Denúncia de fraude foi gota d’água para pedido de impeachment, diz Kajuru

Vereador diz não acreditar na aprovação do afastamento do prefeito Iris Rezende, mas espera mostrar “insatisfação da sociedade” com administração 

Jorge Kajuru (PRP) | Foto: Alberto Maia / Câmara Municipal de Goiânia

O vereador Jorge Kajuru (PRP) protocolou na manhã desta quarta-feira (30/5) denúncia com pedido de impeachment contra o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB). O documento pede também o indiciamento de Fátima Mrué, Secretária Municipal de Saúde, por improbidade administrativa. 

Segundo o autor da denúncia, o documento vem sendo elaborado há um mês e elenca diversas irregulares, principalmente no âmbito da Saúde e Educação. Porém, de acordo com ele, o estopim para a apresentação do requerimento foi a denúncia sobre suposta fraude na folha de pagamento da prefeitura, apresentada ao próprio prefeito na última segunda-feira (28/5), durante prestação de contas na Câmara Municipal.

“Há um mês estamos levantando, documentalmente, todos os problemas graves que levaram a gestão Iris ao caos total. Fomos nos preparando, esperando o momento que tivesse o motivo mais forte para fazer um pedido totalmente embasado”, contou em entrevista ao Jornal Opção.

Após a exposição do caso pelo delegado Eduardo Prado (PV) e a confirmação do próprio prefeito de que já havia recebido a denúncia anteriormente, Kajuru diz que sentiu ser o momento para entrar com o pedido de impedimento.

“Nos últimos 17 meses houve essa fraude, com suposta duplicação de pagamentos, e o prefeito não fez nada. Ficou esperando achar uma solução e a solução que ele encontrou que foi a vinda de uma empresa, vai investigar a partir de agora, mas e o que foi feito anteriormente? Esse foi o último ponto para nós. Faltava aquela gota d’água, a última peça fundamental no tabuleiro de xadrez”, disse.

De acordo com a denúncia, pessoas teriam acesso ao sistema do Paço para alterar dados pessoais, como a data de nascimento, e dobrar o pagamento de décimo terceiro salário e até mesmo de férias.

Para além disso, Kajuru cita em seu requerimento diversos outras irregularidades, como todas apontadas pelo relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde, da qual foi integrante, a perda de recursos federais por falha da Secretaria Municipal de Saúde, o não pagamento da data-base dos servidores e do piso salarial dos professores, além de possíveis irregularidades no Instituto de Previdência dos Servidores Municipais (IPSM), no Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores (Imas) e Comurg.

“O prefeito Iris, além de mal assessorado, está cercado por bandidos. São 38 itens com embasamento documental. Percebemos o sentimento da sociedade, que concluiu que hoje, Goiânia é um barco à deriva, sem comando. O prefeito está completamente perdido e diz que está tudo bem. Tudo bem como, se prefeitura está falida? Se não conseguiu diminuir o déficit?”, argumentou.

Apesar disso, o vereador não acredita que seu pedido será levado adiante. “Elencamos tudo isso sabendo que aqui dentro da Câmara ele [prefeito] não perde. Mas, a partir de agora, ele começará a ter surpresas. O meu pedido foi apenas o primeiro. O Simsed [Sindicato Municipal dos Servidores da Educação de Goiânia] pode apresentar um pedido, a OAB também pode estudar essa possibilidade”, disse.

“Queremos mexer com o brio do Iris, mostrar que a sociedade está insatisfeita e fazer com que tome uma atitude”, concluiu. Para Kajuru, a melhor solução seria a realização de nova  eleição direta para prefeito.

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