Deputados goianos avaliam que as declarações de Teich e Mandetta “são graves” em relação a atuação de Bolsonaro

A Comissão Parlamentar de Inquérito já ouviu os depoimentos dos ex-ministros, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Eduardo Pazuello vai depor no próximo dia 19

Os ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, prestaram depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, na terça, 04, e quarta-feira, 05, respectivamente. Teich seria ouvido na terça, após Mandetta, que falou por mais de sete horas, mas o depoimento foi remarcado. Durante a sessão, os parlamentares também adiaram, para o próximo dia 19, o comparecimento de Eduardo Pazuello, marcado para esta quarta.

Aos senadores, Mandetta defendeu a ciência e a vacina para combater a Covid-19 e afirmou que o comportamento de Bolsonaro “impactou” o agravamento da pandemia. Teich, que comandou o Ministério da Saúde por menos de um mês, deixou o cargo após divergências com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre políticas a serem adotadas contra o coronavírus.

O deputado federal Elias Vaz (PSB) avalia os depoimentos dois ex-ministros da saúde como contundentes. Para ele, as declarações com relação ao comportamento do presidente Jair Bolsonaro são extremamente graves. “A expectativa é de que a CPI está no rumo certo para ter os elementos que comprovatórios, tanto da posição negacionista do presidente Bolsonaro, como também dos atrasos claros que nós tivemos na compra de vacinas”.

Elias Vaz é categórico ao afirmar que não há dúvidas de que o atraso para comprar os imunizantes contra a Covid permitiu o avanço da pandemia e provocou o aumento no número de mortes pela doença, “por isso que a gente classifica o presidente Bolsonaro como genocida. A CPI deve trazer a verdade à tona e mostrar para a sociedade com provas os crimes cometidos pelo presidente”.

Delegado Waldir Soares, deputado federal pelo PSL, diz que os depoimentos foram técnicos e que Mandetta e Teich deixaram claro os seus posicionamentos em defesa da ciência. “Penso que foram depoimentos com excelentes resultados e informações para a CPI”.

Segundo o delegado Waldir, os ex-ministros não trouxeram novidades. “O afastamento do Teich a gente sabia que era em a razão da discordância com a opinião do presidente da República que defende a cloroquina e em relação ao Mandetta também foi muito técnica”. Mas destaca que “chamou a atenção” a tentativa do presidente Jair Bolsonaro “tentar mudar a bula da cloroquina que é um fato grave”.

Ainda na opinião do deputado do PSL, o resultado da pandemia tende a ser mais político do que técnico. “Acredito que a CPI irá produzir efeitos políticos para as eleições de 2022, majoritária presidencial ou nos estados que forem apontados casos de corrupção com dinheiro dos recursos federais. E poderão ter repercussão nas eleições de governadores e da presidência da República”.

Para o deputado Rubens Otoni (PT), os depoimentos comprovam os crimes de responsabilidade do presidente Bolsonaro. “Tentar manipular o Ministério da Saúde, forçar o uso de Cloroquina sem nenhuma comprovação e tentar mudar a bula do medicamento na Anvisa são ações muito graves”.

De acordo com Otoni, o mais importante da CPI é pressionar o governo a ter ação efetiva de combate à pandemia para salvar vidas. “Neste sentido já tem sido positivo obrigando por exemplo a correr atrás de vacina.”

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