“Crise na segurança pública pode atrapalhar desenvolvimento nacional”, diz novo secretário

Ricardo Balestreri foi apresentado oficialmente nesta sexta-feira (24/2) como o novo titular da Secretaria de Segurança e Administração Penitenciária (SSPAP)

Secretário adiantou que uma das suas principais medidas será qualificar os policiais | Foto: Alexandre Parrode/ Jornal Opção

O novo secretário de Secretaria de Segurança e Administração Penitenciária (SSPAP), Ricardo Balestreri, foi apresentado oficialmente pelo governador Marconi Perillo (PSDB) nesta sexta-feira (24/2) no Palácio Pedro Ludovico. Ele tomará posse na próxima quarta-feira (1º/3), sucedendo o atual comandante da pasta, coronel Edson Costa Araújo.

Marconi agradeceu os ex-secretários da Segurança Pública, informando que eles estarão à disposição de Balestreri para ele possa tomar conhecimento da situação do estado na área. “Doutor José Eliton já fez hoje uma reunião preliminar e passou a ele várias informações em relação aos avanços que tivemos aqui, principalmente na área da inteligência”, disse ele.

Na coletiva de imprensa, o vice-governador e ex-secretário da pasta, José Eliton (PSDB), cumprimentou Balestreri por ter, sendo um nome de referência nacional, aceitado o convite e destacou a propriedade com que ele trata a Segurança Pública. “Dentro da sua carreira profissional, teve a oportunidade de debater temas importantes. Dedicou toda a sua vida à discussão de valores e temas que há de aplicar aqui”, ressaltou.

Segundo José Eliton, os dois já tiveram a oportunidade de conversar e tiveram identificação em diversos conceitos e valores. O ex-secretário destacou ainda ações de sua gestão, como o Pacto Integrador de Segurança Pública, que reúne 15 estados brasileiros na luta contra o crime organizado, e o Pacto Goiás pela Vida.

Balestreti começou elogiando o sistema de estatísticas da secretaria, dizendo que ele deveria ser adotado em outros estados brasileiros. “Nosso país sofre hoje uma crise sistêmica na área de segurança que pode inclusive atrapalhar o desenvolvimento nacional. Muitas vezes a tecnocracia olha para a segurança como gasto público, e não como investimento”, declarou.

“Nós estamos gastando em torno de R$ 100 bilhões por ano na área e é preciso que a gente olhe para essa área como carente de investimentos”, defendeu Balestreri. Para o novo secretário, a segurança pública deve ser pautada pela gestão “científica”, ou seja, pautada em estudos e estatísticas mundiais aplicadas na área.

Ele defendeu, por exemplo, a proximidade entre população e policia como maneira de reduzir índices de violência. Segundo o secretário, a adoção dessa medida já foi capaz de diminuir em a criminalidade em até 40%. “Os policiais e bombeiros são os maiores líderes populares que nós temos. Se nós temos uma polícia preparada, a população fica mais segura.”

Balestreti aproveitou a oportunidade para antecipar que uma de suas principais medidas será o investimento na capacitação dos agentes, especialmente no sentido da sua atuação para prevenir crimes e educar a população.

Quem é o novo secretário

Especialista e estudioso da área de segurança pública, Balestreri foi presidente da seção brasileira da Anistia Internacional e participou do grupo que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e que formatou o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Natural do Rio Grande do Sul, Balestreri é licenciado em História, com especialização em psicopedagogia clínica e em terapia familiar, também participou do grupo que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e que formatou o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Trabalhou por três anos como diretor de Ensino e Pesquisa da secretaria da Senasp. Foi ainda o responsável pela criação da Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública (Renaesp) – que oferece 82 cursos de pós-graduação para 5.250 policiais e cursos à distância para outros 126 mil. Ele também participa de atividades na área de Direitos Humanos como integrante dos comitês nacionais de Educação em Direitos Humanos e de Prevenção à Tortura no Brasil.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.