Deputados se articulam para pressionar Bolsonaro a assinar o ingresso de Goiás no RRF

Reunião será realizada pela bancada federal nesta segunda-feira às 15h; parlamentares acreditam que o presidente vá e deva assinar o documento

Será realizada na tarde desta segunda-feira, 20, reunião da bancada federal goiana, em prol do diálogo sobre a entrada de Goiás no Regime de Recuperação Fiscal (RRF). A expectativa de José Nelto (PODE) e Zacharias Calil (DEM), é que ao fim do encontro a coordenadora da bancada, Flávia Morais (PDT), reforce a demanda da homologação do presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com Calil, a reunião é fruto da solicitação de apoio do governador Ronaldo Caiado (DEM) para que Jair Bolsonaro homologue a entrada de Goiás ao RRF. “Ele está pedindo que entremos em contato [com Bolsonaro] e reforcemos essa situação”, disse.

Isso, porque após o ministro da Economia, Paulo Guedes, assinar o Plano RRF goiano, na última quarta-feira, 14, e até ligar para o governador, Ronaldo Caiado (DEM), para avisá-lo, Bolsonaro afirmou em sua “live de toda quinta-feira”, que iria “esperar um pouco mais” para “tomar conhecimento do assunto e então dar prosseguimento a esse pedido do governador de Goiás”.

A fala de Bolsonaro chegou a ser defendida pelo possível candidato bolsonarista em Goiás, o deputado major Vitor Hugo (PSL), que criticou Ronaldo Caiado e cobrou que o governador “mostrasse” o que propõe o RRF. Para o deputado federal Zacharias Calil, no entanto, o ato de Bolsonaro não passou de uma ação política com relação a Bolsonaro, uma vez que caso Goiás não consiga renegociar suas dívidas, não será capaz de honrar suas responsabilidades fiscais e poderá até mesmo perder investimentos em pontos estratégicos.

“Já se passou por todas as etapas e só falta ele [Jair Bolsonaro] homologar, então não vejo razão para ele ficar segurando isso. É preciso se pensar no estado como um todo, na população. Se os técnicos e o ministro da Economia validaram, ele tem que assinar, não é sentar em cima do processo e esperar algo”, avaliou ao Jornal Opção.

Calil, inclusive, não vê a declaração do deputado major Vitor Hugo “com muita propriedade, porque talvez ele não conheça o real teor do que já foi, segundo o governador, totalmente esclarecido”. Já José Nelto também fez questão de ressaltar a importância da assinatura do Plano RRF, mas afirmou acreditar que essa é uma questão a ser ponderada e negociada de ambos os lados.

“Espero que tenhamos o apoio dos 20 parlamentares para resolver essa situação. O que tiver que ser feito, como ajustes, tanto por parte do governo estadual quanto federal, terá que ser feito. O importante é que o presidente da República assine o quanto antes o RRF para Goiás. Ambas as partes terão que cumprir o que manda a lei e estou tentando trabalhar nesse assunto”, declarou o parlamentar.

Por outro lado, também procurado pelo Jornal Opção, o senador Luiz do Carmo (MDB) defendeu o presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que “a única coisa que o presidente está pedindo é que o governador Ronaldo Caiado seja claro e transparente com a população de Goiás sobre as consequências de aderir ao Regime de Recuperação Fiscal”. Ainda que ele acredite que Bolsonaro vá e deva assinar o RRF, ele afirma entender a “prudência” de Bolsonaro.

“Entendo ser prudente que o presidente exija que Caiado explique de forma transparente pra toda a população o que significará assinar o plano na prática. Não é justo com o presidente, pois é uma opção do próprio governador aderir ou não ao plano. Uma vez que for confirmada, uma série de exigências deverão ser cumpridas, como por exemplo: não conceder aumento para o funcionalismo público, não realizar novos concursos públicos, entre outros”, pontuou o senador.

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