Debate sobre Plano Diretor pede atenção aos bairros e ocupação de espaços vazios

Comandada pela vereadora Sabrina Garcêz (PMB), discussão pública teve presença de representantes do CAU-GO, Codese e alguns parlamentares

Foto: Francisco Carvalho/Câmara

A Câmara Municipal de Goiânia, por solicitação da vereadora Sabrina Garcêz (PMB) e do vereador Carlin Café (PPS), que é presidente da Comissão de Habitação, Urbanismo e Ordenamento Urbano, realizou nesta terça-feira (11/7) o primeiro debate sobre revisão do Plano Diretor da cidade.

No auditório Carlos Eurico, a reunião pública foi aberta pelo presidente da Câmara Andrey Azeredo e contou com a participação de várias entidades. No início da conversa, a vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urba­nis­mo de Goiás (CAU-GO), Maria Ester, explicou o funcionamento do Plano e foi rebatida em alguns pontos por Renato Correia, presidente do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia (Codese).

De acordo com Maria Ester, a função do Plano Diretor é regulamentar uma ideia para a cidade. De acordo com ela, “aglomerado de casas não é cidade, é depósito de gente”, portanto a revisão de quatro pontos no Plano de Diretor – expansão urbana, densidade, drenagem e área especiais de interesse social – pode garantir um desenvolvimento maior para Goiânia, pedindo, então, ocupação de espaços vazios.

Em seguida, Renato Correia disse que o plano diretor pode existir sem expansão urbana. “Há dez anos não há novos loteamentos regularizados em Goiânia. Isso impede competitividade e lucratividade”, disse. Aós o fim da reunião, Ester negou a veracidade da afirmação e disse que é preciso diferenciar “Coca-cola de lote”, ao dizer que é preciso separar os interesses imobiliários dos sociais.

Após as explanações, o microfone foi aberto aos interessados e foi muito citado um questionamento de Carlim Café por parte dos representantes. “Cada região tem suas características. É preciso criar centros nos grandes bairros”, solicitou o vereador.

O pensamento foi reverberado por outros representantes, que chamaram o Plano Diretor atual de “generalista”. Em entrevista ao Jornal Opção, a vice-presidente do CAU-GO disse que pensar em um plano para cada bairro é o que há de mais moderno em termos de urbanismo. “Pensar o bairro, a sua necessidade, a sua estrutura física e social e acentuar o que ele tem de melhor, mesclando o interesse mais geral com o pequeno”, explicou.

A reunião contou com a participação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) que pediu, mais uma vez, ocupação dos espaços vazios em áreas como o Centro, Campinas, e outros setores mais conhecidos.

Outro ponto levantado durante a reunião foi com relação ao meio ambiente. De acordo com a vereadora Dra. Cristina Lopes (PSDB), Goiânia precisar estudar o Plano Diretor pensando nas nascentes. “Goiânia não tem água aparente. Dá tempo de repensar nessa cidade, defendendo a ocupação de vazios urbanos”, disse.

Compur

Outro ponto levantado na reunião foi a ineficiência do Conselho Municipal de Política Urbana (Compur) desde o início da Gestão Iris em 2017. “Não funciona. É um prejuízo para a cidade”, disse Maria Ester.

De acordo com a vereadora Sabrina, nesta quarta-feira (12) será feito um requerimento para convocação urgente do Conselho. “É essencial que o Compur exista, se fortaleça e participe desses debates”, garantiu.

Sem diálogo

A reunião não contou com representantes do Prefeitura de Goiânia. “Mais uma vez a prefeitura decide não dialogar e conversar com a sociedade”, disse Sabrina.

Em entrevista ao Jornal Opção, a vereadora disse que a única desvantagem da reunião foi a ausência da prefeitura para diálogo. “Vejo de maneira muito positiva, tivemos ampla participação da sociedade, principalmente da sociedade civil organizada. Várias pessoas contribuindo de maneira essencial para o debate. Só lamento a prefeitura de Goiânia se eximir desse debate”, desabafou.

Participaram da audiência pública os vereadores Andrey Azeredo (PMDB), presidente da Câmara Municipal; Jorge Kajuru (PRP), Cristina Lopes (PSDB), Paulo Magalhães ( PSD), Gustavo Cruvinel ( PV), Priscilla Tejota (PSD), Kleybe Morais (PSDC), Vinícius Cirqueira ( Pros), Lucas Kitão (PSL), Cabo Senna ( PRP) e Tiãozinho Porto (Pros).

Também presentes representantes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU), Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Estratégico de Goiás ( Codese), Agência Goiana de Regulação, Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi), Associação Comercial de Industrial do Estado de Goiás, Secretaria Municipal de Finanças, Secretaria Municipal de Cultura, Sindicato da Construção Civil (Sinduscom), Associação Brasileira de Hotéis, Associação Comercial da avenida Bernardo Sayão.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.