Dilma Rousseff: “Eu estou impressionada com esse novo Santa Genoveva”

Presidente veio a Goiânia na noite desta segunda-feira (9/5) inaugurar o novo terminal de passageiros do aeroporto da capital, que demorou mais de 10 anos para ficar pronto

A presidente Dilma Rousseff (PT) destacou os avanços na aviação civil em seu governo | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

A presidente Dilma Rousseff (PT) destacou os avanços na aviação civil em seu governo | Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Ao desembarcar por um dos quatro fingers (pontes de embarque) do novo terminal de passageiros do Aeroporto Santa Genoveva, na noite desta segunda-feira (9/5), a presidente Dilma Rousseff (PT) disse, no início do seu discurso em Goiânia: “Eu estou muito feliz de estar aqui. Primeiro porque eu estou impressionada com esse novo Santa Genoveva que orgulhará, sem dúvida, os cidadãos e a cidadãs aqui de Goiás”.

Depois de mais de dez anos de obras e paralisações, a placa do novo terminal foi descerrada pela presidente naquele que pode, talvez, ser seu último ato oficial fora de Brasília (DF) antes de ser possivelmente afastada pelos senadores na quinta-feira (12) pelo plenário do Senado, caso o processo de impeachment contra ela seja aberto por maioria simples dos parlamentares.

“Um aeroporto mais do que merecido”, destacou Dilma. Ao lado do ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC), Carlos Eduardo Gabas, do presidente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Antonio Gustavo Matos do Vale, do secretário-executivo da SAC, Guilherme Walder Mora Ramalho, e do secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Olavo Noleto Alves, a petista afirmou que esse era um momento histórico.

“Essa obra faz parte de uma infraestrutura necessária para um País continental como o nosso. Ter um aeroporto bem no centro desse País. Um aeroporto que leve em conta a localização estratégica de Goiás em relação aos demais Estados. E eu tenho muito orgulho de ter olhado para a questão da infraestrutura no Brasil.”

Dilma lembrou da ferrovia Norte-Sul, com sua importância para o transporte de mercadoria em Anápolis. “Anápolis passou a ser um grande polo logístico.” Segundo a presidente, o mesmo acontecerá com Goiânia, pois o novo aeroporto não é só de passageiros, mas também de cargas. “Isso significa empregos, isso significa condições para o desenvolvimento.”

A presidente destacou que o novo terminal de passageiros, com 34.100 metros quadrados, tem capacidade 5,5 vezes maior do que o atual aeroporto, que tem apenas 7.571 metros quadrados de área.

“Quando eu iniciei o meu primeiro mandato, os aeroportos estavam entre os serviços mais mal avaliados pelos brasileiros. E situações como a do antigo Santa Genoveva eram generalizadas pelo Brasil: muitas pessoas, infraestrutura bastante precária, uma imensa dificuldade. Mesmo porque nós vivíamos uma situação, e ainda vivemos, que é a inclusão da população brasileira nesse serviço aeroportuário brasileiro.”

De acordo com Dilma, “muita gente que nunca viajou de avião passou a viajar”. “Pessoas das classes menos endinheiradas, das classes pobres, podiam cortar o céu do Brasil indo para as suas casas, indo visitar seus parentes. E isso se tornou ao mesmo tempo um desafio. Nós tínhamos de dar uma resposta a essas questões”, destacou a petista.

Neste momento, uma pessoa na platéia gritou: “Até negro pode andar de avião agora”.

Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

“No âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), esse aeroporto foi considerado prioritário.” Dilma lembrou que a primeira fase do programa de expansão dos aeroportos foram feitas cinco concessões: JK, em Brasília, Galeão, no Rio de Janeiro, Confins, em Minas Gerais, Guarulhos e Viracopos, em São Paulo.

“Na sequência, fizemos um novo aeroporto lá no Rio Grande do Norte, o aeroporto São Gonçalo do Amarante. E agora, estamos também fazendo o mesmo processo com Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).” Segundo Dilma, o Aeroporto Santa Genoveva era “um caso especial” para o governo federal, que era o de cumprir com o fim das obras pelo PAC. “E assim nós fizemos. Esse é hoje um dos aeroportos mais modernos.”

