Considerado fútil, reality show provoca reflexão sobre temas importantes em horário nobre

Após uma sucessão de edições mornas, BBB20 surpreende ao entregar  conteúdo relevante

Foto: Divulgação

Racismo estrutural, gordofobia, privilégio, lugar de fala, sororidade, feminismo, tudo isso em horário nobre. Essa é a receita alcançada — arrisco dizer de forma acidental — pela TV Globo para conseguir uma das maiores audiências do reality show Big Brother Brasil. Não é que as edições anteriores não tenham alcançado bons índices, mas a verdade é que o programa já vinha se arrastando, de forma um tanto previsível, sendo “cancelado” por muitos brasileiros.

A cultura do cancelamento, inclusive, é uma temática que também permeia a edição atual, de número 20, do programa de TV. Com subcelebridades e anônimos, várias questões surgiram ao longo das semanas fazendo com que o grande público tivesse acesso a temas sensíveis. A cada reviravolta na casa, participantes foram e ainda são cancelados ou aclamados pelos telespectadores.

Outra particularidade do BBB20 está no fato de grande parte da população estar experimentando um certo isolamento social. Essa realidade trouxe uma dinâmica inesperada à trama: famílias confinadas se juntam para ver televisão, discutem os temas abordados no BBB e trocam informações sobre as questões lá citadas. Com isso, conteúdos importantes, mas que nem sempre são abordados no dia-a-dia se tornaram palpáveis à grande massa.

O racismo estrutural e a gordofobia foram apontados dentro e fora da casa, contra um dos participantes, o Babu. Ele foi definido como um “monstro” por alguns colegas, acabou caindo nas graças de outros que o protegeram e, aqui fora, sua participação ganhou apoio popular que o tornam o favorito para levar o prêmio milionário para casa. O feminismo também esteve presente desde o início do confinamento, quando parte do elenco feminino se juntou contra o que chamaram de “masculinidade tóxica” de alguns confinados.

Brigas de egos, julgamentos e troca de farpas também são comuns na vida real e no jogo, mas nesta edição, as vicissitudes das personagens trouxeram mais realismo ao programa, mostrando todas as facetas de cada um dentro da casa cheia de câmeras. Alguns “cancelados”, ao serem eliminados, tiveram que lidar com as consequências de seus atos aqui fora e prometeram uma mudança de comportamento. Outros, lá dentro, tentam em vão adivinhar como estão sendo vistos pelo público. Na verdade, eles só terão dimensão do que representaram ao deixarem o confinamento.

E, apesar de uma receita um tanto velha, a verdade é que o reality show acertou em cheio e faz jus ao sucesso experimentado pela atração. Mostrar as vulnerabilidades das pessoas de forma escancarada em um momento no qual estamos todos vulneráveis foi, de fato, uma aposta certeira dos produtores. E quem não gostar tudo bem, é só praticar o famoso cancelamento.

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