Defensor do bom uso do dinheiro público, Major Araújo é líder em gastos parlamentares durante quarentena

Deputado argumenta que não parou de trabalhar no período em que a Assembleia Legislativa esteve fechada: “Alguns gastos com alimentação e gasolina diminuíram, mas contratos não podem ser rompidos de uma hora para outra”

Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

O Portal da Transparência da Assembleia Legislativa de Goiás divulgou os gastos dos parlamentares durante o mês de março, período em que a Casa Legislativa começava a adotar protocolos de segurança contra a pandemia do novo coronavírus como adoção das sessões remotas e implantação de home office para servidores.

No topo da lista está o deputado Major Araújo (PSL) que gastou R$ 26.351,40 no mês passado. Valor exatamente igual ao do colega parlamentar, Rafael Gouveia (PP).

Major Araújo é voz atuante na Casa de Leis na defesa do bom uso do dinheiro público e na busca da moralização política. O parlamentar já protagonizou grandes discussões em plenário sobre os temas. Vale lembrar que foi o deputado quem manifestou na porta da Polícia Federal em Goiânia em cima de um carro de som quando Marconi Perillo foi preso. Major Araújo pediu punição ao ex-governador nos casos de corrupção em que é investigado.

“Sensacionalismo bobo”

A reportagem entrou em contato com o parlamentar para entender o porquê dos altos gastos no período. Para o deputado estadual Major Araújo (PSL), questionar a manutenção dos gastos de parlamentares durante a pandemia é um “sensacionalismo bobo”. O parlamentar afirma que muitos deputados não pararam suas atividades apenas pelo fato de a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás estar parada.

“Alguns gastos com alimentação e gasolina diminuíram, mas contratos não podem ser rompidos de uma hora para outra. Eu forneço alimentação para todos os meus funcionários do gabinete e agora sou apenas eu e duas pessoas que me auxiliam nas sessões remotas”, defende o Major.

“Não tenho nada a esconder. Eu alugo um veículo adequado para rodar o Estado, que é uma caminhonete, tenho contrato com uma consultoria, um advogado que não deixou de trabalhar. Já precisei entrar na justiça, e ele é quem me ajuda na Alego. Não vou romper esses contratos até porque eles geram direitos e preciso honrá-los”, detalha o parlamentar.

Araújo também alega que continua atendendo as pessoas no Clube dos Oficiais, cobrando o governo e que não “parou” durante a quarentena.  “As demandas não param, processos estão em andamento , então acho essa situação um sensacionalismo bobo. Não gasto meu dinheiro com passagem aérea, nem nada assim”, acentua.

Por fim, Araújo ressalta que a Polícia Militar do Estado de Goiás não parou e, por ser sua principal base de apoio, não pode ficar desamparada. “O governo também não parou e eu sou um fiscal que está de olho em tudo. Estou fazendo o meu trabalho e isso não depende da Alego está aberta ou fechada”, conclui.

Vale lembrar ainda que o deputado conta com um aposentadoria de quase R$ 45 mil, além o salário de deputados e as verbas para gastos parlamentares.

O deputado Rafael Gouveia, por sua vez, afirmou ao Jornal Opção que, apesar do prédio da Assembleia não ter funcionado parte do mês de março, o trabalho não parou. “Apresentamos requerimentos relacionados ao Covid-19 na sessão remota daquele mês e com a pandemia causada pelo novo coronavírus as dificuldades de fazer nossa atuação parlamentar chegar aos goianos foram potencializadas, exigindo intensificação do diálogo com a sociedade por meio de redes sociais, com vídeos e materiais informativos”.

“Apesar da paralisação, continuamos também prestando assistência aos prefeitos do interior com visitas, sempre tomando todos os cuidados necessários conforme tem orientado o Ministério da Saúde. Entendemos o momento de crise e como deputados contribuímos com o repasse de R$ 10 milhões feito pela Assembleia à OVG para compra de materiais hospitalares, cestas básicas, e outros itens necessários para o enfrentamento à Covid-19 no Estado e recentemente aprovamos um corte de 20% do custeio administrativo da Casa”, completa Gouveia.

Entenda

Os deputados Major Araújo (PSL), Rafael Gouveia (PP), Thiago Albernaz (solidariedade), Amauri Ribeiro (Patriota), Júlio Pina (PRTB), Coronel Adailton (PP), Wagner Camargo Neto (Pros) lideraram o uso de verbas indenizatórias da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás no mês de março deste ano. Juntos, os parlamentares gastaram quase R$ 200 mil.

Segundo dados do Portal da Transparência, Major Araújo e Rafael Gouveia receberam a cota total de R$26.351,40. Seguidos pelos deputados Thiago Albernaz (R$26.349,82), Amauri Ribeiro (R$26.322,99) e Júlio Pina (R$26.274,92). Já Coronel Adailton usou R$26.274,72 e Wagner Neto R$26.191,56.

Os gastos dos sete parlamentares juntos chegam a R$ 184.116,81 apesar de as atividades na Casa terem sofrido paralisação por 15 dias no mês de referência (Março/2020).

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