Desemprego entre jovens ainda supera média nacional; Goiás tem 8,5 mil aprendizes
22 setembro 2026 às 15h58

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Conseguir a primeira oportunidade de trabalho ainda é um dos principais obstáculos enfrentados pelos jovens brasileiros. Mesmo diante da redução do desemprego no país, a falta de ocupação continua atingindo com maior intensidade quem está no início da vida profissional.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2025 mostram que a taxa de desemprego chegou a 11,4% entre pessoas de 18 a 24 anos e a 19,9% na faixa de 14 a 17 anos. No mesmo período, a taxa geral informada no levantamento ficou em 5,1%.
A diferença evidencia um problema recorrente para quem tenta entrar no mercado: muitas vagas exigem experiência justamente de candidatos que ainda buscam a oportunidade de adquirir essa experiência.
Nesse cenário, os contratos de aprendizagem funcionam como uma das portas de entrada para o emprego formal. O modelo permite que adolescentes e jovens conciliem formação profissional, trabalho e estudos e estabelece regras específicas de jornada e acompanhamento.
Em Goiás, cerca de 8,5 mil jovens estão atualmente inseridos em programas de socioaprendizagem, segundo informações da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds).
No país, 2025 registrou o maior número de aprendizes contratados desde a criação da política, há 25 anos. Foram 715 mil vínculos formais de jovens entre 14 e 24 anos ao longo do período.
A barreira da primeira experiência
Para Geovana Moreira Martins, de 19 anos, a oportunidade chegou enquanto conciliava a faculdade de Psicologia com a busca pelo primeiro emprego. Sem experiência profissional anterior, ela ingressou como jovem aprendiz em uma incorporadora de Goiás.
Geovana começou trabalhando no setor administrativo de uma obra em Aparecida de Goiânia. Entre as atividades estavam conferência de documentos, agendamento de exames admissionais e demissionais e preparação de ofícios.
Posteriormente, passou a trabalhar na sede da empresa, onde começou a lidar com outras atividades administrativas, como organização de documentos relacionados a rescisões e cartões de ponto.
“Eu não tinha nenhuma experiência de trabalho, então, para a gente que é jovem, é bem mais difícil. Nesse sentido, acho que é um programa que acolhe os jovens mesmo”, relata.
Além do conhecimento técnico, ela aponta a convivência no ambiente profissional como uma das principais mudanças desde que começou a trabalhar.
“Aprendi a me relacionar melhor com as pessoas e como me portar no ambiente de trabalho. Numa empresa do tamanho da FGR, você tem gente de várias formações, várias idades, várias vivências”, afirma.
Do primeiro emprego à sociedade da empresa
Se para Geovana a experiência profissional está começando, a trajetória de Denise Rodrigues mostra outro caminho possível a partir de um contrato de aprendizagem.
Denise tinha 16 anos quando conseguiu o primeiro emprego, em 2011. Ela começou como arquivista na FGR Incorporações, trabalhando com documentos de diferentes departamentos.
Quinze anos depois, permanece na mesma empresa. Formada em Contabilidade, tornou-se coordenadora contábil e, mais recentemente, foi convidada a integrar o quadro de acionistas da incorporadora.
“Confesso que até me sinto emocionada ao falar dessa minha trajetória e ver onde consegui chegar e o quanto ainda posso crescer”, conta.
A contadora lembra que iniciou a carreira com insegurança diante de um ambiente profissional que ainda desconhecia. A adaptação ocorreu gradualmente à medida que passou a compreender a rotina e as responsabilidades do trabalho.
“O ambiente aqui sempre foi de muita educação, cordialidade e respeito por todos, independentemente de função ou hierarquia, e isso foi me deixando mais confortável e com confiança”, diz.
Entrada no mercado
Para o especialista em gestão de pessoas Rafael Carlos Gonçalves, a aprendizagem não deve ser tratada apenas como uma forma de contratação, mas como um período de preparação profissional.
Segundo ele, para muitos participantes, é nesse momento que aparecem as primeiras experiências com horários, responsabilidades, hierarquia e convivência com profissionais de diferentes áreas.
“Mais do que cumprir uma função social, o programa contribui para a construção de experiência, disciplina, aprendizado técnico e desenvolvimento comportamental, preparando esses jovens para os desafios da carreira e ampliando suas perspectivas profissionais”, afirma.
A experiência adquirida nessa etapa ganha peso justamente diante da diferença entre o desemprego juvenil e o registrado na população em geral. Para quem ainda não conseguiu construir um histórico profissional, oportunidades de aprendizagem podem representar o primeiro registro no currículo e uma possibilidade de permanecer no mercado depois do fim do contrato.
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