Delegado defende relatório que indiciou responsáveis do Nexus: “Baseado em provas”

Titular da Delegacia Estadual do Meio Ambiente, Luziano Carvalho disse que nunca cedeu à pressões da imprensa

Delegado Luziano de Carvalho | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Após acusação na última semana do advogado do Nexus Shopping & Business, Felipe Melazzo, de ter indiciado os responsáveis pela obra por “pressão do Jornal Opção”, o delegado-titular da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), Luziano Carvalho, rebateu o comentário e reafirmou a importância do relatório que comprovou falsificação de assinaturas e fraude na aprovação do empreendimento. “Tenho muita firmeza no relatório apresentado, até porque ele é baseado em provas”, disse.

De acordo com o delegado, a delegada-adjunta da Dema e responsável pelo relatório, Lara Menezes, é uma profissional modelo. “Por ela não coloco a mão no fogo, coloco o corpo inteiro”, garantiu.

Segundo Luziano, o chefe do trabalho na delegacia é apenas a lei, fora isso, “nem a imprensa e nem politicagem” indicam caminhos. “Qualquer dúvida deve ser encaminhada para a Corregedoria, não em acusações como essa [feita por Felipe]”, afirmou.

Questionado sobre uma possível ação criminal, o delegado disse que a decisão cabe exclusivamente à Lara. “É uma questão pessoal, de foro íntimo”, desconversou.

Durante  audiência para debater a obra na Câmara Municipal, Felipe disse ainda que a delegada teria pedido “desculpas” pelo indiciamento. “Mentira desse profissional. Ela nunca faria isso”, afirmou o delegado com revolta.

Por fim, Luziano voltou a endossar a importância do relatório. “Trabalhamos com indícios. Temos perícia para isso”, finalizou.

Acordo

No fim de agosto, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a Consciente JFG Incorporações e a Prefeitura de Goiânia.

Mesmo após a comprovada falsificação e fraude na aprovação do gigantesco empreendimento, em construção no entroncamento das Avenidas 85 e D, no Setor Marista, o Ministério Público do Estado de Goiás firmou acordo que garante não só o prosseguimento da obra — que chegou a ser paralisada pela Justiça — como deu prazo de seis meses para a apresentação de um novo Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).

Fraudes

Em julho, perícia grafotécnica da Polícia Científica do Estado de Goiás constatou que houve sim falsificação nas assinaturas contidas no Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) do empreendimento. Segundo o relatório, realizado por peritos e que analisou todas as 278 fichas de entrevistas que teriam sido feitas com moradores da região, há pelo menos 37 comprovadamente assinadas por uma única pessoa.

Com o resultado, a delegada indiciou todos os responsáveis tanto pelo estudo quanto pela obra por elaborar ou apresentar, no licenciamento, concessão florestal ou qualquer outro procedimento administrativo, estudo, laudo ou relatório ambiental total ou parcialmente falso ou enganoso, inclusive por omissão, previso no artigo 69-A da Lei 9.608.

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