Deputados goianos não têm consenso sobre o valor do auxílio emergencial

A PEC Emergencial deve ser votada diretamente no plenário da Câmara dos Deputados, sem passar por comissões. A previsão é de que a votação ocorra na próxima quarta-feira, 10

Prevista para ser votada na próxima quarta-feira, 10, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 186/2019, a chamada PEC Emergencial, na Câmara dos Deputados. A matéria, aprovada pelo Senado, prevê o retorno do Auxílio Emergencial, proposto pelo Governo Federal, contemplando os valores entre R$ 175 e R$ 375, dependendo da composição das famílias beneficiadas.

Para o deputado José Nelto (Podemos), o auxílio é fundamental nesse momento para a economia do país avançar, mas é necessário aumentar o recurso destinado a cada família, visto que os itens essenciais da cesta básica tiveram um acréscimo nos últimos meses. “Esses valores são irrisórios. O que o governo está oferecendo é esmola. E o povo não pode viver de esmola. Vamos trabalhar para fixar o valor em R$ 400,00. Isso é o mínimo para o Brasil não viver nos próximos meses uma crise muito maior”.

A PEC deve ser votada diretamente no plenário, sem passar por comissões. A expectativa é aprovar a admissibilidade do texto na terça-feira, 09, e, no dia seguinte, a votação em plenário em dois turnos. O texto cria ainda mecanismos de ajuste fiscal, caso as operações de crédito da União excedam as despesas. Entre as medidas, estão barreiras para que a União, os estados e os municípios criem despesas obrigatórias ou benefícios tributários.

De acordo com o deputado Rubens Otoni (PT), a PEC 186 vem para fazer ajuste fiscal e atender a interesses do sistema financeiro. “O ajuste fiscal é um absurdo no momento em que se deve fazer exatamente o contrário. Precisamos de investimento público para superar a pandemia. Nesta PEC não se discute valor do auxílio, por isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) vai tentar apresentar uma emenda para discutir valor. Defendemos R$ 600,00”.

Já segundo o deputado Glaustin da Fokus (PSC), o governo federal não teria orçamento para fixar o auxílio em R$ 600,00, para isso seria necessário aumentar os impostos. “O que está sendo proposto agora é um recurso inferior ao ano passado de R$ 44 bilhões. Vamos buscar um consenso para que seja no mínimo R$ 300,00, maior um pouco  porque nós estamos limitados e a cada dia que passa o nosso cenário econômico está cada dia pior. Mas eu acredito que o governo federal vai ter o bom senso de ajudar as pessoas que estão precisando”.

O deputado Elias Vaz (PSB) defende que benefício de R$ 600,00 seja o mínimo. Ele também deve apresentar uma emenda em plenário. “Não podemos aceitar prejudicar os trabalhadores. Eles estão querendo o ajuste fiscal para retirar da folha de pagamento dos servidores públicos esse valor do auxílio. E quem tem que pagar a conta é quem ganha muito. São os bancos, a elite econômica brasileira. Nós não concordamos que quem pague essa conta seja o trabalhador”.

Nessa perspectiva, o deputado delegado Waldir Soares (PSL) afirma que uma frente de articulação está trabalhando para manter o valor de R$ 600,00. “Pessoalmente eu vou defender que se pague o benefício também para os aposentados, que durante a pandemia não tiveram nenhum auxílio, além do adiantamento do 13º salário. São pessoas que estão em casa e convivendo com o grande aumento das despesas”.

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