Dilma: “Não se conformam que eu não fique histérica”

Em entrevista coletiva, a presidente lamentou o preconceito contra a mulher e o tratamento diferente que diz receber

Foto: Lula Marques / Agência PT

Dilma Rousseff: “A mulher brasileira não tem nada de frágil” | Foto: Lula Marques / Agência PT

A presidente Dilma Rousseff (PT) comentou na manhã desta terça-feira (19/4), o preconceito contra a mulher na mídia e a forma diferenciada com que é tratada. “Mulher em tensão tem que ficar nervosa, histérica e desequilibrada. Não se conformam que eu não fique”, disse a presidente em referência à uma reportagem publicada pela revista IstoÉ do último dia 3 de abril.

A publicação que causou polêmica e acusações de misoginia e machismo, traz uma reportagem intitulada “As Explosões Nervosas da Presidente”, que trata sobre supostos casos de descontrole emocional da petista, chegando a comparar a presidente com Maria I, a Louca, rainha de Portugal no fim do século 18.

Quando perguntada sobre sua opinião em relação ao uso da frase “Tchau, querida”, que foi utilizada em protestos contra a presidente e inclusive por deputados federais favoráveis ao impeachment no plenário da Câmara, Dilma disse que “lamenta profundamente o grau de preconceito contra a mulher” e completou, “a mulher brasileira não tem nada de frágil”.

As declarações foram feitas durante uma entrevista coletiva concedida a jornalistas de veículos estrangeiros no Palácio do Planalto.

A presidente lamentou também que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tenha feito uma homenagem ao torturador da ditadura militar Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto em 2015. A declaração do deputado foi feita no último domingo, ao dar seu voto favorável ao processo de impeachment, na Câmara dos Deputados.

“Eu lastimo que esse momento no Brasil tenha dado abertura para a intolerância, para o ódio, para esse tipo de fala [de Jair Bolsonaro]. Num processo como o nosso, em que a democracia resulta de uma grande luta de resistência, que abrangeu os mais variados setores, é terrível você ver num julgamento alguém votando em homenagem ao maior torturador que esse país conheceu. É lamentável”, reiterou.

“De fato, fui presa nos anos 70, de fato, eu conheci bem esse senhor ao qual ele [Bolsonaro] se refere. Foi um dos maiores torturadores do Brasil. Sobre ele, recai não só acusação de tortura, mas também acusação de morte. É só ler os papéis da Comissão da Verdade e mesmo outros relatos”, afirmou Dilma.

A presidente avaliou que a crise atual está acontecendo pelo fato de a eleição de 2014 ter sido vencida por uma margem estreita, de pouco mais de 3 milhões de votos. A petista recebeu 54 milhões de votos. “Essa eleição perdida por essa margem tornou no Brasil a oposição derrotada bastante reativa a essa vitória e por isso começaram um processo de desestabilização do meu mandato desde o início dele. Este meu segundo mandato, há 15 meses, tem o signo da desestabilização política”, afirmou.

Os deputados aprovaram no último domingo (17/4), por 367 votos a favor e 137 contra, o prosseguimento do processo de impeachment contra a presidenta Dilma. Em uma entrevista concedida à imprensa ontem (18), Dilma disse se sentir indignada e injustiçada com a decisão da Câmara dos Deputados.

Se a admissibilidade do afastamento for aprovada também pelos senadores, a presidenta será afastada do cargo por até 180 dias, enquanto o Senado analisa o processo em si e define se Dilma terá o mandato cassado. (Com informações Agência Brasil)

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