Deputados federais goianos são contra a “bolsa-cônjuge”

A menos de 200 km de casa, parlamentares de Goiás criticam benefício aprovado pela Mesa Diretora da Câmara e se dizem contrários à benesse. Veja opiniões

Além de custear os diversos benefícios concedidos aos deputados federais, a população brasileira poderá pagar a partir de abril um auxílio aos cônjuges dos parlamentares. No último dia 25 de fevereiro, a Mesa Diretora da Câmara Federal, constituída por 11 deputados, dentre os 513 eleitos, autorizou cônjuges a utilizarem a cota de passagens aéreas dos parlamentares.

A ação gerou tamanha polêmica que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sinalizou nesta segunda-feira (2/3), como apurado pela Folha de S. Paulo, que poderá recuar na medida. A bancada do PSDB e do PT na Casa já anunciou ser contrária à medida. Além da liberação do uso por parte de esposos e esposas de deputados, o presidente Eduardo Cunha (que levou a reivindicação feita de esposas de deputados no ano passado) também elevou o reajuste dos benefícios, além da verba de gabinete e auxílio-moradia.

Atualizadas as verbas de gabinete, gastos com atividade parlamentar (telefone, passagem, consultoria, entre outros) e auxílio-moradia aos deputados que não possuem apartamento funcional da Câmara, o impacto do reajuste total é de R$150,3 milhões por ano. Como o reajuste será a partir de abril, este ano o impacto será de cerca de R$ 110 milhões.

A verba de gabinete, utilizada para pagar funcionários, sofreu reajuste de 18,01%, e passará de R$ 78 mil para R$ 92 mil por mês. Cada parlamentar pode contratar até 25 pessoas. O impacto anual do reajuste será de R$ 129 milhões.

Já a cota parlamentar, referente a passagens aéreas, telefonia, correios, aluguel de escritórios de apoio à atividade parlamentar, combustíveis e entre outros gastos, será reajustada em 8,72%, referente ao IPCA acumulado desde o ano passado. O valor varia de R$ 41 mil (Roraima) e R$ 27 mil (Distrito Federal). Em Goiás, o valor recebido pelos parlamentares é de R$ 32 mil.

Além desses benefícios, o auxílio-moradia também sofreu reajuste, e passou de R$ 3.800 para R$ 4.200. Esse valor é disponível aos parlamentares que não conseguiram um dos 336 apartamentos da Câmara Federal.

Os seis deputados goianos do PSDB, Giuseppe Vecci, Alexandre Baldy, Delegado Waldir, Célio Silveira, João Campos e Fábio Sousa, já se posicionaram contra a “bolsa-cônjuge”, seguindo decisão da legenda. Vecci e Waldir se pronunciaram contra a medida pelo perfil do Facebook.

O Jornal Opção Online tentou contato com os tucanos, além de Magda Mofatto (PR), Jovair Arantes (PTB), Marcos Abrão (PPS), Heuler Cruvinel (PSD) e Sandes Júnior (PP), mas as ligações não foram atendidas. A assessoria de Daniel Vilela (PMDB) disse que o político entraria em contato com o jornal, assim como Jovair Arantes, que estava em reunião e disse que ligaria em seguida.

Veja o que pensa alguns dos deputados goianos quanto à autorização do uso das cotas pelos cônjuges e da elevação dos benefícios:

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Deputado federal Roberto Balestra / Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Roberto Balestra: o deputado disse que, assim como Rubens Otoni e Jovair Arantes, ele não usa o cotão para pagar passagens aéreas. De acordo com ele, entretanto, a polêmica está sendo gerada por falta de explicação. “Esse recurso não aumenta dinheiro para cônjuge, mas só autoriza que usufruam desse dinheiro”

Conforme parlamentar, a medida deve ser analisada na perspectiva de quem está distante da capital federal. “Não beneficia só os goianos, mas quem vive em Roraima”, sustentou. Balestra garante à reportagem que não utiliza o benefício e que vai de carro a Brasília.

Na foto Flávia Moraes Crédito: Ana Paula Abrão

Deputada federal Flávia Morais / Foto: reprodução/ Facebook

Flávia Morais: a parlamentar também garantiu à reportagem que não utiliza do cotão para ir a Brasília. Assim como Balestra, Flávia comenta a situação de deputados de Estados mais distantes. “Não sei mensurar a necessidade de parlamentares que moram longe daqui usarem”, afirmou, pontuando achar incorreto o uso do benefício por parte de cônjuges.

Na foto Pedro Chaves Crédito: Renan Accioly

Deputado federal Pedro Chaves / Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Pedro Chaves: o peemedebista sustenta ser contra a medida de utilização da verba por parte dos cônjuges. Assim como os outros, o deputado ainda explicou que por morar próximo a capital federal, vai de carro. Pedro Chaves, entretanto, vê como válida a utilização da verba por parlamentares de outros Estados. “É a única maneira de chegar rápido a Brasília. Para eles se faz necessário o uso de avião.”

Na foto Rubens Otoni Crédito: Fernando Leite

Deputado federal Rubens Otoni / / Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Rubens Otoni: seguindo a decisão da bancada petista, o deputado chamou a medida de “desnecessária”. “o meu entendimento, e fragiliza o parlamento diante da sociedade.” Quanto à utilização da cota para passagens aéreas por parte de deputados goianos, o petista sustenta que, para ele, o benefício não faz diferença, mas que respeita a realidade de cada um.

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Deputado federal Lucas Vergílio / Foto: reprodução

Lucas Vergílio: Por mais que não seja casado, o filho de Armando Vergílio se posiciona contra a utilização da cota dos deputados por esposos ou esposas. Além disse, o peemedebista sustenta ser contrário ao aumento de todos os benefícios.

O parlamentar garante ainda ser contra a utilização da cota de passagens por deputados goianos, devido à proximidade da capital goiana com Brasília. “Desnecessário. A maioria dos deputados vai de carro.”

Já por parte de deputados de outros Estados, o peemedebista chama de “justa” a utilização da verba. “É para ajudar no exercício do mandato”, pontuou.

Novo na casa, ele não sabe mensurar ao certo os gastos, mas diz acreditar que o oferecido é suficiente para cuidar do gabinete, escritório em Goiânia, e os outros gastos. “Não acho que precisava ser reajustado”, pontuou.

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