A Autoridade Pública de Governança do Futebol (Apfut) garantirá a modernização do esporte no País, afirmou a presidente da República

Anúncio foi feito durante assinatura de contratos de patrocínio da Caixa com dez clubes brasileiros | Foto: Ichiro Guerra/PR
Anúncio foi feito durante assinatura de contratos de patrocínio da Caixa com dez clubes brasileiros | Foto: Ichiro Guerra/PR

No mesmo evento em que a presidente Dilma Rousseff (PT) assinou contratos de patrocínio a dez clubes brasileiros de futebol no valor de R$ 83 milhões por meio da Caixa Econômica Federal (CEF) em 2016, a petista anunciou que já foi assinado o decreto que regulamenta a Autoridade Pública de Governança do Futebol (Apfut).

O anúncio foi feito nesta terça-feira (19/1) no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) por Dilma. De acordo com a presidente, a Apfut será responsável por fiscalizar a Lei do Futebol (Profut), o que, segundo ela, garantirá a “efetiva modernização” da gestão dos clubes.

“A Autoridade Pública de Governança do Futebol contará com a participação paritária de atletas, de dirigentes, de treinadores, de árbitros. Acompanharemos com interesse, rigor e transparência o cumprimento das contrapartidas assumidas pelos clubes”, explicou Dilma.

Segundo a presidente, o Profut tornará possível que patrocinadores adquiram mais confiança na “boa aplicação dos recursos investidos” e na continuidade da aposta de que o futebol brasileiro se fortalecerá ainda mais. “Marca o início da maior reforma já vivenciada pelo futebol e tenho certeza que nós iremos adiante.”

A petista informou 111 clubes brasileiros já se inscrevera no Profut. De acordo com o governo federal, a Lei do Futebol determina regras de transparência para o esporte e oferece benefícios de refinanciamento das dívidas das equipes com a União.

O Estatuto do Torcedor e a Lei Pelé devem ser revistos. De acordo com Dilma, o governo federal encaminhará ao Congresso Nacional projetos para aprimorar as duas leis.

A presidente disse que a União quer também fazer a proposta de uma legislação trabalhista específica para o futebol que determine com mais clareza as responsabilidades dos clubes e, ao mesmo tempo, dê proteções legais aos atletas nas particularidades da profissão de jogador de futebol.

“Todas essas mudanças vão dar velocidade ao processo de modernização da indústria do futebol, fazendo com que essa cadeia produtiva gere ainda mais emprego, mais renda e, sobretudo, mais vitórias para o País”, afirmou Dilma.

Clubes patrocinados

Atlético Mineiro (MG), Atlético Paranaense (PR), Chapecoense (SC), Cruzeiro (MG), Coritiba (PR), CRB (AL), Sport (PE), Vitória (BA), Figueirense (SC) e Flamengo (RJ) assinaram contratos com o governo federal para receberem patrocínio da Caixa Econômica Federal até 31 de dezembro de 2016. O governo ainda negocia a renovação de contrato com o Corinthians (SP), que vence em fevereiro.

“É uma parceria comercial que tem se mostrado positiva tanto para o futebol quanto para a Caixa. Está alinhada com o compromisso do governo com o desenvolvimento do futebol brasileiro em bases sustentáveis dos pontos de vista financeiro, de gestão, da relação profissional dos atletas e da valorização do espetáculo”, explicou a presidente.

O governo federal apoiará competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), como a Copa do Nordeste, Copa Verde, as séries B e C do Campeonato Brasileiro, torneios femininos, entre eles o nacional e um internacional. “Essas competições são importantes para o fortalecimento do futebol em todas as regiões do Brasil, e em especial do futebol feminino”, pontuou.

Dívidas

Divulgado em setembro de 2015, o relatório do Itaú BBA, apenas com o que são considerados os clubes mais importantes do futebol brasileiro, as dívidas dos grandes nacionais são assustadoras. O líder desse ranking negativo é o carioca Flamengo, com R$ 625 milhões negativos, seguido Botafogo (RJ) – R$ 624 milhões.

Em terceiro lugar vem também outro clube carioca, o Vasco, que acumula R$ 523 milhões em dívidas. Só na quarta colocação muda o estado, quando aparece o Atlético Paranaense, que deve R$ 496 milhões, de acordo com o relatório.

A partir da quinta colocação nesse ranking das dívidas aparecem Fluminense (RJ), com R$ 391 milhões, Atlético Mineiro — R$ 378 milhões, Internacional (RS) – R$ 296 milhões, Corinthians – R$ 288 milhões, São Paulo – R$ 272 milhões e Santos (SP), com R$ 262 milhões.