De estratégia inteligente a medo do impeachment, parlamentares goianos dividem opiniões sobre recuo de Bolsonaro

Nesta quinta-feira, 9, Jair Bolsonaro publicou nota em prol do diálogo entre os poderes somente dois dias após mobilizações do 7 de Setembro, onde afirmou que declarações de ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF) foram feitas no “calor do momento”

Da esquerda para direita, o deputado Rubens Otoni (PT), o senador Jorge Kajuru (Podemos) e os deputados Francisco Junior (PSD) e Delegado Waldir (PSL) | Fotos: Câmara dos Deputados

Publicação de nota de Jair Bolsonaro (sem partido) em prol do diálogo entre os poderes somente dois dias após mobilizações do 7 de Setembro dividiu opinião entre apoiadores e parlamentares goianos. O próprio presidente, ao perceber a irritação de alguns de seus aliados, afirmou que não recuou frente aos demais poderes, mas que também não dava para “não dá para ir para o tudo ou nada”.

Entre parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado, as opiniões também divergem. Enquanto Rubens Otoni (PT-GO) e Jorge Kajuru (Podemos-GO) acreditam que o recuo foi devido ao medo do impeachment, Delegado Waldir (PSL-GO) e Francisco Júnior (PSD-GO) pontuam a estratégia como inteligente e coerente em prol do diálogo. Com a evolução de acontecimentos, para o deputado Francisco Júnior, a radiografia do momento histórico atual já é completamente diferente da de três dias atrás.

“Nesse momento percebemos que todas as partes baixaram um pouco a temperatura. A corda estava muito esticada e isso era ruim para todos, como vimos a bolsa de valores caindo e o dólar subindo, por exemplo”, opina Francisco.

Para o petista, a necessidade do recuo é fruto da constante perda de apoio que Bolsonaro visualizou. “Na última semana, até manifestações da Febraban, do Agronegócio e da FIESP aconteceram. Isso o obriga a fazer barulho para passar a impressão que está forte, quando na verdade não está. Além disso, o barulho de Bolsonaro durante o 7 de setembro não foi demonstração de força e sim de fraqueza. Foi sintoma de quem perde apoio a cada dia. Daí a necessidade do recuo, para evitar o impeachment”, opinou.

Já Kajuru acredita que Bolsonaro acordou ao dizer que as declarações de ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF) foram feitas no “calor do momento”. “Ele estava meio que dormindo. Acionava a boca e não ligava o cérebro. Agora ele viu que aos 44 minutos do segundo tempo, em um jogo que não tem acréscimo, só restava ele a declaração que ele fez. Com o medo do impeachment, ele viu a que ponto chegaria”, pontuou.

Ao enxergar como uma estratégia positiva ao cenário atual onde grandes partidos, como o PSD, vinham se manifestando em prol da aceitação do impeachment de Bolsonaro, delegado Waldir acredita que Bolsonaro percebeu que se excedeu e que poderia sofrer graves consequências quanto a isso. “O presidente é uma pessoa inteligente, sabe que o governo dele termina ano que vem podendo ser prorrogado ou não, mas que a maior parte dos ministros ainda vão ficar muitos anos. Assim, se ele mantivesse o tom e não pedisse desculpas, ele praticamente ficaria ingovernável”, opinou.

Também otimista quanto a decisão de Bolsonaro, Francisco Júnior acredita que a manifestação de Bolsonaro irá interferir no atual cenário do Congresso, em relação a possibilidade de impeachmar o presidente. “Acredito que hoje há uma mobilização e um esforço pra promover o diálogo. Já com aquela polarização intensa que estava, poderia sim abrir o processo de impeachment”, diz. Ele, no entanto, se posiciona contra essa movimentação de impedir o presidente, independente do contexto.

“Sou contra o impeachment a qualquer circunstancia até porque acho que não há nada concreto e que temos uma situação politica e ideológica de falta de diálogo. Os problemas que temos hoje se resolvem com diálogo. Não acho que tenha alguma coisa concreta que leve ao processo de impeachment, mas do ponto de vista político e ideológico, a fervura subiu muito”, explicou. Otimista, o deputado revelou que uma possível reunião de portas fechadas entre Bolsonaro e os ministros farão os ânimos acalmarem.

No entanto, apesar dos argumentos e afirmações realizadas na nota que sugeriu um possível recuo, que é crucial neste momento, para Kajuru, é saber quanto tempo essa situação apaziguadora irá durar. daqui pra frente é saber se o que ele falou é duradouro, é sério, ou não. Porque com ele, tudo pode mudar a cada 20 minutos”, pontuou.

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