Desembargador de Minas Gerais propõe vaga fantasma a parentes

Áudios da Polícia Federal revelam diálogos do magistrado com políticos e agentes de estado para viabilizar contratações

Desembargador de Minas Gerais propõe vaga fantasma a parentes
Foto: Divulgação

Em áudio divulgado pela Polícia Federal à Folha de S. Paulo, o desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, sugere que seu filho e sua esposa atuem como funcionários públicos fantasmas sem cumprir cargas horárias exigidas.

Na gravação ele ainda propõe uma espécie de “rachadinha” para dividir o salário que seria pago aos dois familiares com a sogra. A transcrição é parte de uma investigação iniciada em 2015, que apura supostos esquemas de corrupção e troca de favores envolvendo juízes do TJ-MG.

Os diálogos do desembargador são de setembro a dezembro de 2015, quando Victor teria tentado negociar cargos com políticos e agentes do estado. A investigação segue em sigilo no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Cargos

Na proposta, seu filho, o advogado Guilherme Souza Victor de Carvalho, seria nomeado para um cargo comissionado na Câmara Municipal de Belo Horizonte. O cargo antes era ocupado por sua esposa, mãe de Guilherme, Andreza Campos Victor de Carvalho, que também é advogada. Ela, então, iria para a Assembleia Legislativa de MG.

Ele, assim, aumentaria os rendimentos familiares, abrindo espaço para troca de favores no tribunal do qual faz parte. O filho foi nomeado com salário de R$ 9,3 mil e era dispensado de bater ponto, apesar de ter que trabalhar 8 horas por dia. Na assembleia, Andreza recebia R$ 8 mil em um contrato com carga horária de 6 horas, mas também não comparecia.

Advocacia

Também há registros de conversas em que o desembargador pede ao advogado Vinicio Khalid Antonio, que atua no tribunal que indique causas para seu filho.

Em nota à Folha de S. Paulo, o TJ-MG afirma que não houve pedidos de repasses de casos a Guilherme, como registrado nas conversas, e diz que ocupação de cargos pelo filho e esposa de Alexandre foram lícitas, sem negociações. Eles ainda acrescentam que ambos cumpriram os horários regularmente.

Os demais envolvidos, suspeitos de terem negociados os cargos e aceitado indicações, afirmam que nunca o fizeram.

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ziro

Não vai demorar muito, a sociedade brasileira vai resolver essa situação vergonhosa através das privatizações no judiciário.