Deputados aprovam em primeira votação “militarização” de colégios estaduais

Oposição questionou emenda referente ao corte de uma data para promoção dos praças da Polícia Militar que foi incluída no projeto

Foto: Marcos Kennedy

Foto: Marcos Kennedy

Marcelo Gouveia e Sarah Teófilo

A Assembleia Legislativa aprovou, nesta terça-feira (30/6), o projeto de lei do governo estadual que transforma oito escolas públicas estaduais em colégios militares. Conforme a matéria apresentada, o objetivo é ampliar o padrão de qualidade nas unidades de ensino, sediadas nos municípios de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo.

Ainda foram acatadas pelo líder de governo, José Vitti (PSDB), emendas que acrescentam novas unidades em Porangatu, Uruaçu e na região Leste de Goiânia. O projeto deve ser aprovado em segunda votação ainda nesta semana.

O projeto estabelece o prazo de 30 dias para que a Secretaria de Educação, Cultura e Esporte e o Comando Geral da Policia Militar adotem todas as medidas administrativas para que os Colégios Militares passem a funcionar em sua plenitude.

José Vitti frisou que será implantada a disciplina militar nas escolas, mas que o ensino, tampouco os professores, não serão alterados em nada. “Não é uma militarização das escolas, mas sim a inclusão da disciplina militar nos colégios”, disse.

O tucano ainda explicou que os militares são reservistas e, por isso, não será tirado militar das ruas para irem às escolas, como argumentado por deputados de oposição, como Luis Cesar Bueno (PT).

O deputado de oposição Major Araújo (PRP) questionou o fato dos uniformes exigidos nas escolas militares serem caros, e que muitas famílias com baixo poder aquisitivo poderiam comprá-las. Segundo parlamentar, muitas crianças terão que se deslocar para bairros vizinhos a fim de continuar seus estudos em colégios convencionais.

Simeyzon Silveira (PSC) — que apoiou o projeto e inclusive pediu a inclusão de uma escola da Região Leste da capital, por meio de emenda —  disse que este seria um ônus a ser debatido posteriormente. O deputado defende a implantação de algumas instituições com este tipo de disciplina, até porque, segundo político, é um constante pedido da população. “O que não defendo é a total implantação do sistema. A família deve ter o direito de escolher”, disse.

Confira a lista com os oito colégios previstos no projeto que serão militarizados, caso a proposta seja aprovada em definitivo:

  • Colégio Estadual Miriam Benchimol (Goiânia)
  • Colégio Estadual Waldemar Mundim (Goiânia)
  • Colégio Estadual Jardim Guanabara (Goiânia)
  • Colégio Estadual Colina Azul (Aparecida de Goiânia)
  • Colégio Estadual Mansões Paraíso (Aparecida de Goiânia)
  • Colégio Estadual Madre Germana (Aparecida de Goiânia)
  • Colégio Estadual Barbosa Reis (Aparecida de Goiânia)
  • Colégio Estadual Pedro Xavier (Senador Canedo)
Emenda sobre promoção de policiais

As galerias da Casa estavam cheias de militares questionando uma emenda que foi incluída pela base governista, na última segunda-feira (29), no projeto dos colégios militares. O texto, que foi aprovado e incluído na matéria original, versa sobre as promoções dos praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

O documento estabelece que grupo terá direito a promoção somente uma vez ao ano. Ação já foi feita no que se refere aos oficiais das corporações citadas, em projeto que foi amplamente debatido e em seguida aprovado ainda este ano. “Essa emenda de promoção de praças é um absurdo. Retira uma data de promoções. Antes era para os oficiais, agora é para os praças também”, disse o deputado Major Araújo (PRP).

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