Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou nesta terça-feira (24/5) que não vê falas do ex-ministro do Planejamento como manobra para barrar investigações

Ministro do STF recebe com naturalidade declarações de Romero Jucá divulgadas pela imprensa

A conversa divulgada na segunda-feira (23/5) pelo jornal Folha de S.Paulo entre o agora ex-ministro de Planejamento Romero Jucá (PMDB) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que aconteceu em março, na qual é sugerido um “pacto” para tentar barrar a Operação Lava Jato para “estancar a sangria” das investigações no meio político, é vista com naturalidade pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

De acordo com Mendes, que comentou nesta terça-feira (24) as declarações de Jucá nas gravações, as falas do até ontem ministro do Planejamento não são, para o ministro, uma tentativa de obstruir a Lava Jato. A divulgação da conversa levou à exoneração do peemedebista do governo do presidente interino Michel Temer (PMDB).

“Não vi isso. A não ser, uma certa impropriedade em relação à referência ao Supremo. Sempre vem essa história: ‘já falei com os juízes’ ou coisa do tipo. Mas é uma conversa entre pessoas que têm alguma convivência e estão fazendo análise sobre o cenário numa posição não muito confortável.”

Ao citar o trecho que o STF faz parte dos comentários na conversa, Mendes se manifestou: “A não ser essa referência [sobre o STF], que causa incômodo, é uma repetição. Virou um mantra, um enredo que se repete”. O ministro negou que já tenha sido procurado por Romero Jucá para tratar das investigações da Lava Jato.

“Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘Ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então…”, diz o trecho transcrito pela Folha da conversa de Jucá com Machado que aconteceu em março, antes da votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, que foi à plenário em 17 de abril.

Imparcialidade

Gilmar Mendes defendeu que o Supremo tem agido com imparcialidade nos casos que envolvem a Operação Lava Jato. “Não há o que suspeitar do Tribunal, o Tribunal tem agido com muita tranquilidade, com muita seriedade, muita imparcialidade, a mim me parece que não há nada para mudar o curso [da Lava Jato].”

“Faz parte da realidade política” foi o que se limitou a dizer o ministro ao ser questionado se a saída de Jucá do governo Temer abalou a gestão interina, que tem apenas 12 dias. “São problemas da realidade política, com os quais se tem que lidar. Quer dizer, eu tenho essa experiência também, passei por governo. Quer dizer, da noite para o dia, às vezes por uma fala, por uma revelação, se encerra um mandato às vezes até exitoso. Em suma, isso faz parte da realidade política.” (Com informações da Agência Brasil)