Em seis anos, hospital já realizou 144 implantes coclear, recomendado em casos de perda severa da audição

Isabelle de Fátima Cavalcante de 6 anos está entre os pacientes implantados no CRER | Foto: Divulgação

O Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo – CRER, unidade da SES-GO, é o único hospital de Goiás a realizar cirurgias de implantes coclear. Desde 2012, quando o serviço começou a ser oferecido, já foram realizadas 144 cirurgias desta complexidade no hospital, além do atendimento de pacientes que realizaram a cirurgia em outros centros do Sistema Único de Saúde (SUS) pelo Brasil.

A Isabelle de Fátima Cavalcante, de 6 anos, está entre os pacientes implantados no CRER. A menina, que realizou a cirurgia há 4 anos, pronuncia hoje várias palavras após a experiência ouvindo os sons que anteriormente não eram percebidos.

“É muito gratificante ver minha filha se desenvolver como uma criança normal. Escutar a voz dela é uma realização e uma alegria muito grande. Se não fosse o CRER minha filha não teria a oportunidade de ouvir”, comemora a mãe da paciente, Pollyanna de Fátima Cavalcante.

Considerado um procedimento de alto custo, em torno de 46 mil reais, o implante coclear é recomendado para pacientes com perda auditiva profunda bilateral, condição essa em que os aparelhos auditivos convencionais já não permitem que o paciente escute os sons com qualidade e eficiência adequada.

“Os melhores benefícios para a criança deficiente auditiva de grau severo/profundo acontecem quando mais precocemente for realizado o procedimento, por isso a importância da avaliação auditiva do recém-nascido imediatamente após o nascimento. Até os 3 anos de idade o cérebro encontra-se mais bem preparado para identificar, discriminar e compreender os estímulos sonoros e consequentemente desenvolver a fala e a linguagem”, explica a gerente de fonoaudiologia do CRER, Thaís Nasser.

A especialista explica ainda que, após essa faixa etária, os benefícios passam a ser limitados e que, dependendo da idade, o implante coclear deixa de ser a melhor opção terapêutica.

Existem ainda casos em que o implante é contra indicado. “Para os adultos, os critérios quanto ao grau da perda auditiva são os mesmos utilizados em crianças (grau severo/profundo), no entanto é necessário que o adulto já tenha desenvolvido fala e linguagem. Para aqueles adultos que não fizeram uso do aparelho convencional quando mais jovem, nunca foram submetidos à terapia fonoaudiológica e não desenvolveram a fala, o implante coclear é contra indicado”.

Além da cirurgia de implante coclear, o CRER disponibiliza ainda acompanhamento médico e terapêutico para o paciente a espera da cirurgia ou no pós-cirúrgico. Os atendimentos são realizados de forma individualizada por uma equipe interdisciplinar composta por médicos otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos, musicoterapeutas, psicólogos e assistentes sociais.

Hiago Araújo Tavares, de 17 anos, é um dos pacientes implantados e que se encontra em tratamento no hospital. “Atualmente faço três tipos terapias diferentes aqui no CRER e elas estão me ajudando muito no meu processo de reabilitação. Depois do início do meu tratamento, senti muitas melhorias, principalmente na minha comunicação e escrita”.

Implante Coclear

O implante coclear é um dispositivo eletrônico, que tem o objetivo de “substituir” parcialmente as funções das células danificadas dentro do ouvido. Os sons são transformados em sinais elétricos que são enviados diretamente ao nervo auditivo e posteriormente ao cérebro, promovendo a sensação auditiva em pacientes com deficiência auditiva de grau severo/profundo.

Ele é dividido em duas partes (interna e externa), a parte interna é implantada cirurgicamente e fica dentro da orelha do paciente e a parte externa é acoplada logo atrás da orelha (processador de fala) com antena fixada por meio de um imã.