Coworking: entenda o que é e quais as perspectivas desse mercado em Goiânia

Espaços de trabalho possibilitam economia, flexibilidade e permitem intercâmbio de ideias entre os seus usuários

Coletivo Centopeia: um dos coworkings existentes na capital goiana. | Foto: reprodução instagram.

O coworking é um espaço que pode ser compartilhado por várias empresas e profissionais independentes que procuram um local em que possam desempenhar seus trabalhos. Esse termo surgiu no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, quando dois empreendedores resolveram lançar a ideia de compartilhamento do espaço de trabalho. A proposta em questão se espalhou rapidamente pelo Estados Unidos, vindo a se tornar uma tendência também em outros países. No Brasil, o primeiro coworking foi criado no ano de 2007. Uma das particularidades desse tipo de negócio é que ele prevê uma maior interação entre pessoas de diferentes segmentos e acaba sendo uma alternativa bastante procurada justamente por possibilitar esse intercâmbio de ideias. 

A eclosão da pandemia de Covid-19 acabou potencializando a tendência de expansão desses espaços compartilhados. Muitas pessoas que fazem o uso de coworkings afirmam que a necessidade de reinvenção diante do fato de que o espaço físico da empresa em que trabalham não estava mais disponível, fez com que o coworking passasse a ser uma alternativa muito mais debatida e aceita. Esse espaço passou a ser visto por muitos até mesmo como uma válvula de escape em meio à necessidade que sentem de tentar não misturar o ambiente de trabalho com o de descanso, por exemplo.

Observações sobre o mercado e tendências 

De acordo com o último censo realizado e divulgado pela Coworking Brasil no ano de 2019, a tendência entre esses espaços era a de crescimento. No entanto, toda essa ascensão acabou sendo freada pela pandemia de coronavírus. Já de acordo com material elaborado e divulgado pela Associação Nacional de Coworkings e Escritórios Virtuais (Ancev), no ano de 2021, a cidade de Goiânia já figurava como a 11° no ranking de maiores capitais com coworkings ativos. Cerca de 36,9% desses espaços no Brasil já foram consolidados, enquanto 40,3% estão em expansão ou crescendo de maneira sutil.

Toda essa reorganização da vida de trabalho em torno de novas estruturas, fez com que os próprios coworkings buscassem maneiras de se reinventar, passando a trabalharem também com os chamados “serviços extras”, como o oferecimento de endereço fiscal e comercialização de produtos de alimentação, por exemplo. Além disso, de acordo com levantamento feito pela Ancev,  parte desses estabelecimentos instalados no país possui outras especificidades, como o fato de que alguns são pet friendly, ficam abertos 24 horas e possuem ainda um espaço kids para aqueles usuários que precisam levar seus filhos para o trabalho. 

A realização de eventos para a comunidade dos coworkings foi um outro ponto observado pela Ancev no censo de 2021. Segundo a Associação, palestras e workshops, momentos de diversão e lazer como Happy Hour’s e cafés da manhã para que sejam estabelecidas interações entre os chamados coworkers, são atividades realizadas com certa regularidade em alguns desses espaços. Já no que tange aos impactos da pandemia de Covid-19, a Ancev revelou que a maioria dos proprietários desses locais no Brasil – mais precisamente um total de 75,2% – denotou ter sentido mudanças nos perfis dos clientes nos últimos 12 meses. Além disso, cerca de 46,6% dos donos de coworkings afirmaram ter uma lucratividade acima ou dentro do esperado, enquanto 35,92% tiveram lucratividade abaixo do esperado e 17,48% tiveram prejuízos ou resultados considerados péssimos.

Coworking My Place é um dos novos espaços de trabalho ativos na capital. | Foto: My Place Office.

Mercado de coworking em Goiânia

Paula Del Bianco, gestora de realizações do Coletivo Centopeia, localizado em Goiânia, evidencia que esse coworking começou a funcionar na capital antes mesmo da ideia de compartilhamento de espaços de trabalho se expandir pelo Brasil. Quanto ao que diz respeito ao período de pandemia, Paula afirma que essa foi uma fase difícil para o seu negócio. “O que aconteceu foi que muitos de nossos coworkers encerraram seus planos, por uma questão de contenção de gastos”, evidenciou. De acordo com ela, o medo de contrair o novo coronavírus também foi algo que fez com que muitas pessoas optassem por encerrar seus planos.

Em contrapartida, Paula alega que o período de pandemia fez com que outros tantos indivíduos percebessem que conseguem manter rotinas de trabalho não somente dentro de suas empresas, como também em casa ou em espaços como os coworkings, o que tem feito com que o Coletivo Centopeia observe um aumento na procura por seus serviços nos últimos meses. “Esse mercado em Goiânia ainda está em expansão. Agora as pessoas conseguem entender  o que é esse espaço e só agora também elas começaram a usufruir realmente disso. É necessário que elas encontrem o coworking que mais se encaixa em seus estilos e atende as suas necessidades, que tem mais a ver com elas e o mercado em Goiânia está em expansão e possibilitando isso.”

Alessandro Issi, proprietário da My Place Office, reitera que em um momento de incertezas devido à pandemia, os coworkings e escritórios compartilhados são capazes de proporcionar economia e um ambiente voltado para o foco a todos aqueles que dele fazem uso, uma vez que possuem uma estrutura voltada para isso, a qual supre necessidades que vão desde o recebimento de clientes até a geração de uma maior motivação. Tudo isso, segundo ele, é possibilitado por interações humanas e compartilhamento de ideias com outras pessoas que também trabalham no local. 

Mesmo no período de pandemia, Alessandro afirma que o coworking em que trabalha pôde observar mais períodos positivos do que negativos. “Dois meses após a inauguração, que aconteceu em outubro de 2020, estávamos com todas as posições contratadas. As pessoas estavam cansadas do trabalho em home office e muitos estavam no trabalho híbrido”. Ele afirma que somente em março de 2021, é que uma queda drástica  de coworkers ativos aconteceu, devido ao aumento dos casos de Covid-19 em Goiânia. Segundo Alessandro, somente agora uma melhora no número de pessoas que contratam os serviços de coworking está sendo observada.

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