Dilma disse que, com isso, se garante que o País não fique “circunscrito à área litorânea” e seja “interiorizado”. E lembrou do lançamento das Universidades Federais de Jataí e Catalão, feitas na manhã de hoje. “São dois desdobramentos que vão interiorizar o desenvolvimento”, afirmou a presidente.

“Para não sermos desiguais, as oportunidades têm de ser as mesmas”, defendeu Dilma o processo de interiorização da infraestrutura aeroportuária nacional. E destacou as críticas que não se consolidaram sobre a situação dos aeroporto durante a Copa do Mundo de Futebol Masculino em 2014. “As estruturas dos aeroportos foram as mais bem avaliadas nas 12 cidades sedes da Copa.”

Dilma apresentou dados de pesquisa feita com usuários dos maiores aeroportos do Brasil que avaliaram com nota quatro apenas cinco dos 15 aeroportos. “Como é de 1 a 5, a gente pode considerar que era uma boa nota.” O levantamento não incluía o Santa Genoveva.

“Os 15 foram classificados como bons ou muito bons pelos usuários.” Dilma agradeceu aos funcionários da Infraero, prefeitura de Goiânia e governo de Goiás que trabalharam para entregar o novo terminal do Aeroporto Santa Genoveva neste mês de maio.

Aumento de passageiros

A presidente citou que a capacidade de usuários da aviação civil no Brasil era de 223 milhões por ano em 2011 nos aeroportos brasileiros, que foi aumentada para 365 milhões de pessoas. “É por isso que vocês não veem mais aquelas críticas pesadas”, declarou Dilma.

E disse que antes viajar de avião era algo “inimaginável”, como se fosse “ir a uma festa”. “Agora viajar de avião a gente pode ir de calça jeans, de tênis, do jeito que for, porque passou a ser algo de massa, algo para o povo desse País, e não para uma pequena elite endinheirada.”

Veja como ficou o novo terminal de passageiros do Aeroporto Santa Genoveva:

Impeachment

“Nós estamos tendo os maiores saldos comerciais dos últimos anos. A economia começou a se mexer. Qual é o problema do País? É a instabilidade política. A instabilidade política daqueles que torcem pelo quanto pior melhor.” Segundo Dilma, esses são os mesmos que há 15 meses pediram recontagem dos votos quando ela foi reeleita em outubro de 2014 e depois levantaram suspeição sobre a segurança das urnas eletrônicas.

A presidente disse que tentaram, no Tribunal Superior Eleitoral, em dezembro de 2014, impedir que ela assumisse o cargo de presidente em janeiro de 2015. “Eu fui objeto de pautas bomba. Não só não apoiaram as nossas propostas, como aumentaram os gastos do governo indevidamente. E por fim, nos últimos cinco meses, o ex-presidente da Câmara (Eduardo Cunha-PMDB/RJ) não nomeou nenhuma comissão.”

Dilma afirmou que o Legislativo está parado pelo fato de Cunha não ter nomeado comissões mistas ou da Câmara para que o País continue a andar. “Em dezembro do ano passado, quando nós não lhe demos três votos para impedir o que ele queria impedir, que a Comissão de Ética da Câmara o julgasse, e para isso ele precisava de três votos e queria que nós do governo lhe déssemos os três votos.”

Repetidamente, como em outros discursos, Dilma disse que, por não receber esses três votos, Cunha aceitou um pedido de impeachment assinado pelo ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o jurista Miguel Reale Júnior. “E por uma senhora advogada, segunda a imprensa noticiou, tinha sido para com R$ 45 mil para fazer o referido processo”, observou Dilma.

Foi quando a presidente citou jornais de circulação nacional presentes no evento, entre eles O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e O Globo. “Todos os jornais mostraram que o que o senhor ex-presidente da Câmara estava fazendo era uma chantagem, a ponto de isso ser dito em editorial.”

Citou que Miguel Reale Júnior que aquilo era uma chantagem e teria declarado à imprensa “desvio de poder”. “Dizem assim: ‘impeachment não é golpe porque está na Constituição’. Eles subestimam a inteligência do povo brasileiro”, declarou Dilma.

A presidente lembrou que há no artigo 85 da Constituição, assim como há na Carta Magna a previsão do impeachment, existe a exigência de comprovação de crime responsabilidade, que ela diz não ter acontecido.

