Disciplina rígida e resultados expressivos fazem aumentar a demanda de colégios militares em Goiás

Atualmente, são 18 instituições do tipo em Goiás. A tendência é que o número se multiplique nos próximos anos

Foto: Vinicius Savron

Foto: Vinicius Savron

Com bons resultados nos índices nacionais de educação e o enfoque na rigidez da disciplina, os colégios militares de Goiás têm se destacado frente aos modelos tradicionais de gestão e, consequentemente, têm ganhado cada vez mais atenção do governo do Estado.

Atualmente, são 18 instituições do tipo em Goiás, e a tendência é que o número se multiplique nos próximos anos. “Tem havido muita procura, muito pedidos por vagas em colégios militares”, relata o tenente coronel Júlio César Mota Fernandes, comandante de Ensino da Polícia Militar do Estado de Goiás.

De acordo com ele, colégios militares têm uma gestão “um pouco diferente”. “Nem melhor, nem pior”, avalia. Ainda assim, as pequenas nuances garantiram que as escolas obtivessem resultados excelentes em exames como o Enem, possibilitando que Goiás chegasse à primeira colocação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Ensino Médio neste ano.

A grade curricular é praticamente a mesma que a das demais escolas estaduais. A diferença é a implementação da disciplina de civismo, em que os alunos aprendem o Hino Nacional, a valorizar os símbolos nacionais e a cumprirem seus papéis de cidadãos.

Além disso, aqueles que optarem podem participar de aulas de música, dança ou mais de uma dezena de modalidades esportivas. As atividades são realizadas após o período regular de aula e variam de escola para escola. Geralmente, incluem futebol, basquete, vôlei, handebol, xadrez, artes marciais, entre outros. Aulas de reforço também são oferecidas.

A rotina não é das mais fáceis para os alunos. O bom dia e o boa tarde são substituídos por saudações militares e todos devem comparecer com uniformes impecáveis. Bonés, acessórios chamativos, esmaltes coloridos, assim como gírias e palavrões, estão proibidos. Tudo em nome da disciplina.

Fórmula do sucesso

A major Donizete, responsável pelo colégio Ayrton Senna, no Jardim Curitiba I, relata que os colégios são mantidos em uma parceria com a Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria de Educação. O diferencial, diz, é o compromisso estabelecido com pais e professores em busca do melhor ambiente para a atuação dos profissionais e para a formação dos alunos, e também para a busca da cidadania.

A major relata que, assim como em muitos colégios da rede pública, o Ayrton Senna passou por muitas dificuldades no que tange à criminalidade antes de passar para a gestão militar, em 2002. “A instituição fica na região Noroeste de Goiânia, que é bastante problemática e de difícil acesso. Mas com o passar do tempo a comunidade se desenvolveu bastante e o próprio colégio veio melhorando”, conta.

A fórmula para isso é a prevenção, diz. “Fazemos acompanhamento familiar com nossos alunos. Aqueles que faltam muito, que aparentam sofrer violência doméstica, por exemplo, passam por um processo de averiguação e, quando necessário, acionamos o Ministério Público e oferecemos acompanhamento psicológico.”

Ainda assim, a major não descarta a necessidade do envolvimento dos pais no processo educacional, que ela julga essencial para a formação acadêmica e cívica do jovem.

Alta demanda, pouco oferta

Apesar da aparente excelência na prestação dos serviços, são poucos aqueles que conseguem uma vaga numa escola militar. Nos 18 colégios do tipo no Estado, há cerca de 20 mil alunos matriculados.

Goiânia é a cidade com o maior número de instituições desse modelo: são três – uma no Jardim Goiás (CPMG Hugo de Carvalho Ramos), outra no Setor Oeste (CPMG Polivalente Modelo Vasco dos Reis) e outra no Jardim Curitiba I (CPMG Ayrton Senna).

Além da capital, Anápolis é a única cidade goiana que conta com mais de um colégio militar, com duas instituições. Cidade de Goiás, Inhumas, Goianésia, Jussara, Jataí, Quirinópolis, Rio Verde, Aparecida de Goiânia, Novo Gama, Valparaíso, Porangatu e Palmeiras de Goiás também já foram contempladas. Outras estão programadas para começarem a funcionar em Luziânia, Águas Lindas, Mineiros, Senador Canedo, São Miguel do Araguaia, Pontalina e Catalão.

Os professores são os mesmos da rede pública estadual, que passam por um breve período de adaptação. Os recursos também provêm das mesmas fontes das demais escolas da rede, com o acréscimo de uma taxa paga pelos pais dos alunos, que varia de escola para escola.

O primeiro colégio a passar para esse modelo em Goiás foi o Polivalente, do Setor Oeste, em 1998. O último, foi o de Quirinópolis, ainda neste mês. No final de outubro deste ano foi aberto o mais recente edital para o preenchimento de 4.082 vagas em escolas militares de Goiás.

O edital foi publicado no dia 28 pelo Comando de Ensino da Polícia Militar de Goiás, e disponibilizava vagas em 18 unidades em 14 cidades do Estado. As inscrições foram realizadas exclusivamente nas escolas.

A escolha dos alunos foi feita mediante sorteio em cada uma das 18 unidades onde o aluno se inscreveu. As vagas são sorteadas na presença dos pais e de representantes do Ministério Público, do Conselho Tutelar, e do Juizado da Infância e Juventude. Do total de vagas, 50% são destinadas aos dependentes de militares, e 50% ao público civil.

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Epaminondas

Daí se alguém carrega um cartaz “pela volta dos militares”, são escorraçados tanto pela direita como pela esquerda. O brasileiro precisa lidar com esta questão mal resolvida com os militares. Afinal, na hora que a criminalidade assume, são os militares que são chamados. Mas aí de alguém elogiar a ditadura. Embora eu não compre essa coisa que escolas militares são melhores, concorrendo em pré de igualdade com as demais. Só por causa da “disciplina”. Vem me dizer que um diretor “civil” tem o mesmo grau de acesso que um militar para acionar outras instâncias governamentais? E fora a ameaça de… Leia mais

Renato

A população brasileira está desesperada por mais ordem, disciplina, educação e civilidade no país. Ninguém aguenta mais violência, libertinagem e falta de educação.