Daniel Vilela é hoje o nome mais preparado de Goiás para liderar a agenda de tecnologia
06 setembro 2026 às 19h10

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Defender um político não significa fechar os olhos para seus defeitos. Significa, sobretudo, reconhecer quando há uma trajetória que merece ser considerada. No caso de Daniel Vilela, existe um argumento que pode ser feito sem bajulação e sem precisar recorrer a slogans eleitorais: na área de tecnologia, inovação e transformação digital, ele chega à sucessão do governo de Goiás com um histórico concreto de participação e articulação que poucos políticos do Estado conseguem apresentar.
A razão não está em uma promessa de campanha, mas em uma política construída ao longo dos últimos anos. Ainda na primeira gestão de Ronaldo Caiado, Daniel participou da estruturação de iniciativas que colocaram inovação e tecnologia no centro da estratégia de desenvolvimento de Goiás. Em março de 2023, por exemplo, ele representou o governador no lançamento do Pacto Goiás pela Inovação, iniciativa que reuniu governo, universidades, empresas e sociedade civil para estruturar o ecossistema tecnológico do Estado.
Naquele mesmo período, Daniel esteve à frente da inauguração do Hub Goiás, criado para concentrar iniciativas de inovação e empreendedorismo. O espaço foi concebido como ambiente público de inovação e passou a ser administrado pelo Porto Digital, um dos principais parques tecnológicos do país. Não é um detalhe arquitetônico: é a criação de uma infraestrutura permanente para aproximar startups, empresas, universidades e governo.
É justamente essa continuidade que torna a comparação interessante. O atual governo não começou do zero. Pelo contrário: ampliou uma estrutura que já vinha sendo construída. E Daniel Vilela esteve nos dois momentos — primeiro como vice-governador e articulador político da agenda e, depois, como governador responsável por aprofundá-la.
Um dos melhores exemplos está na inteligência artificial. Em 2023, quando assumiu interinamente o governo, Daniel articulou com a Finep a possibilidade de captar até R$ 1 bilhão para projetos de inteligência artificial. Na ocasião, colocou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG entre as prioridades do Estado. O CEIA havia sido criado em 2019, portanto antes de sua chegada ao governo, mas a atuação de Daniel demonstra que a estratégia passou a ser tratada como política de Estado, e não como um projeto isolado de universidade ou de uma secretaria.
Essa distinção é importante. Daniel não criou sozinho o ecossistema de tecnologia de Goiás. Há pesquisadores, universidades, empresários, servidores públicos, secretários e instituições que foram fundamentais para isso. A Fapeg, a UFG e o CEIA, por exemplo, possuem trajetória própria. O mérito político de Daniel está em ter compreendido que esse conhecimento precisava ser conectado à máquina pública, ao setor produtivo e a uma estratégia de desenvolvimento.
E os resultados mais recentes reforçam essa leitura.
Em 2025, o governo aprovou uma legislação específica para fomentar a inteligência artificial. A Lei Complementar nº 205 instituiu o Sandbox Estadual Permanente de Inteligência Artificial, mecanismo que permite testar soluções tecnológicas em ambiente regulatório controlado e com participação de startups, empresas, universidades e centros de pesquisa. A legislação também criou estruturas de governança e estabeleceu princípios de transparência, auditabilidade e responsabilidade.
Em outras palavras, Goiás não ficou apenas na retórica de que “IA é o futuro”. Criou uma regra para tentar atrair quem está construindo esse futuro.
A estratégia ganhou uma dimensão ainda maior em 2026. Já no comando do Estado, Daniel sancionou a criação da Goiás Tecnologia, a GOtech, concebida para acelerar a transformação digital do governo e utilizar inteligência artificial em áreas estratégicas. Poucos dias depois, Goiás anunciou uma parceria com o Google que prevê até 20 mil licenças do Gemini for Gov para servidores públicos, em uma iniciativa apresentada pelo governo como a primeira parceria dessa dimensão no país para aplicação estruturada de IA no setor público.
Há ainda a expansão do Hub Goiás, o programa GovTech, a criação do Distrito de Inovação e a aproximação com o CEIA-UFG. O GovTech, por exemplo, foi desenhado para colocar startups diante de problemas reais do governo, permitindo que soluções tecnológicas sejam testadas para melhorar processos, reduzir custos e ampliar a qualidade dos serviços públicos.
Não é pouca coisa.
E existe um indicador externo que ajuda a tirar a análise do campo puramente político. Em 2025, um executivo do Google classificou a regulamentação goiana de inteligência artificial como referência internacional e comparou sua inovação à legislação japonesa. A avaliação veio de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, em encontro com Daniel Vilela.
É claro que declarações de executivos não devem ser confundidas com uma auditoria independente. Mas são um sinal relevante de que a estratégia de Goiás começou a chamar atenção fora do ambiente político local.
É por isso que, olhando para 2026, Daniel Vilela pode ser defendido como o nome politicamente mais preparado para dar continuidade à agenda tecnológica de Goiás. Não porque seja um especialista técnico em inteligência artificial — ele não é, e seria desonesto apresentá-lo dessa maneira. Seu papel é outro e talvez seja até mais importante para um governador: construir políticas públicas, reunir especialistas, aproximar universidades e empresas, abrir portas com grandes companhias e transformar conhecimento técnico em decisões de governo.
Governar tecnologia não significa saber programar. Significa saber onde o Estado precisa chegar e montar uma equipe capaz de fazê-lo chegar lá.
Essa talvez seja a maior vantagem de Daniel nessa área: ele participou da construção da agenda antes de precisar apresentá-la como candidato. Já esteve no ambiente onde as decisões foram tomadas, acompanhou a formação do ecossistema e agora tem a possibilidade de ampliar aquilo que foi iniciado.
Isso não significa que o próximo governo possa simplesmente comemorar os números e parar. Pelo contrário. O desafio agora é muito maior: fazer com que inteligência artificial não seja apenas ferramenta para servidores, mas melhore efetivamente serviços de saúde, educação, segurança, fiscalização, transporte e atendimento ao cidadão. É transformar inovação em produtividade, emprego e renda.
Também será preciso discutir transparência. Quanto mais o Estado utilizar algoritmos para tomar decisões, maior deve ser a capacidade de auditoria e controle sobre essas ferramentas. A própria legislação goiana reconhece essa preocupação ao prever mecanismos de transparência, auditabilidade e supervisão.
Por isso, uma defesa responsável de Daniel Vilela na área de tecnologia não precisa dizer que ele é perfeito, tampouco que tudo foi obra dele. O argumento é mais simples e mais difícil de contestar: ele esteve presente na construção de uma política que começou na gestão anterior e, no atual governo, ganhou escala, legislação, parcerias internacionais e aplicação direta na administração pública.
Em uma eleição em que tantos candidatos vão falar sobre “modernização”, “inovação” e “inteligência artificial”, talvez seja justamente isso que deva ser cobrado: quem está falando de futuro e quem já tem passado para provar que sabe construir esse futuro.


