Delegado Waldir rebate Governo sobre cortes na Educação: “Nós vimos e ouvimos o presidente suspender”

Líder do PSL afirma que determinação de suspensão dos cortes na Educação foi presenciada por todos os parlamentares presentes na reunião

Foto: Fernando Leite | Jornal Opção

Ton Paulo 
Especial para o Jornal Opção

Um dia após confirmar o recuo do governo nos cortes na Educação e ser refutado pelo próprio Planalto, o líder do PSL (partido do presidente Jair Bolsonaro) na Câmara dos Deputados, deputado Delegado Waldir, parece não estar muito satisfeito com a situação.

Em entrevista, o parlamentar goiano declarou que a deputada Joice Hasselmann, também do PSL, deve um pedido de desculpas ao negar publicamente o recuo e disse que o povo “deve acreditar no presidente”.

Waldir foi um dos 12 líderes partidários que participaram de uma reunião com o presidente da República na última terça-feira, 14, no Palácio do Planalto.

Na reunião, convocada às pressas, estiveram também líderes de partidos como o Pros, PV e Podemos, além do PSL. Segundo o deputado, pertencente à chamada “bancada da bala”, a determinação de suspensão dos cortes na Educação foi presenciada por todos os parlamentares na reunião.

“Não somos surdos! Nós vimos e ouvimos o presidente, na nossa frente, mandar o assessor ligar para o ministro [da Educação] para suspender os cortes! Vimos o presidente suspendendo!”, revela Delegado Waldir.

O anúncio da suspensão chegou a ser feito na Câmara e comemorado por deputados da oposição. Entretanto, o efeito da notícia durou pouco. Pouco tempo depois, a Casa Civil e o Ministério da Educação (MEC) negaram a informação dada pelo pelo líder do PSL, reafirmando que o contingenciamento de gastos nas universidades e institutos federais estava mantido.

A deputada Joice Hasselmann, forte apoiadora do presidente na Câmara, chegou a reproduzir o comunicado ministerial em seu Twitter, chamando de “boato barato” a informação sobre a suspensão dos cortes.

“Atenção! O ministro da Educação @AbrahamWeint – com quem estou agora – garante que o contigenciamento nas Universidades permanece. Informação confirmada pela @casacivilbr e pelo nosso ministro Paulo Guedes. Governo @jairbolsonaro sabe o q faz. O resto é boato barato”, escreveu a parlamentar.

O conflito de ideias deixou os ânimos em polvorosa. Questionado sobre a contradição, o Delegado Waldir rebateu a colega de partido. “A deputada Joice está equivocada, e ela deve um pedido de desculpas tanto a nós parlamentares quanto ao povo brasileiro. Ela não participou da reunião, eu sim!”. 

A reportagem tentou contato com a deputada Joice Hasselmann, mas até o fechamento desta matéria, não obteve retorno.

Protestos contra os cortes na Educação estão marcados para esta quarta-feira em todo o País

O bloqueio orçamentário de 30% por parte do MEC para as instituições federais de Ensino Superior gerou uma forte reação dentro do meio acadêmico e da população em geral. Pelo menos 75 das 102 universidades e institutos federais do País convocaram protestos, e uma greve geral na Educação com atos e manifestações está marcada para esta quarta-feira, 15. 

Em Goiás, estudantes, professores, sindicatos e demais profissionais da área de ensino já estão mobilizados. Na capital Goiânia, o protesto está previsto para ter início às 15h, na Praça Universitária.

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