte da artéria ou uma veia que irriga o cérebro, e que faz com que parte do vaso fique mais sensível, formando uma espécie de bolha que pode estourar a qualquer instante e provocar uma hemorragia.

Marisa já sabia há uma década da existência de seu aneurisma, mas como era pequeno, à época, os médicos da esposa de Lula avaliaram que não era necessária uma cirurgia. Nos últimos meses, entretanto, o aneurisma acabou crescendo até atingir pouco menos de 1 cm, o que gerou um sangramento no lado esquerdo do cérebro da ex-primeira-dama.

Chefe de Neurologia do Hospital das Clínicas (HC), em Goiânia, o Dr. Delton José da Silva avalia com estranheza a evolução da dilatação arterial no caso de Dona Marisa. Ele conta que chegou a ver uma suposta imagem divulgada nas redes sociais em que era possível observar o aneurisma e relata estranheza quanto ao caso. “Era enorme. Provavelmente deu tempo de crescer durante estes 10 anos”, relata.

Segundo o especialista, quando identificado, o diagnóstico do aneurisma é cirúrgico, a não ser em casos em que a dilatação é muito pequena. Então faz-se o acompanhamento, com exames de rotina e a realização de angiorressonâncias para que seja observada a evolução da má formação do vaso ou artéria cerebral.

“Não posso falar sobre o caso dela, porque não sei qual era o diagnóstico há 10 anos, ou se foi realizado o acompanhamento ou não. Quando é muito pequeno, o aneurisma pode até desaparecer, só que também pode haver complicações”, explica o médico.

Bomba-relógio

Diferentemente do caso de Dona Marisa, que foi diagnosticada há anos, o aneurisma é uma doença silenciosa e assintomática que, na maioria das vezes, é descoberta apenas quando o vaso ou artéria se rompe. Quando isso acontece, relata o Dr. Delton, o sintoma mais comum é uma súbita e intensa dor de cabeça, que pode ser acompanhada pelo enrijecimento da região da nuca e até perda de consciência.

“É uma verdadeira bomba-relógio, que pode disparar a qualquer momento. O paciente faz um esforço e o aneurisma estoura. É comum que ocorra durante a defecação ou durante o ato sexual”, conta o especialista em Neurologia em entrevista ao Jornal Opção.

O atendimento eficaz e rápido é o principal fator para que o paciente fique com menos sequelas possíveis. Consta que a ex-primeira-dama demorou a procurar atendimento, sendo levada inicialmente para um hospital em São Bernardo do Campo para, só depois, ser encaminhada ao Sírio-Libanês, unidade referência no País.

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