Dezenas de milhares de bebês podem ser afetados pelo Zika na América Latina, diz estudo

Projeção concluiu que em toda a região, 1,65 milhões de mulheres grávidas podem ser infectadas pelo vírus

Um estudo divulgado pela Nature Microbiology nesta segunda-feira (25/7) indica que dezenas de milhares de recém-nascidos podem nascer com microcefalia e outros transtornos neurológico associados ao vírus Zika durante a atual epidemia na América Latina e no Caribe. De acordo com o estudo, 93,4 milhões de pessoas podem ser infectadas, entre elas, 1,65 milhões de mulheres grávidas.

As previsões indicadas são o pior cenário possível de acordo com os pesquisadores. Segundo as estimativas de Alex Perkins, pesquisador da Universidade de Notre Dame (Indiana), o Brasil lidera a quantidade de infectados previsíveis com 37,4 milhões de pessoas. Em seguida aparecem México (14,9 milhões), Venezuela (7,4), Colômbia (6,7), Cuba (3,7), Haiti (2,9), Argentina (2,7), República Dominicana (2,6) e outros 15,6 milhões divididos por outros países da região.

“A principal preocupação com o surto de zika na América Latina é o dano causado aos fetos quando as mães são infectadas”, comentou Jimmy Whitworth, da Escola de Medicina Tropical de Londres. “Este estudo utiliza modelos informáticos para concluir que 1,65 milhão de grávidas podem se infectar durante esta epidemia”

A estimativa foi feita considerando que há 5,42 milhões de gestações anuais em todas as regiões afetadas.

Desafio

O estudo fornece um panorama prospectivo de propagação da doença e examina seu provável impacto em níveis muito localizados. Para Whitworth, “Este estudo ressalta o tamanho do desafio que a epidemia de zika representa à sociedade e aos serviços sociais da América Latina. Todos estes recém-nascidos afetados e seus familiares precisarão de acesso a cuidados”.

Só no Brasil, até o momento já foram associados ao Zika 1.700 casos de microcefalia. O vírus provoca, na maioria dos casos, uma infecção leve, que pode até passar despercebida. Porém quando ocorre durante a gravidez, pode afetar o cérebro do feto e provocar microcefalia.

 

Ele pode causar, ainda, transtornos neurológicos, como a síndrome de Guillain-Barré, que provoca paralisia e pode evoluir de forma a causar a morte do paciente.

Os autores do estudo utilizaram projeções matemáticas para analisar os dados reais de infecção da população graças a testes sanguíneos, se inspirando nas informações arrecadadas em epidemias anteriores de dengue e Chikungunha.

A epidemia atual de zika deve se extinguir em dois ou três anos na América Latina e no Caribe, segundo um estudo britânico publicado pela Science. Outra epidemia de grande amplitude pode voltar a aparecer, mas não antes de dez anos, atingindo uma geração que nunca tenha sido exposta ao vírus. (Com informações da AFP)

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