Corte em recursos do SENAI e SESI acabaria com 76 mil vagas para trabalhadores goianos

Beneficiados, na maioria de baixa renda, ficariam sem cursos educação de básica e profissional por fechamento de 11 escolas e com demissão de 980 funcionários

A “facada” prometida pelo futuro ministro da Economia do presidente eleito Jari Bolsonaro, Paulo Guedes, nos recursos do ‘Sistema S’ no início desta semana têm repercutido muito por todo país. O corte, porém, segundo pesquisas, teria efeitos “devastadores” sobre programas de educação técnica e serviços de saúde prestados à população da região Centro-Oeste do país que beneficiam, principalmente, jovens e trabalhadores de baixa renda.

No caso do SESI e do SENAI, mais de 157,6 mil estudantes ficariam sem opção de cursos de formação profissional com o possível fechamento de 26 escolas e demissões de cerca de 2,1 mil trabalhadores das instituições em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O próximo governo não divulgou plano para substituir os serviços das entidades para a população, como alternativa aos prováveis cortes orçamentários do Sistema S.

“A proposta de cortes no Sistema S teria efeitos devastadores sobre instituições que funcionam e prestam serviços essenciais para jovens e trabalhadores brasileiros. Além de acabar com empregos de educadores, técnicos, especialistas e pesquisadores, se forem feitos, os cortes prejudicarão a educação, pesarão sobre a saúde e afetarão a economia do país como um todo”, explica o diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI, Rafael Lucchesi.

Danos em Goiás

O impacto da prometida “facada” pode comprometer até 30% dos recursos do SENAI e acabar com mais de 64 mil vagas de cursos técnicos profissionais por ano, em Goiás. Além disso, o corte orçamentário no Sistema S deve promover o possível fechamento cinco escolas da instituição de formação profissional dos goianos.

No SESI, mais de 12,6 mil estudantes do ensino básico e de educação de jovens e adultos podem perder a oportunidade de estudar por que seis escolas da educação básica da instituição podem ser fechadas.

Além disso, o desemprego deve aumentar em Goiás por que os cortes orçamentários no Sistema S, prometidos pelo próximo governo, vão influenciar diretamente na demissão de 984 funcionários do SENAI e SESI estaduais.

Na prática, o impacto será sentido por todos. No caso de jovens e trabalhadores, os cortes afetariam a principal rede de preparo e qualificação para o mercado de trabalho, com reflexos na capacidade da população de acompanhar a evolução tecnológica das empresas e até de conseguir o primeiro emprego.

“A formação profissional e a capacitação técnica de qualidade aumentam a empregabilidade do trabalhador e, para o jovem, é um importante diferencial para conquistar o primeiro emprego, numa faixa etária em que o desemprego é ainda mais grave que na média. O SENAI prepara uma parcela importante da população para que tenha uma profissão, e alcança e beneficia jovens e trabalhadores que não teriam as mesmas oportunidades pelo sistema educacional”, lembra Rafael Lucchesi.

Impactos Nacionais

Com 2,3 milhões jovens matriculados, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) é a principal responsável pela formação técnica e profissional de jovens e trabalhadores brasileiros para vários setores da indústria. Os cursos, dos quais 70% são gratuitos, são oferecidas em 541 escolas em todos os estados e no Distrito Federal. Segundo cálculos do SENAI, 162 delas fechariam as portas com os eventuais cortes.

Responsável pelos programas de saúde e segurança do trabalhador na indústria, o Serviço Social da Indústria (SESI) também tem uma rede de escolas de que beneficia 1,2 milhão de jovens com educação básica, principalmente de famílias de trabalhadores da indústria. Além disso, oferece cursos de reforço educacional para adultos com baixa escolaridade, serviço essencial uma vez que muitos dos trabalhadores da indústria não têm a educação básica completa ou capacitação profissional.

O SESI calcula que os cortes levariam ao fechamento de 155 escolas, com perda de quase meio milhão de vagas para jovens no ensino básico e no reforço educacional de adultos com baixa escolaridade. Na prestação de serviços de saúde a trabalhadores, que inclui desde a oferta gratuita de vacinas e exames de mamografia para trabalhadoras, a previsão é de que 1,2 milhão de pessoas ficariam sem o atendimento, tendo de buscar os serviços na rede pública ou custeá-los na rede particular.

“São milhões de exames médicos, consultas, vacinas aplicadas, além de atendimento médico e acompanhamento nutricional oferecidos pelo SESI para os trabalhadores da indústria. Na prática, esse é um trabalho essencial, que tira uma milhares de pessoas da fila assistencial e contribui para reduzir a pressão sobre os serviços da rede pública, que não tem dado conta de atender a população de forma satisfatória”, ressalta o diretor-geral do SENAI e diretor-superintendente do SESI.

Os serviços prestados pelo SESI e pelo SENAI contam com altas taxas de aprovação entre a população que conhece o seu trabalho. Segundo pesquisa do Ibope, divulgada em dezembro, a excelência na atuação do SENAI é reconhecida por 94% dos entrevistados e a do SESI, por 93% das pessoas ouvidas. (Com informações da Agência Rádio Mais)

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Marcos

Eu acho que esse ministro da Fazenda e um completo idiota vai fazer só besteira e ferrar os brasileiros esperem pra ver