De olho em outubro, Doria avança e Alckmin desconversa

Com discurso de aposta em duas bases para sua campanha presidencial, governador paulista começa a ver a indicação para o Palácio do Planalto ameaçada no PSDB

Publicamente aliados, Geraldo Alckmin e João Doria têm o mesmo interesse: a vaga de candidato a presidente da República pelo PSDB | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Nathan Sampaio
Especial para o Jornal Opção

Depois de conceder entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira (19/3), um dia após a vitória de João Doria nas prévias, que teve 80% dos votos dos filiados tucanos, Geraldo Alckmin disse que as eleições deste ano serão muito fragmentadas, mas não foi claro ao responder se as pré-candidaturas de Doria e Márcio França (PSB), seu vice-governador, ao Palácio dos Bandeirantes irão prejudicá-lo.  Na ocasião, o governador paulista e possível candidato à Presidência da República pelo PSDB entregou um conjunto habitacional que, segundo ele, ficou pronto coincidentemente depois das prévias vencidas por Doria. No caminho, disse que este ano a quantidade de partidos irá dividir ainda mais o eleitorado.

Embora o PSB, partido de Márcio França, também tenha sinalizado a possível candidatura própria a presidente durante a convenção do partido na última segunda-feira passada (12), o vice-governador deve apoiar a candidatura de Alckmin. Ter dois palanques, então, não é “virtude” apenas do governo tucano. O chefe do Executivo estadual, também presidente do PSDB, por sua vez, não esteve no diretório do partido para acompanhar a apuração das prévias. Em entrevista para O Globo, continuou criticando o excesso de partidos no Brasil, dizendo que “enquanto não tiver reforma política, vai ser assim”, ruminando, com ponderação, que os dois palanques existem.

Para o Estadão, Doria já afirmou que é importante a candidatura de Alckmin para presidente. E, de acordo com o prefeito de São Paulo, é preciso evitar uma extrema esquerda ou extrema direita no poder e que, para ele, o PSB apoia a extrema esquerda pelas alianças com PCdoB, PT e PDT. Isso mostra que a visão de ambos pode estar em conflito, visto que Doria está declaradamente ao lado de Alckmin e, este, não respondeu com que alianças conta, apenas disse que “eles [Doria e França] é que devem falar, né? Mas estão bem encaminhadas” e que ao citar Doria diz apenas um “estamos juntos”, sem grande impacto.

O fato é que a candidatura de Alckmin para a Presidência da República, ao observar os cenários atuais, segue incerta. E esse pode ser um dos motivos de sua ponderação. Sua justificativa dos “excessos de partidos e fragmentação do eleitorado” também deixa amostras de que pode haver um pessimismo sobre sua postulação, já que o tucano teve péssimo desempenho eleitoral em 2006.  Do outro lado, a pré-candidatura de Doria ao governo de São Paulo não corre grandes riscos pois lidera o cenário em quase todas as pesquisas. Até mesmo por isso, a postura do pré-candidato tucano ao Palácio dos Bandeirantes pode ser vista com tanto otimismo e clareza. E começa a incomodar os planos de Alckmin.

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