Construção de parque em Goiânia é alvo de denúncias por possível agressão a nascentes

Queixa foi protocolada na Dema. Presidente da Amma garante respaldo técnico para viabilização da obra no setor Parque Oeste Industrial

Construção de parque em Goiânia é alvo de denúncias por possível agressão a nascentes
Vereadora Dra. Cristina foi uma das denunciantes | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Iniciada no dia 28 de abril, construção do Parque Sebastião Júlio Aguiar tem sido alvo de denúncias por parte de vereadoras, que alegam que as obras podem comprometer nascentes da região. As vereadoras Dra. Cristina (PSDB) e Sabrina Garcêz (PTB) protocolaram a queixa na Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente (Dema).

“A obra vai matar a vereda do Parque Oeste Industrial, porque, para construir sobre as nascentes, mesmo que os prédios não tenham subsolo, elas terão que ser drenadas. Além disso, os prédios vão prejudicar o lençol freático, repetindo erros já cometidos com os parques Cascavel e Flamboyant, cujos córregos estão assoreados ou se tornaram intermitentes”, explica Dra. Cristina.

O Parque Sebastião Júlio Aguiar possui 29 afloramentos de água catalogados pelos peritos do Ministério Público e confirmados pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). Por lei, deve ser respeitada a Área de Proteção Permanente (APP) de cada uma das 29 nascentes, num raio de 100 metros de cada nascente.

“A empresa responsável pela obra, Brasil Brookers, fez um acordo com a Prefeitura de Goiânia e pretende construir edifícios de apartamentos dentro da área protegida por lei, em troca da urbanização do parque, em uma parceria público privada. Querem, inclusive, construir no parque um lago contemplativo, retirando parte dos buritis e da vereda, destruindo a biodiversidade”, acusa a vereadora.

Amma

Ao Jornal Opção o presidente da Amma, Gilberto Marques Neto, disse que seria impossível que qualquer obra da Prefeitura agradasse a 100% da população. Ele nega as pontuações da denúncia e garante que contou com avaliações técnicas para respaldar a autorização da construção.

“Esse parque já é alvo de crimes ambientais por despejo de entulhos. Então vai ser feita uma grande obra para valorizá-lo. Existe um estudo técnico para isso e especialistas já se manifestaram favoráveis à forma com que está sendo feito o projeto”, disse o titular.

Ainda segundo ele, a autorização foi protocolada no Ministério Público, nas mãos do promotor de Justiça do Meio Ambiente. ” As obras já começaram, iniciamos a limpeza da área e a terraplanagem. E este será um dos parques que entregaremos nesta gestão”, garantiu.

A vereadora rebate e diz que há pareceres técnicos que apontam a área como imprópria para ocupação. O titular da Dema, Luziano de Carvalho, acolheu a denúncia das parlamentares e disse que irá investigar.

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