CPI da Enel ouve presidente da empresa em Goiás e adia depoimento de Marconi Perillo

Alysson Lima disse que a “manobra” representa uma “cortina de fumaça” para blindar ex-governador

CPI da Enel ouve presidente da empresa em Goiás, Abel Rochinha | Foto: Felipe Cardoso

Teve início, na manhã desta quinta-feira, 9, mais uma oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Enel, que investiga o cumprimento do contrato de privatização da antiga Celg-D. Os parlamentares estão reunidos, neste momento, no auditório Solon Amaral da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) onde interrogam o presidente da Enel Goiás, Abel Rochinha.

Segundo o relator da CPI, Cairo Salim (Pros), é de extrema importância a presença do presidente da empresa pra esclarecer “para onde está indo o dinheiro que a Enel diz aplicar”. Para ele, os parlamentares querem saber “qual o real interesse da Enel em Goiás”. E questionou em seguida: “Eles estão satisfeitos em serem os piores do País?”. “O consumidor está com saudade da Celg-D”, avaliou.

Para o parlamentar, o relatório da CPI deve ser apresentado por ele no segundo semestre de 2019. Posteriormente, Salim disse que “por se tratar de uma concessão, se houver falhas no cumprimento desse contrato, a concessão poderá, sim, ser encerrada. Mas isso é algo que a Justiça irá determinar”, pontuou.

Rochinha, que adentrou a reunião sem falar com a imprensa, solicitou ao presidente da CPI, deputado Henrique Arantes (PRB), que pudesse fazer uma apresentação dos resultados da empresa. O pedido foi atendido, porém, minutos depois, Rochinha acabou interrompido.

“Acho que os senhores [presidente e demais representantes da empresa] não estão percebendo a seriedade que é isso. Temos aqui uma CPI e todas as informações que o senhor nos trouxe hoje já estamos carecas de saber”, lamentou o Arantes posteriormente.

Desacordo

No início do encontro, foi proposto pelo deputado Cairo Salim o adiamento da oitiva do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). A solicitação causou indignação de alguns parlamentares.

Alysson Lima diz acreditar que a “manobra” representa uma “cortina de fumaça”. “Estão blindando o ex-governador Marconi Perillo. Estamos o tempo todo lutando para trazer os dois [Marconi e José Eliton] em dias próximos, o que já havia sido aprovado, inclusive”, lamentou o parlamentar que considerou o adiamento como uma tentativa de “protelar a CPI”.

Para ele, ambos possuem uma forte ligação com o processo de privatização da empresa. “A CPI tem feito um trabalho importantíssimo pra esclarecer o processo de privatização e a presença do Marconi é essencial para explicar o processo político dessa privatização”, argumentou.

Salim, por sua vez, argumenta que é necessário que os membros da CPI ouçam, primeiramente, os técnicos e posteriormente os políticos. “Precisamos de embasamento técnico primeiro. A vinda do ex-governador José Eliton já estava confirmada”. A vinda de Marconi, neste momento, iria “polemizar muito a CPI”, disse.

O ex-governador José Eliton será interrogado na próxima terça-feira, 14. A oitiva com o ex-governador Marconi Perillo, agendada para quinta-feira, 16, foi adiada. A nova data será discutida entre os parlamentares

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