Culturas e idiomas se misturam nas ruas de Goiânia e Anápolis com jogos

15ª edição da competição reúne delegações de 16 países que já estão em Goiás para disputar o evento esportivo, que começa neste sábado (2/7) e vai até o dia 10 de julho

Competição internacional de futsal que envolve 22 delegações de 16 países começa neste sábado (2/6) em Anápolis | Foto: Fotojump

Competição internacional de futsal que envolve 22 delegações de 16 países começa neste sábado (2/6) em Anápolis | Foto: Fotojump

As ruas de Goiânia e Anápolis, ao longo desta semana, se tornaram pólos culturais de 16 países. Mais de 400 homens e mulheres da Europa, África, Ásia, Oceania, América do Norte e América Latina. As misturas de idiomas, que vão do alemão ao tailandês, e culturas, com muçulmanos, budistas e crenças indígenas, são parte do que tem sido percebido nas duas cidades nos locais de jogos e nos hotéis em que estão hospedados os atletas que disputam de sábado (2/7) até o outro domingo (10/7) o 15º Campeonato Mundial Universitário de Futsal.

São 22 delegações de 16 países que aos poucos tem chegado a Goiás para participar das disputas feminina e masculina do evento esportivo com transmissão internacional pelo canal Eurosport, que começa neste sábado (2/7).

Os jogos da competição têm entrada gratuita, acontecem nos ginásios Goiânia Arena na capital e no Ginásio Internacional de Anápolis e podem ser acompanhados pelo aplicativo WUC – Futsal, disponível para download na App Store e no Google Play para iOS e Android.

A hashtag oficial do Mundial Universitário de Futsal é a #wucfutsal2016, mas alguns jogadores e integrantes de delegações de diversos países também têm usado a hashtag #wuc2016, como nesta postagem no Instagram do jogador João Pedro, da seleção masculina de Portugal:

 

A Quasar Companhia de Dança abre Campeonato Mundial Universitário de Futsal, convidada pela Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce). De acordo com a titular da pasta, Raquel Teixeira, o grupo apresentará um espetáculo preparado especialmente para o evento com a participação de mais de 40 bailarinos e 130 voluntários de escolas estaduais goianas.

Eles vão retratar a cultura regional, as belezas da natureza de Goiás, o futsal e a bola, símbolo do esporte. Os alunos que participarão da abertura são da seguintes escolas: Colégio Militar Hugo de Carvalho Ramos, Colégio Estadual Bandeirante, Colégio Estadual Sebastião Alves de Sousa e Colégio Estadual Teotônio Vilela.

A abertura dos jogos será realizada às 17h30 deste sábado no Ginásio Internacional Nilton de Faria, no Centro de Anápolis. A Quasar, fundada em 1988 pela diretora-geral Vera Bicalho e o diretor-artístico e coreógrafo Henrique Rodovalho, tem seu trabalho reconhecido internacionalmente e aceitou o desafio de dar início à competição.

Rodovalho, responsável pela coreografia, teve como assistentes na elaboração do espetáculo de abertura Joisy Amorim, Daniel Calvet, Tassiana Stassiarini e Valeska Gonçalves. O diretor-artístico da Quasar integrou a equipe que elaborou a abertura da Copa do Mundo de Futebol em 2014 no Brasil.

“São bailarinos de várias companhias de Goiás e voluntários, que nunca tiveram contato com a dança. Estamos trabalhando com o desafio da aprendizagem artística e montando passo a passo do nosso jeito, com uma linguagem particular e rica. Será um momento único não só para os espectadores, mas também para nós”, disse o coreógrafo da companhia.

Competição

Com a marca de competição incluída no calendário da Federação Internacional de Futebol (Fifa), o evento é realizado pela Federação Internacional de Esportes Universitários (Fisu), Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU) e Federação Goiana de Desportos Universitário (FGDU), tem o apoio do governo de Goiás por meio da Seduce e o patrocínio da Gerflor, Onza e Unimed Goiânia.

A tabela da competição está disponível no site do Campeonato Mundial Universitário de Futsal, que você pode clicar aqui e conferir. Você também pode acompanhar a disputa pelo Facebook do evento ou pelo Instagram oficial dos jogos.

Na disputa entre as seleções masculinas, os países participantes são Alemanha, Argentina, Brasil, Cazaquistão, China, França, Israel, Nova Zelândia, Portugal, República Tcheca, Rússia e Tailândia. As equipes femininas, além da brasileira, representam a Argentina, Bolívia, Canadá, Cazaquistão, Colômbia, México, Nova Zelândia, Portugal e Rússia.

