Deputados goianos rebatem denúncia apresentada em reportagem do Fantástico sobre uso de combustível

Parlamentares foram acusados de pedirem reembolso por valores exorbitantes em abastecimentos únicos, em postos de gasolina do Estado de Goiás

Da esquerda para a direita, os deputados Professor Alcides (Progressistas) e Francisco Jr. (PSD). | Foto: Câmara dos Deputados

Em resposta a reportagem veiculada pelo Fantástico, programa da TV Globo, que foi ao ar no último domingo, 18, os deputados federais Francisco Júnior (PSD) e Professor Alcides (Progressistas) e o Posto Itália, de Goiânia, se manifestam através de nota e rebatem denúncia apresentada. A matéria em questão fala sobre a apresentação de notas fiscais ‘fora da realidade’ que foram apresentadas por deputados federais, com o objetivo de justificar despesas e conseguir reembolso por parte do Governo Federal.

Segundo os jornalistas, as prestações de contas chamaram a atenção de voluntários especializados em fiscalizar gastos de parlamentares. Para contextualizar, é mencionado o Cotão, benefício mensal instituído pelo Ato da Mesa 43/2009, que é utilizado pelos parlamentares para o exercício de suas atividades. “O dinheiro é público e pode ser utilizado na contratação de consultorias, serviços de telefonia, segurança, hospedagem, pagamentos de passagens aéreas, pedágios, pagamento de táxis, aluguéis de carros, aluguel de barcos, que ficariam à deriva com os tanques vazios e também para comprar combustíveis”, foi dito.

Francisco Júnior

Após a veiculação da reportagem, o deputado federal Francisco Júnior (PSD) publicou um vídeo em suas redes sociais, onde rebateu as informações apresentadas no programa jornalístico. Na ocasião, o parlamentar apresentou documentos que dizem que, diferente do que a matéria o programa da TV Globo diz, Francisco não realizou o abastecimento de 615 litros de combustível em uma única ida ao posto, mas em 14 idas distintas.

“A verdade é que o posto de combustível cometeu um erro e reuniu todos os abastecimentos que fizemos no período de 15 dias em uma única nota fiscal. Neste caso específico foram 14 abastecimentos, e temos como comprovar cada um deles, com as requisições de cada abastecimento que foi feito”, afirmou o parlamentar.

O Posto Itália, que foi o mencionado pela matéria como local onde o deputado teria abastecido, se posicionou a favor de Francisco Jr., e ‘atestou a integridade’ do parlamentar. Em nota de esclarecimento, mencionou que o deputado federal abastece no estabelecimento desde 2019 e que, mediante solicitação, são emitidos documentos fiscais quinzenais que contém a somatória dos abastecimentos efetuados pelo parlamentar durante esse período.

O que ocorreu, entretanto, de acordo com a justificativa apresentada pelo Posto Itália, é que a colaboradora emitente que trabalhou na data da emissão dos cupons fiscais emitiu dois documentos que continham o valor total, ao invés de 14, com o valor separado de cada abastecimento. “Sobre a NF-e nº5080 DE 31/01/2020, motivo da dúvida levantada, o mesmo efetuou no período 14 abastecimentos, perfazendo o total de R$2.639,86, valor este aplicado corretamente na DANFE em questão. Portanto, quanto aos valores abastecidos, os documentos legais que comprovam todas as transações atestam a idoneidade e a integridade do deputado”, esclarece.

Na publicação, o deputado reforça que os documentos estão à disposição para a realização de todos os esclarecimentos necessários e que as suas prestações de contas do exercício da atividade parlamentar cumprem com todas as exigências feitas pela Câmara dos Deputados. “O que me deixa muito incomodado foi o fato de não terem me pedido esses documentos, que comprovam que foram vários abastecimentos e não apenas um. A minha prestação de contas obedece a todos os critérios e exigências que são feitas pelo órgão da Câmara dos Deputados que autoriza. E a Câmara somente indeniza o gasto se ela entender que a prestação de contas está correta”, diz Francisco Júnior.

Professor Alcides

Acusado de realizar 211 abastecimentos em apenas um dia, que teriam totalizado um montante de R$6 mil reais, o deputado Professor Alcides (Progressistas), afirmou que o que foi apresentado pelo conteúdo jornalístico tem base em um erro administrativo realizado por parte do posto de combustível.

Segundo ele, “seus gastos são transparentes e os R$ 6 mil relatados em 17 vezes mensais não somam nem de perto o que é gasto por mês com combustível pelo deputado atendendo às suas bases”.

O parlamentar ainda justificou que intensificou seu trabalho social e distribuiu diversas cestas básicas, compradas com dinheiro próprio, em cidades e acampamentos do estado de Goiás, e afirmou: “não dá para discutir se o combustível foi gasto para distribuição de cestas básicas para quem estava passando fome”. “Como deputado não posso me omitir à crise sanitária e econômica e às necessidades das pessoas, por isso ajudo a quem posso e não gasto o dinheiro do povo em vão. Sou deputado para quê?”, indagou.

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