Crise na prefeitura de Goiânia é investigada pelo Ministério Público de Goiás

A atual crise penaliza diversas esferas da sociedade goianiense: os professores municipais e agora os servidores da saúde também paralisaram as atividades

Imagem aérea da Prefeitura de Goiânia | Foto: Fernando Leite

Imagem aérea do Paço Municipal| Foto: Fernando Leite

Continuam a todo vapor as investigações instauradas pelo promotor de justiça Fernando Krebs a partir da representação feita pelo vereador Djalma Araújo (SDD), no qual o paço municipal é denunciado sobre o descumprimento que determina a reposição das lâmpadas da iluminação pública no prazo máximo de três dias.

Além da denúncia, o promotor investiga as razões do blecaute administrativo e financeiro da gestão do petista Paulo Garcia. O promotor ouviu durante essa semana o atual secretário de finanças, Jeovalter Correia, e toda sua equipe. Segundo a assessoria de comunicação do Ministério Público de Goiás (MPGO), ainda faltam algumas questões para serem apuradas. Talvez sejam executadas perícias nos documentos do Paço Municipal.

A atual crise penaliza diversas esferas da sociedade goianiense. Os servidores administrativos, docentes e auxiliares de atividades educativas da Rede Municipal de Educação estão paralisados desde o dia 26 do mês passado. Segundo a Secretaria de Educação, 14 mil estudantes estão sem frequentar as salas de aula por conta da greve, sendo que, nessa quarta-feira (11/6), os trabalhadores municipais da saúde também deflagrarem greve. A limpeza urbana de alguns pontos da capital também continua afetada – a cidade sempre foi anunciada como uma das capitais mais arborizadas do país, a limpeza de suas ruas, praças e canteiros sempre foram reconhecidas nacionalmente.

Pedido de demissão do ex-secretário de Finanças da prefeitura de Goiânia, Cairo Peixoto | Foto: Reprodução

Pedido de demissão do ex-secretário de Finanças. Clique na imagem para ampliá-la | Foto: Reprodução

Fernando Krebs ouviu o ex-secretário de finanças Cairo Peixoto. Dentre os destaques do depoimento está o quadro de funcionalismo ampliado, descontrole nas despesas, vantagens concedidas aos funcionários, pendências de recursos que foram apropriados de fundos sem a devida devolução.

Cairo Peixoto ficou no cargo de 3 de fevereiro até 30 de abril, quando a próprio punho pediu demissão (leia o pedido ao lado).

Quatorze dias após ser empossado na Sefin, o secretário entregou um levantamento sobre a situação financeira de Goiânia para Paulo Garcia. “Passamos a Vossa Excelência o que conseguimos apurar até a presente data, onde ficamos perplexos”, dizia a primeira página do documento. O MPGO também teve acesso a esse relatório que analisava a situação financeira da prefeitura. “O documento é muito revelador”, concluiu Fernando Krebs.

Relatório que foi encaminhado ao prefeito Paulo Garcia com a análise da situação das finanças da Prefeitura em 17 de fevereiro de 2014 | Foto: Reprodução

Segunda página do relatório que foi encaminhado ao prefeito Paulo Garcia com a análise da situação das finanças da Prefeitura em 17 de fevereiro de 2014. Demais pontos foram citados na reportagem| Foto: Reprodução / Documento

No depoimento ao promotor, Cairo Peixoto informou que as finanças da prefeitura estão sucateadas. A dívida com fornecedores e prestadores de serviço, segundo o ex-secretário, era de R$ 400 milhões e o déficit mensal de R$ 40 milhões. “Os recursos arrecadados pelo Tesouro Municipal não eram suficientes para o pagamento da folha total do mês. Gasta-se 40 dias de arrecadação para pagar uma folha de 30 dias”, afirmou Cairo Peixoto.

O procedimento instaurado está sob sigilo investigativo. O promotor Fernando Krebs disse ao Jornal Opção Online nesta quarta-feira (12/6) que quando concluir as investigações informará aos meios de comunicação. No twitter, o promotor lamentou a situação atual da prefeitura.

Depois de ouvir o ex-secretário Cairo Peixoto, o promotor  concluiu “a situação é lastimável”.

Depois de ouvir o ex-secretário Cairo Peixoto, o promotor concluiu: “a situação é lastimável”. | Foto: Reprodução / Twitter

 

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