As seleções brasileiras chegam a Goiânia e Anápolis na busca pelo pentacampeonato no feminino e no masculino. Na disputa com o Brasil, chegaram na quinta-feira (30/6) a Goiás as equipes da França, México, República Tcheca e Portugal. Estava prevista para esta sexta (1º/7) o desembarque das delegações colombiana, argentina, boliviana, russa, alemã e israelense. A última prevista para chegar é a que vem da China, com data marcada para domingo (3/7).

 

Oportunidade única

Do Oriente Médio vem a delegação israelense. O país de religião judaica e que fala hebraico e árabe, vem a Goiás com a experiência do futsal ainda como um esporte amador por lá. Harel Zilberman, secretário geral da seleção de Israel e presidente da Associação de Desporto Acadêmico (ASA Israel), disse que essa é uma oportunidade única para a equipe masculina.

Ele destaca que Israel não tem uma rotina de treinos e que o futsal só é praticado nas universidades. Os atletas tiveram que ser selecionados em quatro faculdades diferentes: Instituto de Tecnologia de Israel (Technion), Universidade Ben-Gurion do Negev, Escola Net Holman para treinadores e instrutores e Sapir Colagem Academic.

“Todos os jogadores selecionados ficaram ansiosos em vir para o campeonato mundial no Brasil por causa do alto nível esperado e a oportunidade de trocar experiências”, afirmou o secretário geral da seleção israelense. Em sua formação, cinco jogadores de Israel são considerados veteranos, já que estiveram na 14ª edição da competição em 2014 na Espanha.

Outro chefe de delegação que relata a oportunidade a ser aproveitada no Brasil é o alemão Thorsten Huetsch, que contou que na Alemanha não existe uma liga de futsal. O grupo do país que vem para Goiânia e Anápolis tem 21 pessoas, dessas 14 são atletas e sete da comissão técnica.

“Não são muitas as vezes que os jogadores alemães têm a oportunidade de jogar em um nível tão elevado internacional. Assim, para a equipe alemã é importante recolher experiências e conhecer melhor um alto nível internacional já pensando no futuro. Além disso, estamos ansiosos para conhecer o país e a famosa hospitalidade brasileira.”

Eduard Nickel, Moritz Auth, Michael Meyer e Nils Klems disputaram o Campeonato Mundial Universitário de Futsal de 2014 na Espanha e voltam como jogadores este ano. Já o ex-atleta Wendelin Kemper, que foi à última competição como integrante da equipe, agora faz parte do grupo de treinadores alemães que vem a Goiás.

Mais interesse pelo futsal

Se em Israel e Alemanha o futsal ainda não está perto de ser uma realizada profissional no esporte, entre os portugueses ele já é o mais praticado com a adesão de cada vez mais jovens e crianças. De acordo com Gonçalo Portugal, goleiro da seleção masculina dos patrícios, o interesse pelo futsal tem crescido.

Mas ele ainda lamenta o fato de não existir um campeonato profissional do esporte no país dele. “Acredito que o próximo passo seria ter em Portugal um campeonato totalmente profissional, ter mais apoios para a modalidade. Assim, conseguiríamos aumentar ainda mais o número de praticantes, além de garantir mais visibilidade por parte da população”, disse Gonçalo.

Inês Fernanda, que é a capitã da equipe feminina de Portugal, tem experiência de participar de campeonatos mundiais pela Seleção A portuguesa. Ela também já disputou competições internacionais com o Sport Lisboa, clube que atua hoje, e o anterior, o Benfica.

Mesmo com toda a experiência, Inês contou que não há uma profissionalização do futsal feminino, o que faz com que a paixão pelo esporte se torne um hobby tratado como algo muito sério. “Tenho conciliado o futsal com os estudos, mestrado em Medicina, o que tem levado a uma gestão apertada do meu tempo, mas ‘quem corre por gosto não cansa’, como se diz em Portugal”, comentou a jogadora.

 

Intercâmbio

Para Raquel Teixeira, a competição possibilita um importante intercâmbio cultural, que inclui línguas, hábitos e costumes das nações que participam do Mundial Universitário de Futsal. “É um evento que, além de ser um reconhecido e competitivo campeonato esportivo, tem uma relevância internacional para Goiás, que se torna uma oportunidade única de mostrar o Estado para o mundo.”

A secretária, em conversa com o Jornal Opção, disse que Goiânia e Anápolis viverão nove dias de demonstrações esportivas por parte de atletas que servirão de inspiração para os jovens. “Outra importância da competição está no estímulo que essas seleções e os jogos trarão para crianças e adolescentes que buscarão no futsal uma escolha de prática esportiva e estilo de vida”, destacou Raquel.

Pelo Facebook, a página oficial do Mundial de Futsal anuncia que falta pouco para o início da competição e lembra que a entrada para acompanhar os jogos é gratuita:

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