Depois do isolamento, 41% dos brasileiros passaram a sofrer com dores de coluna

Especialista em dor crônica, reabilitação neurológica e vertigens explica o que fazer para evitar o problema em tempos de homeoffice

Um levantamento divulgado recentemente pela Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) mostrou que 41% das pessoas que não sentiam nenhum tipo de dor de coluna passaram a sofrer com o problema a partir da chegada da pandemia que impôs um regime de isolamento social. Além disso, a pesquisa mostrou também que 50% das pessoas que já sofriam com a dor crônica na coluna pioraram.

Outro fator que chamou atenção dos pesquisadores foi que a expressão “dor nas costas” bateu recorde de pesquisas no Google nos últimos meses. Diante dessas constatações, o fisioterapeuta, especialista em dor crônica, reabilitação neurológica e vertigens, Guilherme Neto, explicou ao Jornal Opção os fatores que podem contribuir o avanço desses casos em dias de isolamento.

Segundo Neto, tudo acontece a partir da união de uma série de fatores. “Estamos passando por momentos de readaptação não só dos postos de trabalho, mas também de relacionamentos. Sabemos que milhões de pessoas sofrem de dores crônicas no mundo e a falta de ergonomia para o trabalho, como por exemplo, uma mesa ajustada, atrelada a falta de horário onde muitos passam a trocar o dia para noite tem contribuído com essa problemática”, diz.

Guilherme Neto é especialista em dor crônica, reabilitação neurológica e vertigens / Foto: Reprodução

O fisioterapeuta contou à reportagem que muitos fatores prejudiciais à saúde corporal podem ser resolvidos a partir de pequenos ajustes com, por exemplo, uma boa postura e o ajuste da mobília. “Você pode usar livros para adequar seu monitor ao seu campo de visão, pode fazer alongamentos ao longo do dia, apoiar bem os braços, quadril e pés durante a jornada de trabalho, melhorar a luminosidade dos seus ambientes, fazer pausas e criar disciplina em relação aos horários”, exemplificou.

O importante é entender, segundo ele, que as dores não estão ligadas apenas aos fatores físicos. “Esse é um engano. Sabemos que não só a parte física interfere, mas também fatores ligados a ansiedade e estresse. Tudo está interligado”.

Maior dos vilões

A “dica de ouro” deixada pelo especialista é muito simples de ser resolvida e foi considerada por ele o “maior dos vilões” quando o assunto é coluna em tempos de homeoffice. “A orientação é jamais utilizar o notebook deitado na cama”, resumiu.

Segundo ele, essa atitude pode desencadear sérias dores na lombar e cervical, especialmente se adotada de maneira recorrente e à longo prazo. “Deitada a contração muscular é outra. Sem contar que você precisa se esforçar muito mais para adequar o campo de visão. Além de tudo isso, sabemos que de modo geral o brasileiro não sabe escolher um bom colchão. Isso certamente irá acarretar em inflamações ao longo do tempo.

Por fim, o especialista orientou que as pessoas criem o hábito de fazer alongamentos ao longo da jornada de trabalho. “Existem muitos exercícios simples que podem ser acessados através de vídeos no YouTube. Com pequenos ajustes nos hábitos do cotidiano é possível evitar problemas graves no futuro”, garantiu.

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