Demanda diária por leitos de UTI pode chegar a 2.723 no final de julho, aponta estudo da UFG

Foram abertos 459 leitos exclusivos para pacientes da Covid-19 na rede estadual, sendo 164 leitos de UTIs e 295 leitos de enfermaria. Estão em fase de implantação, mais 154 leitos de UTIs e 500 leitos de enfermaria

A Universidade Federal de Goiás (UFG) divulgou a sétima nota técnica do Grupo de Modelagem da Expansão da Covid-19 em Goiás, com a atualização das projeções até 31 de agosto de 2020. Nesta atualização, foram considerados os dados de isolamento social observados nos municípios goianos até 22 de junho de 2020.

A projeção da demanda diária por leitos de UTI no período entre hoje e o dia 30 de agosto de 2020, já considerando os tempos de hospitalização, é apresentada em três cenários alternativos na figura abaixo.

Sob o cenário azul (melhor cenário) projeta-se para Goiás uma demanda diária por leitos de UTI entre 569 – 959 leitos-dia no final de julho, e entre 404 – 649 leitos-dia no final de agosto.

Sob o cenário verde (intermediário) haveria, em Goiás, uma demanda diária por leitos de UTI entre 947 – 1.467 leitos-dia no final de julho, aumentando para entre 1.729 –2.247 leitos-dia no final de agosto.

Sob o cenário vermelho (pior cenário) projeta-se em Goiás uma demanda diária por leitos de UTI entre 1.556 – 2.723 leitos-dia no final de julho, aumentando para entre 4.055– 4.807 leitos-dia no final de agosto.

Demanda por leitos clínicos

A demanda diária por leitos hospitalares convencionais (clínicos) no período entre hoje e o dia 30 de agosto de 2020, já considerando os tempos de hospitalização, pode ser visualizada na figura abaixo.

No cenário azul, projeta-se uma demanda diária por leitos clínicos em Goiás entre 1.133 – 1.760 leitos-dia no final de julho, e entre 768 – 1.104 no final de agosto.

No cenário verde, espera-se em Goiás uma demanda diária de leitos clínicos entre 2.384 – 3.652 leitos-dia no final de julho, e entre 3.965 – 4.951 no final de agosto.

No cenário vermelho, e demanda diária de leitos clínicos em Goiás seria entre 4.123 – 6.766 leitos-dia no final de julho, e 8.973 – 9.552 no final agosto.

Vale lembrar que as autoridades já afirmaram ser impossível chegar ao número de leitos de UTIs necessários previstos no pior cenário (vermelho) da expansão da Covid-19. Sendo, por isso, necessário adotar medidas para aumentar a taxa de isolamento, ampliar a testagem e realizar o rastreamento de contato.

Tais iniciativas foram anunciadas pelo governo de Goiás após a apresentação deste estudo. No entanto, para que sejam colocadas em prática é preciso ter a adesão dos gestores municipais.

Número de pacientes hospitalizados em leitos de UTI

Sob o cenário azul projeta-se até final de julho um número acumulado entre 2.869 – 4.919 pacientes internados em UTI, que aumentaria para entre 4.372 –7.151 até o final de agosto.

Sob o cenário verde projeta-se até final de julho um número acumulado entre 3.684 – 5.797 pacientes internados em UTI, aumentando para entre 8.687 –12.599 até o final de agosto.

Sob o cenário vermelho projeta-se até final de julho um número acumulado entre 4.749 – 8.806 pacientes internados em UTI, um número que aumentaria para entre 16.404 – 23.577 até o final de agosto.

Número de pacientes hospitalizados em leitos clínicos

Sob o cenário azul projeta-se até final de julho um número acumulado entre 8.806 – 14-723 pacientes que já teriam sido internados em leito hospitalar, aumentando para entre 12.717 – 20.350 até o final de agosto.

Sob o cenário verde, até final de julho um total de 11.922 – 18.460 pacientes já teriam sido internados em leito hospitalar, aumentando para entre 26.759 – 37.884 até o final de agosto.

Sob o cenário vermelho projeta-se que, até final de julho, um número acumulado entre 15.979 – 28.727 pacientes já teriam sido internados em leito hospitalar, um valor que aumenta para entre 51.192 – 71.012 até o final de agosto.

Número de casos e óbitos por Covid-19 e a demanda de leitos hospitalares e de UTI, vão crescer de maneira significativa

O estudo ressalta que diversos locais, que implementaram medidas rígidas de distanciamento quando a epidemia ainda não estava em fase de crescimento, já iniciaram medidas de flexibilização do distanciamento não observando os critérios recomendados para se proceder com esta flexibilização.

Os pesquisadores alertam que isso está ocorrendo exatamente no momento de crescimento quase-exponencial da epidemia e, como demonstrado nas projeções aqui apresentadas o número de casos e óbitos por Covid-19 e a demanda de leitos hospitalares e de UTI, vão crescer de maneira significativa caso nenhuma medida de saúde pública seja implementada.

Por fim, é apontado que considerando os cenários projetados, é observado um pico nas demandas hospitalares e no número de óbitos na segunda quinzena de julho, mas possivelmente bastante variável dependendo das estratégias adotadas por cada município do Estado.

Ampliação dos leitos na rede estadual

De março até agora, o governo estadual já inaugurou cinco hospitais de campanha, localizados em Goiânia, Porangatu, Águas Lindas, Luziânia e Itumbiara. Outras três unidades estão em processo de estadualização.

Foram abertos 459 leitos exclusivos para pacientes da Covid-19, sendo 164 leitos de UTIs e 295 leitos de enfermaria. Estão em fase de implantação, mais 154 leitos de UTIs e 500 leitos de enfermaria. Ou seja, Goiás vai chegar a 1.120 leitos exclusivos para tratamento da Covid-19.

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