Corpo de Bombeiros afasta comandante geral e mais 5 por suposto esquema criminoso

Corporação afirma que decisão toma por base a postura de transparência da corporação e tem por objetivo trazer ainda mais independência e credibilidade à investigação na qual os nomes dos bombeiros militares são mencionados

Foto: Reprodução

O Corpo de Bombeiros do Estado de Goiás (CBMGO) afastou temporariamente o comandante geral da corporação, coronel Dewilson Adelino Mateus, e mais cinco militares citados em denúncia da Operação Desconformidade do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Goiás (MP-GO).

Em nota, o Corpo de Bombeiros informou que a decisão toma por base a postura de transparência da corporação e tem por objetivo trazer ainda mais independência e credibilidade à investigação na qual os nomes dos bombeiros militares são mencionados. “Desde o início das investigações, a corporação se colocou voluntariamente à disposição das autoridades, colaborando e prestando as informações necessárias ao esclarecimento das denúncias”, diz.

“O Corpo de Bombeiros Militar reitera seu estrito compromisso com a transparência e com os parâmetros legais impostos pelo Estado de Direito, repudiando veementemente desvios de conduta ou atividades que possam ferir os princípios da legalidade e da moralidade que venham a ser cometidos quando do exercício das suas atividades”, afirma trecho do comunicado.

Com o afastamento, a Corporação está sem comandante geral, já não foi designado um substituto até o momento. No entanto, segundo o CBMGO, os serviços continuam sendo prestados normalmente à sociedade. Os outros militares afastados são: coronel Anderson Cirino, major Nériton Pimenta, tenente coronel Hélio Loyola, capitão Sayro Geane e subtenente José Rodrigues Sobrinho.

Entenda

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Goiás (MP-GO), com apoio da Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO), realizou nesta terça-feira, 19, a Operação Desconformidade, destinada ao combate de fraudes na certificação de segurança contra incêndio e pânico emitida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBM-GO).

O esquema criminoso, formado por bombeiros militares, incluindo membros do alto comando da corporação, ocupa-se em burlar o regramento normativo, concedendo Certificados de Conformidades (Cercons) para empresas e empresários que não cumpriam as normas e protocolos de segurança, colocando vida e patrimônio da coletividade em grave e iminente risco.

Conforme apurado, o grupo recebia vantagens financeiras para interesse próprio, além de valores destinados a construções e reformas nas unidades militares, de modo a justificar as concessões espúrias a determinadas empresas. Shoppings e centros comerciais, em várias regiões da capital, tiveram seus Cercons emitidos irregularmente.

Conforme descreveram os responsáveis pela investigação, os esquemas se iniciaram ainda em 2013, com participação ativa do alto comando militar. O grupo teria atuado nos últimos seis anos oferecendo maior celeridade no processo de concessão de certificado de conformidade — documento que autoriza o funcionamento do estabelecimento — em troca de valores e ou outras moedas de troca, como viagens. Um dos casos investigados aponta um empreendimento comercial que teria pago R$ 500 mil pelo documento.

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