Dema, entidade e vereadora denunciam prefeitura de Goiânia por crime ambiental na construção de parque

Segundo Dra. Cristina, o projeto coloca em risco as nascentes que abastecem o córrego Macambira

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Será realizada nesta quarta-feira, 29, às 14 horas, no Parque Sebastião Júlio Aguiar, no setor Parque Oeste Industrial, uma coletiva de imprensa convocada pela vereadora Dra. Cristina (PSDB), a Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Meio Ambiente (Dema) e a Associação para Recuperação e Conservação do Ambiente (Arca).

Eles denunciam crime ambiental, por parte da Prefeitura de Goiânia, na construção do parque dentro de uma Área de Preservação Permanente (APP), local com 29 nascentes que abastecem o córrego Macambira. O espaço, cujo investimento estimado é de R$ 7 milhões, seria o 43º da capital e, pelo projeto da prefeitura, compreenderia uma área de 113 mil m², com uma vereda de buritis, um lago, bicicletário, playground, faixa de caminhada para pedestres, estacionamento e ciclovia no entorno.

A vereadora Dra. Cristina protocolou um documento junto à Dema e ao Ministério Público Estadual pedindo que o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de Goiânia realize o tombamento da área onde o parque está sendo construído. “Nós queremos o parque. E é possível fazê-lo sem comprometer as nascentes. A Arca está elaborando um projeto nesse sentido. Não podemos aceitar mais um crime ambiental em Goiânia”, afirmou.

A parlamentar reiterou que o parque será um benefício para toda a cidade de Goiânia, especialmente para quem mora na região Oeste. Entretanto, a forma como o projeto está apresentado destrói as nascentes.

Alternativas

Ao Jornal Opção, a Dra Cristina disse que existem projetos alternativos que preservam o meio ambiente, a vereda, e que também têm uma área de lazer, uma consistência como parque muito grande. “Nós vamos ao parque para mostrar isso, é esse o nosso ponto de vista, a construção do parque com preservação e respeito ao meio ambiente”, concluiu.

De acordo com o presidente da Arca, Gerson de Souza Arrais Neto, a Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) ignorou laudos técnicos de peritos do Ministério Público de Goiás e da própria agência, adotando um único laudo favorável, emitido por um geólogo contratado por empreendedores interessados na construção do parque.

O ambientalista destaca que a obra poderia piorar a situação hídrica de Goiânia, e denuncia, ainda, que a Prefeitura tem um acordo com uma empresa que pretende construir edifícios de apartamentos na área. Dessa forma, a construção do parque provocaria o aumento do valor dos imóveis.

Sobre o andamento da construção do parque, o líder do governo na Câmara, vereador Oséias Varão (PSB), disse ao Jornal Opção que a Amma está inteirada desses assuntos, os técnicos estão envolvidos nisso, e que a proposta está em consonância com o meio ambiente.

“Vamos trabalhar para que o parque seja implementado da melhor maneira possível, atendendo aos interesses do meio ambiente, esse é o foco da administração, e é isso que vai acontecer”, declarou.

O vereador também se posicionou sobre as denúncias de irregularidades feitas pela Arca e pela Dra Cristina em relação à obra. Segundo ele, o projeto está em consonância com a Lei.

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