Dia Mundial da Luta Contra AIDS: especialista explica mitos e verdades sobre HIV

Portadores do vírus, por exemplo, que possuem – e mantêm por no mínimo seis meses – a carga viral indetectável, não transmitem o vírus

Em Goiás, de acordo com o boletim epidemiológico do HIV/AIDS 2017, entre 2007 e 30 de junho de 2017 foram notificados 5. 390 casos de HIV. Destes casos, 45,6% são em jovens que encontram-se na faixa de 20 a 29 anos e 25% de 30 a 39 anos.

O crescimento dos casos de HIV deve-se ao aumento da não utilização de preservativo e ampliação do diagnóstico, com a oferta de testagem rápida nas unidades de saúde.

Em entrevista ao Jornal Opção, a médica infectologista Ana Beatrix Ferreira Caixeta explicou mitos e verdades que existem sobre a doença e a transmissão do vírus HIV. Veja:

  1. Todo portador do HIV tem ou terá AIDS.

MITO. Nem todo portador do HIV tem AIDS. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA ou AIDS) ocorre em uma fase mais avançada da infecção pelo vírus, quando o paciente apresenta um comprometimento severo da imunidade e podem surgir as chamadas infecções oportunistas e alguns tipos de câncer.

2. Alguns grupos são mais propensos ao contágio ao HIV.

MITO. No Brasil, a epidemia de HIV se concentra em alguns grupos populacionais, que respondem pela maioria dos casos, como homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, profissionais do sexo e usuários de drogas. Entretanto, vale ressaltar que qualquer indivíduo pode ser considerado como  grupo de risco se tiver práticas ou parcerias sexuais que determinam maiores chances de exposição ao vírus.

3. O diagnóstico é feito apenas pelo exame de sangue.

PARCIALMENTE VERDADE. Existe o teste do fluido oral, que é vendido em farmácias. É um teste rápido que fornece o resultado em 30 minutos. Acontece que, por ser um teste rápido, não pode ser considerado confirmatório de diagnóstico. Mesmo com o resultado positivo, é necessário fazer o exame de sangue.

4. Há chances de o resultado dar falso negativo.

VERDADE. Se o exame for realizado no período chamado de “janela imunológica “, em que já ocorreu a infecção, mas ainda não há anticorpos em níveis detectáveis no sangue pelo exame, este pode se mostrar falsamente negativo. É importante procurar auxilio médico para avaliar a indicação de se repetir o exame ou realizar outros testes para a confirmação do diagnostico.

5. Em caso de resultado positivo, o tratamento deve ser iniciado apenas quando a carga viral estiver muito alta, ou quando o número de células de defesa estiver baixo.

MITO. O tratamento deve ser oferecido para todo paciente que receba o diagnóstico da infecção pelo HIV, e iniciado o quanto antes. O tratamento precoce tem por objetivo tornar a carga viral indetectável e, consequentemente, preservar os linfócitos T CD4, células de defesa atacadas pelo vírus. Além do objetivo principal, que é indetectar a carga viral e, com isso, preservar as células de defesa, o tratamento não deixa de ser também uma estratégia para controle da epidemia, já que, tornando a carga viral indetectável, se diminui o risco de transmissão.

6. Uma pessoa portadora do vírus HIV não consegue ter uma vida normal nos dias de hoje.

MITO. Os portadores do vírus HIV conseguem ter uma vida normal, desde que a pessoa faça acompanhamento regular, não deixe de tomar os antirretrovirais  e tenha um estilo de vida saudável, com alimentação balanceada e pratica de atividade física regular.

7. Pessoas com carga viral indetectável não transmitem o HIV, caso não tenham outras DSTs. 

VERDADE. As evidências, como o estudo Partner, por exemplo, mostram que os pacientes que fazem uso da terapia antirretroviral de forma adequada e conseguem atingir uma carga viral indetectável e mantém essa carga, a transmissão realmente não ocorre nos casais sorodiscordantes (quando um tem o vírus e o outro não). Vale ressaltar que a teoria vale para quem mantém carga viral indetectável por, no mínimo, seis meses. Isso vale também para mães e pais soropositivos que desejam ter filhos.

8. O combate ao preconceito pode ajudar no combate da epidemia.

VERDADE. A pessoa que recebe o diagnóstico de HIV precisa entender que tem um problema crônico de saúde, e não uma sentença de morte! Esse indivíduo deve ser abordado de forma global, levando-se em consideração suas dúvidas, angústias, anseios, sendo acolhido e explicando a importância do acompanhamento e tratamento adequados.

9. Pais soropositivos não podem ter filho sem HIV.

MITO. Pais com carga viral indetectável podem ter filhos sem o vírus, desde que com acompanhamento médico.

10. Existe outro método de prevenção ao HIV além da camisinha.

VERDADE. Existe a prep, que consiste na profilaxia pré-exposição ao HIV, através do uso de antirretrovirais para reduzir o risco de contrair o vírus. O método é eficaz e seguro, como mostraram diversos estudos clínicos realizados até o momento.

11. Portadores do vírus podem passar períodos sem tomar o remédio sem interferência no tratamento.

MITO. Na terapia antirretroviral, os medicamentos são de uso contínuo. O paciente tem que ter compromisso e adesão à terapia já que corre o risco de que, no período que o tratamento é interrompido, o vírus se torne resistente.

12. Brinquedos sexuais não transmitem HIV.

MITO. A depender do tipo de objeto utilizado, e se este entra em contato com secreções genitais e/ou sangue (por traumas ocasionais pelo uso desse objeto) e logo em seguida em contato com mucosa da outra pessoa, a transmissão pode ocorrer sim.

 

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