Continência prestada por brasileiros no Pan-Americano é gesto patriótico, legal e admirável

Gesto militar para saudar o pendão nacional tem sido acusado de conter “forte simbolismo”, mas comitê olímpico elogia ato: “demonstração de patriotismo”

Judocas Maria Portela, Vitor Penalbra e Tiago Camilo: continência gera polêmica | Fotos: William Lucas/ Inovafoto/ Bradesco

Judocas Maria Portela, Vitor Penalbra e Tiago Camilo: continência gera polêmica | Fotos: William Lucas/ Inovafoto/ Bradesco

O gesto tem sido recorrente. Ao subir ao pódio durante a cerimônia de entrega de medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, sejam elas de ouro, prata ou bronze, alguns atletas brasileiros tomam posição de sentido e, com o olhar firme no horizonte, prestam continência à bandeira nacional.

Trata-se da mais tradicional saudação militar, e uma das maneiras de manifestar respeito e apreço aos superiores, pares, subordinados e símbolos nas Forças Armadas, Polícias Militares, Bombeiro Militar e demais organizações militares no Brasil e ao redor do mundo.

Mas porque estes atletas estão utilizando desta saudação marcial numa competição civil? Grande parte da delegação brasileira é composta por atletas que estão incorporados às fileiras da Marinha, Exército e Aeronáutica. Ao todo são 123 esportistas brasileiros que estão em Toronto que recebem salários (que podem chegar a R$ 4 mil) e usam as estruturas dos quartéis para treinamento.

Estes militares atletas tem defendido o Brasil em competições esportivas, sejam elas militares ou não, por meio de um projeto do Ministério da Defesa juntamente com o Ministério do Esporte, que começou com os Jogos Mundiais Militares do Rio realizado em 2011.

No Pan de Toronto, competidores que conquistaram medalhas, em especial do Judô, como Tiago Camilo (ouro), Luciano Corrêa (ouro), Mayra Aguiar (prata), Charles Chibana (ouro), Rafaela Silva (bronze), Victor Penalber (bronze) e Maria Sullem (bronze) prestaram continência durante a execução do hino nacional ou no hasteamento da bandeira. O nadador Leonardo de Deus (ouro) e a remadora Fabiane Beltrame (prata) também saudaram o pendão nacional com o gesto no decorrer da cerimônia de premiação.

Não acostumados a ver nossos atletas prestando continências durante a premiação de medalhas, o público tem debatido a questão nas redes sociais. Alguns internautas tem defendido que o gesto estaria carregado de forte simbolismo ideológico, o que tem gerado muita polêmica. Pelo que se têm notícias, os atletas brasileiros não são obrigados a fazer a saudação militar, isto é, o ato de prestar continência fica a critério de cada atleta que recebe ajuda das Forças Armadas para competir defendendo o Brasil.

Os que consideram o uso da saudação militar como um gesto ideológico, argumentam que o símbolo seria um reverência saudosista ao militarismo que governou o País de 1964 a 1985. Outros dizem que os atletas estariam desrespeitando as normas do Comitê Olímpico Internacional, já que é proibido qualquer manifestação política ou comercial nos jogos Pan-americanos.

O uso da continência não é restrito aos militares. Autoridades civis e cidadãos comuns, por exemplo, a utilizam por livre e espontânea vontade. É comum ver o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cumprimentar por meio do gesto os fuzileiros navais ao desembarcar do helicóptero presidencial no gramado da Casa Branca. No funeral do presidente John F. Kennedy, seu filho, o garotinho John F. Kennedy Junior, foi flagrado saudando o caixão de seu pai com uma inocente continência, cena eternizada por fotos que estamparam capas de jornais no mundo inteiro.

Nas comemorações do aniversário de Independência do México de 2014, o presidente Enrique Peña Nieto saudou com uma continência a tropa que desfilava em frente ao Palácio Nacional, na Praça da Constituição (o Zócalo), na Cidade do México.

Seja qual for a motivação que levam os competidores brasileiros a reverenciarem a bandeira nacional por meio da continência, é preciso lembrar que a única ideologia que corre atualmente nas casernas é o patriotismo.

Os regulamentos das Forças Armadas deixam expressa a proibição aos militares de pertencerem a agremiações ou partidos políticos. O Brasil não vive mais um regime civil-militar e, nestes tempos em que o País atravessa uma das mais graves crises política dos últimos anos, as Forças Armadas tem passado ao largo do radicalismo ideológico se restringido a observância das leis e ao respeito à Carta Magna, tendo como papel constitucional a sua defesa.

No que diz respeito à legalidade do ato, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) não só permite que os atletas prestem continência como elogiam o ato. Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira (15/7), o COB esclarece que a continência, além de regulamentar, quando prestada de forma espontânea e não obrigatória, é uma demonstração de patriotismo, sem qualquer conotação política, “perfeitamente compatível com a emoção do atleta ao subir no pódio e se saber vencedor”.

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Jéssica Chiareli

É óbvio que a COB iria argumentar a favor. Aliás, não importa o que ela afirma. Considerando o passado histórico do nosso país, que é estranho é.

israeljr

pois é Jéssica, ou estes atletas não conhecem a história ou estão fazendo apologia a regimes de exceção. por uma ou outra não há o que elogiar. se querem prestar respeito a bandeira nacional, o que é louvável, melhor colocar a mão no coração.

Vagner Barbosa

Me perdoe qual é a história que não conhecem, acho que deve estar falando o que a mídia conta, como pode julgar eles os mesmos estão representando nosso país e ainda mais nos mostrando que podemos sim ter orgulho de nosso país…. Estranho sim e muito porque não estamos acostumados a ver tamanha demonstração de respeito e amor a pátria, sou brasileiro e tenho muito orgulho disto…..

israeljr

de fato jéssica, estranho é..melhor modo de demonstrar respeito seria levar as mãos ao peito, demonstrando amor pelo pátria.

Porto Pinheiro

Excelente. Fico emocionado, quando vejo esses vitoriosos tomarem atitude tão patriótica. É uma imagem importante para os nossos jovens. Bem mais marcante que ver o André Vargas e o Dirceu com o punho esquerdo cerrado. Patriotismo 7 X corrupção 1 !

Alessandro Barcelos

“O Regulamento de Continências, Honras e Sinais de Respeito prevê que a “continência é a saudação do militar”. É um sinal de respeito que deve ser prestado, estando ou não com a cabeça coberta. Reza ainda que o militar da ativa deve, em ocasiões solenes, prestar continência à Bandeira e Hino Nacional Brasileiro e de países amigos. É bom notar que esses atletas não são militares apenas quando estão fardados, mas sim, todo o tempo.”

Carlocarlus

É estranho para imbecís, eles estão acostumados com gestos de corruptos como o Zé Dirceu. Não sabem que as FA são as instituições mais respeitadas no país. E que a continência é a saudação militar á bandeira.