Consumo de carne bovina em Goiás caiu 50% e alto custo deve ser realidade para próximos anos, analisam entidades do setor

Pesquisa divulgada pelo Datafolha mostra que o consumo de carne bovina caiu 67% entre o brasileiro. A alta da inflação, o aumento no valor dos insumos e da matéria-prima para produção de gados, impactaram o valor da carne, com alta de 35%

A crise econômica, a alta de inflação e a perda de renda causada pelo aumento do desemprego na pandemia, foram fatores que impactaram diretamente a alimentação do brasileiro. Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha mostra que o consumo de carne bovina caiu 67% entre o brasileiro. E que 85% da população reduziu o consumo de algum item alimentício desde o início do ano.

Em Goiás, de acordo com Leandro Stival, presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivado no Estado de Goiás (Sindicarne), o consumo per capita anual de carne bovina, em 2019, era de 38 quilos. Com o início da pandemia, em 2020, foram 26 quilos por habitante/ano. “Para 2021, eu acredito em uma redução também. Devemos cair para 20 quilos por habitante. Isso ocorreu devido a crise econômica que veio junto com a pandemia.”

Para Stival, o poder aquisitivo da população em geral diminuiu e o reflexo foi a redução na compra dos produtos. Segundo ele, com a alta da inflação, o aumento no valor dos insumos e da matéria-prima para produção de gados, impactaram o valor da carne, com alta de 35%. “Sem poder aquisitivo, a população migrou para outras fontes de proteínas. E a recuperação deve ser lenta”.

“O consumo da carne bovina , cada ano que passar, vai ser menor. É um produto que tem tendência a custar mais caro. A carne de baixo custo, que a gente via lá atrás, não vai ser uma realidade pelo menos para os próximos 15 anos. Acredito que a alta inflação vai pendurar por um tempo, pelo menos até 2021. Isso vai pressionar a questão do consumo interno para todos os setores e a taxa de juros vai travar os investimentos que o país precisa fazer na agroindústria”. afirmou Stival.

De acordo Sílvio Carlos Yassunaga, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas no Estado de Goiás (Sindiaçougue) e proprietário de um estabelecido do setor há 30 anos, a queda do consumo da carne bovina é de cerca de 50%, comparado com 2019.

A percepção que tenho no meu comercio e em todo o segmento é de uma queda bem expressiva. Neste período, a partir do segundo semestre de 2019, a carne vem aumentando muito e com isso temos o consumidor em busca outras alternativas, como a carne de frango e de porco”, pontuou Yassunaga.

Segundo o presidente do Sindiaçougue, houve também uma migração na compra de cortes mais baratos. “Tivemos uma migração do corte travesseiro para o corte dianteiro, que é mais barato, é notório. Basicamente todos os clientes buscam isso para aliviar um pouco o aumento. Só que com esse desequilíbrio, o preço da corte dianteiro aumentou também”.

Pães

O presidente de Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria no Estado de Goiás (Sindipão), Marcos André Rodrigues de Siqueira, proprietário de um empreendimento de Pães e Doces, afirma que o consumo do tradicional francês também caiu.

“Em relação a 2019, com a pandemia, eu perdi 20% dos clientes. Sentimos que o pessoal perdeu o poder aquisitivo. As pessoas preferem comer em casa ou compra de profissionais informais, mas o faturamento se manteve. Hoje quem pode comprar, compra mais”, disse Marcos André.

De acordo com o levantamento da Datafolha, 46% da população brasileira cortou o consumo de leite, queijo e iogurte. Pão francês, pão de forma e outros pães aparecem com 41% de redução.

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