Convenções virtuais determinadas pelo TSE são bem aceitas por líderes de partidos

Com pandemia, partidos devem evitar aglomerações e realizar escolhas de candidatos para as eleições municipais virtualmente

Vilmar Rocha, presidente do PSD em Goiás | Foto: Fábio Costa

Com as convenções partidárias obrigatoriamente tendo que cumprir as datas de realização entre os dias 20 de julho e cinco de agosto, conforme legislação eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou a realização de modo virtual. Por conta da pandemia e as medidas de isolamento social, os partidos poderão escolher seus candidatos nas eleições municipais, desde que garantam ampla publicidade a todos os filiados e atendam às exigências da legislação eleitoral em vigor.

Na opinião do presidente do PSD, Vilmar Rocha, a decisão é importante e interessante. “Dá para fazer, não tem dificuldades. Faço muitas reuniões nos municípios tudo virtualmente pela plataforma Zoom. Reúno os pré-candidatos a vereadores, marco um dia e um horário. Já fiz em várias cidades com pré candidatos a prefeitos e com vereadores. É um avanço, uma evolução na Justiça Eleitoral e sobretudo no atual momento. Acho positivo”, afirmou.

Ele também acredita que, devido à Covid-19, as eleições devem ter prorrogação de data. “Mas acredito que se continuar esse clima vai adiar para dezembro. Não é juízo de valor, é inevitável. Essa estabilização vai demorar aqui no Brasil”, avaliou. No entanto, para Vilmar Rocha, não há a menor chance de se deixar o pleito para 2021. “De jeito nenhum. Não é aceitável. Prorrogar mandatos é antidemocrático e abre um perigoso precedente. É inconstitucional. A Constituição fala em mandato de quatro anos.”

Para o presidente do PSD goiano, a campanha ainda poderá ser normal em alguns municípios, desde com precauções. “Em Goiás temos 150 cidades, aproximadamente, com menos de 10 mil eleitores. São cidades pequenas. Nessas cidades ainda dá pra fazer campanha corpo a corpo. Com cautelas, mas ainda dá pra você ter contato mais direto com o eleitor. Nas cidades médias e grandes, basicamente terá que ser virtual. Os partidos já estão fazendo isso”, contou.

“Eu gravo vídeos, faço lives e então já está fazendo isso. A mudança já estava acontecendo, mas em função da pandemia, ela acelerou. É uma questão nos adaptarmos nessas eleições a esta realidade. Nas eleições de 2022 já vai ser diferente. O quadro será outro, talvez será possível fazer as reuniões, mas no momento é inevitável”, ponderou.

“O adiamento é inevitável. Não é questão de ser contra ou a favor. Não se trata disso. Vai ter que fazer. A previsão é que nos próximos dois ou três meses vamos estar convivendo fortemente com essa crise. Os grandes eventos mundiais, esportivos, religiosos, todos foram adiados”, pontuou Vilmar Rocha.

Para o deputado federal delegado Waldir Soares, presidente do PSL em Goiás, a sigla já está no ritmo da decisão do TSE. “Ontem fizemos uma reunião virtual. Hoje de manhã, uma vez recebida a informação do TSE das convenções virtuais, o presidente já determinou o e já vai pedir uma resolução da nacional para que a gente tome as providências para que cada município faça as convenções virtuais”, disse ao Jornal Opção.


Ele também considera a decisão do TSE acertada. “Acho corretíssimo, estamos no meio de uma pandemia. As medidas que os prefeitos e o governador de Goiás estão tomando e o presidente da República da tomou, há uma preocupação com a quantidade de pessoas infectadas, quase 600 mil pessoas e a quantidade de pessoas que já faleceram. Estamos no auge da crise. Com essa abertura de quase todos os comércios, de tudo praticamente, com certeza vamos ter muitas vítimas e mortos”, falou o parlamentar.


O adiamento das eleições em um mês é também inevitável na visão do presidente do PSL goiano. “Eu acho que o adiamento irá acontecer. Uma prorrogação de um mês. Pela manifestação do Rodrigo [Maia] e do Davi [Alcolumbre], o diálogo que tem sido mantido na Câmara, deve ser adiado em, no máximo, um mês. Isso é o que o presidente Rodrigo já falou para mim e falou para o líder do PSL que a prorrogação iria acontecer no prazo máximo de um mês. Não se prorroga mandato”, salientou.

Ele também comentou o convite da Associação Goiana dos Municípios (AGM) e da Federação Goiana dos Municípios (FGM) para parlamentares para discutir a possibilidade de um mandato intermediário ou mandato prorrogado por conta da pandemia. “A AGM está articulando e pediu uma reunião para os deputados federais e senadores da bancada, que irá acontecer amanhã virtualmente, onde já recebi vários pedidos de vários prefeitos solicitando a prorrogação do mandato. Isso não vai acontecer”, garantiu.


“Acho muito difícil isso acontecer, porque geraria uma série de instabilidades políticas e poderia chegar em 2022 e prorrogar mandato também de deputados federais, senadores, presidente da República. O Brasil vive em uma democracia e você tem que lutar para consolidar ela. Prorrogação de mandato a gente mexe na Constituição com aquilo que é a manutenção dos poderes. Não é momento de prorrogação. Não tem que mudar as regras do jogo aos 48 do segundo tempo”, argumentou delegado Waldir.

Samuel Almeida, líder do PROS em Goiás afirmou que a sigla ainda não foi comunicada oficialmente sobre a decisão das convenções virtuais. “Acho inteligente. O momento mais sério da pandemia é por agora, vamos ter contaminações maiores e pode seguir, caso não haja as regras de isolamento. Acho que vai ter um volume ainda maior. Em função dessa realidade que ninguém ainda conhece, não sabemos como vai acabar, quando vai parar ou saber quando será mais forte ou mais fraco, acho que é uma decisão inteligente”, avaliou.


Samuel acredita que a mudança da data do pleito pode causar muitos transtornos, mesmo que seja em apenas um mês. “Alterar o calendário é muito complexo. A Coreia do Sul realizou a eleição em cima do surto. O que parece é que a possibilidade é só de aumento de casos. O adiamento é complicado, pois você também tem que ter a observância que os mandatos que os mandatos findam no dia 31 de dezembro e, caso muda a eleição para o dia 6 de dezembro, além da possibilidade dos municípios terem segundo turno, de ficar sem prestar conta”, ponderou.

“É impossível prestar conta em dez dias. No entanto, é uma nova realidade que não tem como prever. Se aumentar, da forma como está indo, a possibilidade de morte é grande e isso afasta o eleitor de ir pra urna”, afirmou o presidente do PROS. “Não há possibilidade jurídica de ser adiada para outro ano. Não vejo possibilidade alguma. Quem foi eleito foi eleito para cumprir mandato até dia 31 de dezembro. Até pensar em um adiamento para o dia 6 de dezembro já é complicado”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.