Covid-19: aumento de casos leva cerca de 10 dias para aparecer nos gráficos

“Infelizmente, não significa que a pandemia esteja passando ou que o número de casos está diminuindo”, explica pesquisador. “Comparando o número de óbitos da última semana com a semana anterior veremos que estamos em fase aguda de crescimento da pandemia”, pontua

Uma rápida olhada no gráfico da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) que mostra a quantidade de casos confirmados de Covid-19 por semana epidemiológica pode levar as pessoas a acreditarem que a pandemia está controlada. No entanto, é preciso cautela já que a análise dos dados deve englobar uma série de informações.

Segundo o pesquisador e professor Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás (UFG), o fato de os números das três últimas semanas estarem mais baixos do que as semanas anteriores é absolutamente natural na evolução de uma pandemia. “Infelizmente, não significa que a pandemia esteja passando ou que o número de casos está diminuindo”, observa.

Ele explica que as pessoas levam tempo até procurarem assistência médica, mais um tempo até fazerem o teste e existem milhares de testes na fila para serem analisados, isso faz com que os dados reais demorem a aparecer no gráfico.

Além disso, para saber se de fato a pandemia está diminuindo o ritmo é preciso olhar o todo e entender o fluxo de informações. “Não se pode olhar apenas as últimas barras, pois o fato de elas estarem mais baixas mostram apenas como está o fluxo de informação. Agora, se você olhar quatro semanas para trás e a quarta barrinha estiver mais baixa que as de trás e isso continuar, aí sim a pandemia está declinando”, detalha.

Acompanhando as barrinhas dia após dia é possível observar que elas estão subindo, sendo que a última é a que sobe mais lentamente porque as pessoas que foram infectadas ontem, por exemplo, ainda vão levar cerca de 10 dias para procurarem o médico. Ou seja, a última barra cresce mais lentamente e as anteriores crescem mais rápido. “Para verificar se a pandemia está diminuindo é preciso marcar uma barra e acompanhá-la dez dias para ver se ela está crescendo ou não”, detalha.

Ainda de acordo com o pesquisador, o fato de Goiás estar registrando um número alto de óbitos aponta que a pandemia deve estar em ritmo de aceleração. “Comparando o número de óbitos da última semana com a semana anterior veremos que estamos em fase aguda de crescimento da pandemia”, encerra.

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