Virmondes Cruvinel (PSD) e Charles Bento (PRTB) foram os únicos vereadores que conquistaram novos mandatos 

Projeto foi aprovado em primeira votação. Discussão da matéria gerou debates acalorados. Fotos: Marcello Dantas/Jornal Opção Online
Foto: Marcello Dantas/Jornal Opção Online

Marcello Dantas e Sarah Teófilo

As eleições para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados apresentaram um resultado bastante negativo para os vereadores da Câmara de Vereadores de Goiânia que disputaram o pleito. Apenas dois dos 11 nomes que estavam na disputa foram eleitos.

Virmondes Cruvinel Filho (PSD) e Charles Bentos (PRTB)  foram eleitos para a Casa de Leis estadual. Eles tiveram como concorrentes os colegas Clécio Alves (PMDB), presidente da Câmara, Djalma Araújo (SDD), Elias Vaz (PSB/Rede), Edson Automóveis (PMN), Felizberto Tavares (PT), Paulo Magalhães (SDD), Paulinho Graus (PDT) e Cristina Lopes (PSDB). Para uma vaga em Brasília, somente Tatiana Lemos (PCdoB) se candidatou, sem sucesso.

Além do desânimo da população com a política, o ex-candidato Felizberto Tavares afirmou ao Jornal Opção Online que as eleições foram “mercantilizadas”. “Disputei em 2010 para a Assembleia e senti, na época, um envolvimento e aceitação maior por parte da população. Esse ano foi atípico. A dificuldade nossa, do PT, foi a [atual] situação da prefeitura da capital”, justificou.

Ele pontuou que caso a Prefeitura de Goiânia tivesse feito um bom trabalho na Região Leste, principalmente — território político de Felizberto Tavares –, o desempenho dele seria melhor. “Se as intervenções durante os dois primeiros anos de mandato [do prefeito Paulo Garcia, PT] tivessem sido feitas, como a conclusão das obras da Avenida Leste-Oeste, do Cais do Setor Riviera, da UPA [Unidade de Pronto Atendimento] Amendoeiras, o desempenho seria melhor”, listou.

O vereador disse ainda não entender o mau desempenho dos candidatos da oposição, os quais acreditava que teriam votação expressiva pela atuação em plenário. Como exemplo, citou Cristina Lopes, Geovani Antônio (PSDB) e Elias Vaz. “Não tem ponto em comum que defina os nossos resultados nas urnas, pois atuávamos de forma diferente”, avaliou Felizberto Tavares.

Vindo de uma casta política com atuação na administração pública, Virmondes Cruvinel saiu-se bem sucedido, com 37.655 votos. O pai dele, Virmondes Cruvinel, já foi deputado federal e é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), e a mãe, Rose Cruvinel, foi vereadora.

E é justamente ao seu histórico que o vereador Paulo Magalhães credita sua vitória. “Virmondes teve êxito porque é o candidato do governador Marconi Perillo [PSDB]. Ele é bom, competente, mas conta com a mãe e o pai com uma história política. Contratou pessoas para fazer a campanha. Eu não tenho condições de competir com essa máquina”, afirmou o integrante do Solidariedade.

Paulo Magalhães se diz um “homem de luta e resultados”. De acordo com ele, o problema é que as campanhas políticas são econômicas: ganha quem tiver mais dinheiro. “Só tem candidato que compra voto, não trabalha, por isso estamos tão mal representados”, disse. O vereador, que pediu licença de 60 dias (voltará somente no dia 17 de novembro) para trabalhar nas eleições, em 2016 pretende se candidatar novamente ao cargo na Câmara Municipal. “Eu acho que mereço, pelo trabalho que estou fazendo”, sustentou, citando o projeto para os lavadores de carro, criação da feira da madrugada e um projeto para implementação do ponto eletrônico na Casa municipal.

Elias Vaz, que obteve uma quantidade de votos significante (15.557), concorda com Paulo Magalhães no quesito de que o poder econômico no momento das eleições fala alto. “A pouca estrutura de campanha é sempre um elemento de dificuldade”, respondeu. O vereador, que ficou em terceiro lugar na sua chapa, disse ter visto sua votação como razoável. “Eu fiquei para trás por pouco. Não foi a pontuação necessária, mas foi boa.”

Quanto à possibilidade de tentar reeleição para vereador, o integrante do PSB afirma que ainda está cedo para pensar nisso. “Eu não descarto a possibilidade de ser candidato, mas estou pensando, refletindo”, afirmou.

O vereador disse ainda que nessas eleições o discurso que predominou foi segurança pública, e falou-se pouco de corrupção. “Nas eleições uma posição predomina, como o combate à corrupção. Dessa vez o assunto que angariou mais votos foi a segurança pública”, explicou.

O Jornal Opção Online tentou falar com Virmondes Cruvinel, Tatiana Lemos, Djalma Araújo e Cristina Lopes, mas não as ligações não foram atendidas e nem retornadas até o fechamento da matéria.

Veja lista com o desempenho dos candidatos:

-Charles Bento: 19.429

-Clécio Alves: 18.339

-Cristina Lopes: 13.849

-Djalma Araújo: 5.452

-Edson Automóveis: 8.746

-Elias Vaz: 15.557

-Felizberto Tavares: 13.454

-Paulo Magalhães: 5.150

-Paulinho Graus: 11.134

-Virmondes Cruvinel: 37.655

-Tatiana Lemos: 34.079 (candidata à Câmara Federal)

*Conteúdo atualizado para a inclusão do nome do vereador Charles Bento, eleito para a Assembleia Legislativa