Defesa de marido acusado de matar Tatiane Spitzner abandona tribunal e julgamento é cancelado

Luiz Felipe Manvailer é acusado de agredir e assassinar esposa, no dia 22 de julho de 2018

Luiz Felipe Manvailer é acusado de ter assassinado Tatiane Spitzner, em julho de 2018.│Foto: Reprodução Internet

O julgamento de Luis Felipe Manvailer, acusado de matar sua mulher, a advogada Tatiane Spitzner, foi cancelado por volta das 12h50 desta quarta-feira, poucas horas após o início. Segundo o Tribunal de Justiça do Paraná, a defesa do réu abandonou o plenário, levando ao cancelamento do júri. Uma nova data será marcada, mas ainda não foi divulgada.

O julgamento tinha previsão de durar dois dias e os seis jurados que iriam avaliar o caso já tinham sido sorteados. O abandono da sessão ocorreu quando os advogados de Manvailer solicitaram ao juiz a consulta de imagens em um HD externo. Diante do veto, eles se retiraram.

Na saída do fórum, o advogado do réu, Claudio Dalledone Júnior, disse que houve um “cerceamento absurdo da defesa”. “A defesa foi proibida de veicular um material dentro dos autos. Isso é intolerável, o Estado democrático de direito não permite”, argumentou. O advogado também afirmou que os vídeos que iria apresentar são do circuito interno do prédio onde aconteceu o crime, já divulgados anteriormente.

O juiz Adriano Scussiatto Eyng entendeu a atitude como “abandono injustificado” e aplicou multa de 100 salários mínimos (ou R$ 110 mil) aos advogados. Ele afirmou que não houve nenhuma solicitação para uso de equipamento para reprodução do vídeo.

Eyng classificou a atitude dos advogados de defesa como uma “verdadeira afronta ao devido processo legal e à ampla defesa, paralisando a tramitação processual do feito e causando prejuízo ao réu e ao Poder Judiciário”, ainda mais levando em consideração os custos adicionais do julgamento (transporte do preso, alimentação, deslocamento de policiais, etc.).

A Justiça já havia negado um pedido de suspensão do júri popular. A defesa de Manvailer alegou falta de segurança para o julgamento e ainda imparcialidade dos sete jurados.

Ao analisar o pedido, o juiz Adriano Scussiatto Eyng observou que estava “desprovido de qualquer suporte fático-probatório” para requerer reforço na segurança e, por isso, não iria atender a solicitação.

Relembre o caso

Na noite em que morreu, Tatiane comentou com amigas que, quando ficasse a sós com o marido, terminaria o relacionamento de cinco anos entre os dois. As gravações de segurança do prédio mostram que, na chegada ao apartamento do casal, Manvailer agrediu Tatiane por 15 minutos.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou a tese de que, após a agressão, a advogada, então com 29 anos, foi estrangulada e jogada da sacada por Manvailer. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indica que Tatiane foi sufocada até a morte e segundo o MP, foi provocada por Manvailer enquanto o casal estava no apartamento.

Luis Felipe Manvailer responderá à acusação de homicídio qualificado e fraude processual. No primeiro crime, uma das qualificadoras é o feminicídio, por envolver violência doméstica contra mulher, segundo a acusação.

O MP também argumenta que houve motivo torpe (repugnante, desprezível), já que o desentendimento entre eles teria começado por causa de mensagens em redes sociais, meio cruel (asfixia) e impossibilidade de defesa da vítima por causa da superioridade física do réu.

A acusação por fraude processual é por conta de Manvailer ter removido o corpo de Tatiane da calçada para dentro do apartamento, após a queda da varanda, no 4º andar. As penas para os crimes são, respectivamente, de 12 a 30 anos e de seis meses a quatro anos.

A defesa de Manvailer alegou anteriormente que as acusações não procedem e reforça a tese de que a advogada se suicidou. Disse também que os vídeos do professor a agredindo foram manipulados.

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