“Decisão não vai abrir as portas das prisões e presídios”, diz advogado sobre posicionamento do STF

Segundo Julio Meirelles, decisão deverá ser adotada em todas as instâncias do Poder Judiciário

Advogado Júlio Meirelles | Foto: Jornal Opção

O advogado penal e eleitoralista Julio Meirelles falou ao Jornal Opção sobre os impactos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), desta quinta-feira, 7,que muda o entendimento sobre o início da execução da pena após condenação em 2ª instância. Segundo o STF, por 6 votos a 5, a prisão deve seguir os moldes da Constituição Federal, “que prevê o respeito ao princípio da presunção da inocência e com prisão apenas após decisão transitada em julgado”, observa o advogado.

De acordo Meirelles, a decisão deverá ser adotada em todas as instâncias do Poder Judiciário. “Cabe à defesa dos réus formularem os seus pedidos nos respectivos processos, pois essa decisão não é automática”, explica o advogado. “Essa decisão não vai abrir as portas das prisões e presídios e liberar as pessoas que se encontram nessa situação”, complementa.

Caso Lula

Ele também comentou o polêmico e emblemático caso envolvendo o ex-presidente Lula, que pode ser afetado pela nova jurisprudência. “Assim como nos demais casos, a decisão não tem efeito automático para ele. Será necessário que a defesa se manifeste e peça a soltura”, explica Julio, ao pontuar que Lula pode pleitear sua saída por não ter condenação que tenha transitado em julgado.

Ele frisa ainda que acredita que prevalecerá o respeito ao posicionamento do STF, apesar de a decisão ter sido apertada, por 6 votos a 5. “Esse placar mostra o quanto essa matéria é polêmica e, no futuro, pode ser novamente alterada”, emenda.

Meirelles lembra que, no próximo ano, o STF pode ter troca de até duas cadeiras proveniente da aposentadoria de magistrados e, modificado o cenário, o assunto pode ser retomado daqui uns dois anos. “Nada impede que se chegue a um novo posicionamento do futuro. Por ora, o que temos é o respeito à Constituição, à presunção de inocência e prisões após trânsito em julgado das decisões condenatórias”, finaliza.

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