“O que eles acharam? Acharam agora dez decretos chamados decretos de crédito suplementar. Nós tínhamos e cumprimos no ano de 2015 as metas aprovadas pelo Congresso.” Dilma afirmou que, da forma como a oposição diz, parece que são decretos aprovados para beneficiá-la.

A petista elencou três exemplos do que dizem os decretos: “aumentar os recursos para o Tribunal Superior Eleitoral”, que não seriam para o Executivo, mas sim para o Judiciário para realização de concurso público; o segundo é do Ministério da Educação (MEC), dinheiro para hospital público federal; e o terceiro seria para o Ministério da Justiça, com verba destinada para escolta.

Dilma disse que fez seis decretos, que são previstos na Lei Orçamentária, como os outros presidentes que a antecederam também fizeram. “Eu fiz seis, do tipo dos meus seis, o ex-presidente Fernando Henrique fez 30, e o Lula só fez quatro. […] Pergunta: houve algum problema anterior ao meu caso? Não houve.”

“É golpe”

De acordo com a presidente, não sobraria gestor público no cargo se fossem aplicadas as mesmas regras que querem aplicar contra ela no processo de impeachment se as mesmas medidas fossem adotadas também para governadores e prefeitos. “Por que isso? É porque não é crime, não é crime. É golpe”, criticou.

Para Dilma, o impeachment “é um disfarce para uma eleição indireta que está em curso no Brasil”. “Por que não querem uma eleição direta? Porque ninguém aqui votaria para reduzir direitos, ninguém aqui votaria para acabar com uma parte do Bolsa Família, ninguém aqui votaria para reduzir os gastos em educação e saúde.”

Segundo a presidente, é “muito estranho”. “Eu registrei no Tribunal Superior Eleitoral um programa de governo. É esse programa de governo que recebeu os votos do povo brasileiro. Então para mudar o programa de governo, para mudar o que será feito nesse período até 2018, tem de mudar o programa de governo só de um jeito: através de eleição direta. E isso tem de acontecer ao longo do ano de 2018 para que o presidente tome posse em 1º de janeiro de 2019.”

“Assim como eu lutei para fazer esse Aeroporto Santa Genoveva, eu vou lutar com todos os instrumentos que eu tenho, os instrumentos democráticos e legais, para impedir a interrupção ilegal, usurpadora, do meu mandato por traidores, por pessoas que não têm condições de se apresentar ao Brasil e se eleger. Usurpadores. E vou lutar, porque o povo brasileiro merece respeito, merece consideração e, sobretudo, merece a democracia que nós conquistamos com tanto esforço.”

Dilma encerrou seu discurso ao dizer que “a democracia é, sem dúvida, o lado certo da história”. “A história também julgará os golpistas e usurpadores.”

Gritos da plateia

Ao aparecer no telão do evento, no saguão do novo terminal do Aeroporto Santa Genoveva, que o avião da presidente e sua comitiva tinha aterrissado na pista, palmas e gritos de comemoração começaram a surgir. Faixas com frases “Dilma, eu te amo” e “Dilma presidente”, da campanha de 2014, foram levadas por algumas pessoas.

O grito que ganhou mais força no início e em alguns momentos do discurso de Dilma foi “Dilma guerreira da pátria brasileira”. O “não vai ter golpe”, presença obrigatória nas manifestações “em defesa da democracia”, também se fez presente em alguns momentos da solenidade de inauguração.

Ao final do discurso, várias pessoas que estavam na plateia se aproximaram da presidente para levar presentes, tirar fotos, dizer frases de apoio e abraçar a petista, que deixou o Santa Genoveva pela escada rolante atrás do palco montado no saguão.

Da mesma forma que ela chegou, pela pista do aeroporto, sem nem ser vista fora do avião, Dilma voltou para a aeronave, ao sair e entrar pelo finger e corredor do novo terminal, com acesso restrito a pessoas credenciadas.

Ouça o discurso da presidente Dilma Rousseff (PT) na íntegra:

https://soundcloud.com/palacio-do-planalto/integra-discurso-da-presidenta-dilma-na-inauguracao-do-novo-terminal-do-aeroporto-santa-genoveva

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