Deputado busca criar CPI que investiga gestão da Santa Casa de Goiânia

Gustavo Sebba (PSDB) garantiu que a CPI será aberta; até o momento foram coletadas dez assinaturas; ao todo, são necessárias 14

Durante o pequeno expediente da sessão ordinária desta terça-feira, 23, o deputado e presidente do Conselho de Ética e da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Gustavo Sebba (PSDB), anunciou que busca criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suposta irregularidades cometidas na gestão da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. Segundo ele, a expectativa é que este seja a primeira CPI criada em 2022.

Durante a sessão, o deputado justificou a medida ao pontuar se dever da Alego fiscalizar o uso do dinheiro público e que a Santa Casa de Goiânia passa, na perspectiva dele, por uma gestão bagunçada e dispendiosa. Ao Jornal Opção, ele explicou que começou a coletar as assinaturas para a criação da CPI em outubro, e até o momento, conta com dez assinaturas. Para instalar a comissão, são necessárias pelo menos 14, segundo o regimento interno da Casa.

O que motivou o processo de instalação da comissão foi a grande quantidade de denúncias recebidas pelo parlamentar – que foram feitas tanto por pacientes quanto por profissionais e prestadores de serviço. Segundo ele, as denúncias são graves e precisam ser apuradas com “rigor”.

“As principais queixas são todas relacionadas a má gestão. Para se ter uma ideia, os repasses do estado para a Santa Casa foram suspensos por mais de seis meses por falhas na prestação de contas. A falha foi exclusivamente da entidade, o estado estava pronto para fazer os repasses. Isso afetou toda a qualidade do serviço prestado. Há casos de pacientes que precisaram ser amputados por negligência na manutenção de equipamentos, por exemplo. Há denúncias até de superfaturamento. Considerando que a entidade recebe R$ 2 milhões por mês somente do governo estadual, é fundamental que a gente investigue essas suspeitas.”, pontuou.

Além da instalação da CPI, que Sebba garante que será realizada, ele afirma ter levado as denúncias para conhecimento do Ministério Público de Goiás (MP-GO), onde já foi solicitada uma autoria por parte do estado à instituição. “Independentemente da CPI, a Santa Casa precisará se explicar à sociedade goiana”, afirma. De acordo com o deputado, com a instalação da auditoria e a apuração por parte do MP, pode ocorrer, inclusive, “no rompimento do convênio milionário do estado com a entidade, o que afetaria a qualidade do serviço ofertado”.

Na sessão ordinária, o deputado Hélio de Sousa declarou que não dará apoio a abertura da CPI, com a justificativa de que a comissão atrapalharia a recuperação da instituição – que, segundo ele, tem sido bem administrada desde 2017, quando a Dra. Irani Ribeiro se tornou superintendente da entidade. Ele ainda recomendou aos demais parlamentares da Casa que conversassem com médicos da Santa Casa antes de assinarem o pedido de criação da CPI.

Sebba, no entanto, não deixou de reforçar ao Jornal Opção que a instalação da CPI tem como objetivo garantir a qualidade do serviço prestado pela instituição. “A Santa Casa atingiu o status que tem graças a um corpo médico muito qualificado, que está tendo o seu trabalho prejudicado pelas situações que apontei. Reconheço a importância da entidade para a saúde de todo o estado, mas, acima de tudo, reconheço a qualidade dos profissionais de saúde que lá atendem e que precisam de melhores condições para exercer o ofício”, completou.

Procurada pelo Jornal Opção, a Santa Casa de Misericórdia afirma que não tem o que comentar sobre o assunto, uma vez que “o plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás já rejeitou a instalação de uma CPI sobre a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia”, ainda que o deputado tenha ressaltado que a CPI será instaurada no próximo ano.

Confira a nota da Santa Casa de Misericórdia na íntegra:

“O Plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás já rejeitou a instalação de uma CPI sobre a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. Diante deste fato, o hospital não tem o que comentar sobre o assunto. Ressaltamos que temos uma gestão transparente e responsável.”

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