Deputados goianos avaliam aproximação de Bolsonaro com Congresso

Para parlamentares, mudança de tom de presidente em relação ao parlamento pode ser positiva

Por Mirelle Irene e Eduardo Pinheiro

Jair Bolsonaro | (Campo Alegre de Lourdes – BA, 30/07/2020) Foto: Alan Santos /PR

A aproximação dos últimos meses do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com partidos do chamado Centrão, na tentativa de reforçar uma base no Congresso Nacional,é avaliada com certo distanciamento por deputados goianos. Eles avaliam que o movimento é uma resposta ao momento conturbado, mas que pode render frutos.

O deputado federal Francisco Jr (PSD) considera que o presidente errou ao demorar uma aproximação com o Congresso, já que houve demora da população em entender que a renovação das eleições de 2018, que elegeu Bolsonaro, também elegeu um novo Congresso, com mais de 50% de renovação. Cujos parlamentares também são reformistas.

Segundo Francisco Jr, o Congresso atual foi sistematicamente julgado nas redes sociais, imprensa e pelo próprio presidente por “vícios” da parlamento anterior. “Fala-se em Centrão até hoje. Centrão não existe esse ano. É algo do passado, no qual o próprio presidente era membro. Então, o Congresso de hoje foi desde o começo do ano julgado, avaliado e medido pela régua do anterior”, reforça.

O parlamentar salienta que o Congresso atual foi eleito em um processo de mudança da sociedade brasileira. Um dos indícios disso é a aprovação da Reforma da Previdência, demanda antiga do país. Também aprovou o marco do saneamento, durante período da pandemia. Além disso, discute reforma tributária e administrativa, lei de licitação, entre outros.

“O Brasil está passando por uma profunda mudança na sua legislação. O presidente parece que acordou para isso agora. Ele não faz nada sem o Congresso e não é [aquele] mesmo [do passado]. Houve um palanque muito forte de que todo mundo é bandido. Tem muitos deputados e senadores interessados em fazer o Brasil mudar”, acredita.

Equívoco

O deputado delegado Waldir (PSL), que já foi um dos nomes fortes do bolsonarismo no Congresso, também avalia que Bolsonaro se equivocou. A princípio, o presidente tentou manter a base somente em cima do PSL e das bancadas temáticas, evangélica, agronegócio e de segurança pública. E com isso conquistou vitórias como a reforma da liberdade econômica e da previdência.

No entanto, o confronto da ala de extrema-direita com o Supremo Tribunal Federal (STF) e consequente prisão e busca e apreensão de alguns membros mais radicais do bolsonarismo. O presidente se viu obrigado a mudar. Waldir também cita a prisão de Fabrício Queiroz como um momento chave para a mudança de tom do presidente.

“Com a possibilidade de uma delação premiada e a investigação na esposa dele [Michele Bolsonaro] e dois filhos dele [Flávio e Carlos Bolsonaro], ele ficou muito assustado. Mudou, assim, a atitude nos últimos dois meses. A aproximação com o Centrão é para garantir o impeachment e garantir a governabilidade”, diz.

Waldir salienta que o governo não tem maioria, pois o DEM, o MDB e o PSL (os dois primeiros recentemente “desembarcaram do Centrão) são independentes. A fidelidade nas votações, para o parlamentar, vem sobretudo do PTB, PL e o PP, além de outros partidos pequenos. “Tem maioria apenas salvar seu mandato”, aponta.

Comedimento

De acordo com Glaustin da Fokus (PSC), o presidente sabe bem onde quer chegar quando se alia ao chamado Centrão. Na avaliação dele, Bolsonaro trabalha essa aproximação com “seriedade e postura”, com o uma certo comedimento no uso das palavras.

Glaustin observa que Bolsonaro busca, no momento, o uso do diálogo para construir uma base mais robusta para que o governo tenha mais tranquilidade no Congresso.

“O falatório acabava o prejudicando. Está mais aberto ao diálogo, não para negociar, mas para construir um Brasil melhor. [O PSC] está à disposição para ajudar a construir o Brasil. Entendemos num primeiro momento [que o governo] estava perdido, mas não somos partido de colocar a faca no pescoço”, afirma o parlamentar.

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