Deputado propõe união entre PMDB e PSDB em Goiás

Henrique Arantes (PTB) convidou as bancadas dos partidos adversários na Assembleia a se unirem pelo fortalecimento do Estado no momento de união nacional

Deputados dos dois partidos negam que isso seja possível no cenário político goiano | Foto: Marcos Kennedy e Y. Maeda

Deputados dos dois partidos negam que isso seja possível no cenário político goiano | Foto: Marcos Kennedy e Y. Maeda

Com a união na esfera federal entre PMDB e PSDB a partir do afastamento da presidente da República Dilma Rousseff (PT) e a interinidade do vice-presidente Michel Temer (PMDB) na presidência, o deputado estadual Henrique Arantes (PTB) sugeriu às bancadas dos dois partidos na Assembleia Legislativa que adotem a mesma postura em Goiás de olho no fortalecimento do Estado.

Segundo Henrique Arantes, essa é uma postura de responsabilidade com a coalizão nacional que busca a governabilidade e dar novos rumos ao País com Michel Temer no comando. O petebista disse entender que a união deve ser incentivada para garantir que o Brasil saia da crise econômica e política “deixada por Dilma” e que “também atingiu os Estados”.

Mas não é bem assim que as duas bancadas na Assembleia analisam o caso. Tanto o líder do PMDB, deputado José Nelto, quanto o líder do governo, José Vitti (PSDB), negaram a possibilidade dessa união acontecer no âmbito estadual.

Os dois disseram que respeitam a sugestão de Henrique Arantes, mas lembraram que o fato de o PSDB ser governo e o PMDB se posicionar com críticas a gestão de Marconi Perillo (PSDB) como oposição no Legislativo impossibilitam imaginar esse cenário proposto pelo petebista.

Para José Nelto, partidos como PSDB, DEM e PPS, que apoiaram a abertura do processo de impeachment e o afastamento de Dilma, “têm o dever de fazer parte de um governo de recuperação e salvação nacional”.

“Eu respeito o deputado Henrique Arantes, mas aqui em Goiás nós vamos pôr um fim ao governo Marconi Perillo, e isso vai acontecer nas urnas. Um governo velho e arcaico, envolto em corrupção e que usa da compra de políticos para governar.”

José Vitti também afirmou que não vê essa possibilidade, “não por agora”, de uma união estadual entre PMDB e PSDB. “Acho difícil a nível de Estado, mesmo com a união no governo federal. Em Goiás é uma oposição histórica, mas pode ser que com o tempo a coisa pode ser atenuada”, declarou o tucano.

De acordo com o líder do governo na Assembleia, unir Marconi e Iris Rezende (PMDB) “é como água e óleo”. As “questões paroquiais (estaduais)” são difíceis de serem superadas, considerou Vitti. Ele disse que vê com bons olhos a proposta de Henrique Arantes, mas “é preciso respeito a essa oposição histórica”.

José Vitti lembrou o “bom trabalho” e “penetração” que o deputado federal Jovair Arantes (PTB), pai de Henrique Arantes, tem ao atuar em conjunto tanto em Goiás como no Congresso com políticos do PSDB e do PMDB.

Já a questão nacional é algo bem resolvido para Vitti. “O PSDB vai dar governabilidade ao Temer porque participou do processo de impeachment e não pode se dar ao direito de se omitir nesse momento. Mas se nada andar nos próximos três, quatro meses, o PSDB vai questionar os atos praticados pelo governo Temer.”

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